Adoráveis palpites!

Eu não sou uma pessoa fácil.  Tenho plena consciência disso.  Contudo, poucas coisas no mundo me tiram do sério como palpites. Palpites indesejados, de quem sequer faz parte da minha vida, então… Fico para morrer de catapora, mal consigo sorrir de forma educada, enquanto escuto.

Por ser vegetariana e ter muitos bichos em casa, sempre fui vítima daqueles que queriam apenas “dar um conselho, de coração” (nunca solicitado, claro).  Durante a gravidez a situação se agravou, porque imaginem só COMO uma grávida pode não comer carnes, viver cercada de animais, em especial gatos, e ainda ter um bebê saudável? Impossível! Só que não.

E o parto? Não sei exatamente como isso acontece, mas seu parto, do dia para a noite, se torna uma questão de relevância nacional. Todos sempre perguntam qual será a forma escolhida (como se fizesse alguma diferença para eles), mal contendo o sorrisinho sádico.

A grande pegadinha é que não existe resposta correta. Seja qual for a decisão, vc irremediavelmente terminará a conversa ouvindo discursos inflamados sobre a indústria das cesáreas ou os perigos e dores inerentes ao parto normal, seguidos de histórias trágicas e casos que deram muito, muito errado. Ou seja, tudo que se precisa quando se está em contagem regressiva para tirar um bebê de dentro de vc (#not).

Quando minha filhota nasceu, fiquei aliviada, achando que a turma do amendoim finalmente daria folga.

Ledo engano. Foi aí que o calvário começou.

Se eu já ficava irritada na gravidez, quando podia simplesmente ignorar o fulano e seguir minha vida, com filho é bem diferente (e pior).  Porque o filho não é só seu, faz parte do seu grupo social e vc passa a ouvir frases do tipo: “essa fralda não está muito apertada?”, “um pouquinho só de açúcar não faz mal, COITADA!” ou “vc dá comida aaaaassssiiiimmmmmmm?? Não é perigoso ela engasgar?”.

A vontade é responder: “Sim, sou muito má e quero que minha filha sofra! Vamos ver quanto tempo ela aguenta! Mua-há-há!”, mas respiro fundo e fico quieta (ou pelo menos tento, a descarga hormonal da nova gravidez não está tornando essa missão tão fácil).

A lista não para por aí, é quase infinita: “Ela está chorando, acho que é fome”. Aí vc explica que o bebê acabou de comer e a pessoa insiste: “então só pode ser sono!”, ignorando por completo que bebês choram, que essa é a forma de comunicação deles, que nem sempre existe um motivo/solução e que a mãe acompanha os horários das refeições da criança (acreditem, ela não deixará o “coitadinho” passando fome).

O debate escola X babá é outra pegadinha, não há como acertar. Se a escola foi escolhida, vc errou, porque a criança ficará doente e se sentirá abandonada. Se optou pela babá, rá!, errou também, porque ela pode maltratar seu filho, ensinar coisas que vc não quer, faltar e deixá-los na mão, bem no dia daquela reunião importante do trabalho.

Sei que a intenção pode até ser boa, porém a forma está muito errada, ao invés de colaborar, os palpiteiros de plantão acabam causando desconforto. Um simples “como posso ajudar?”, quando o bebê estiver chorando, é muito mais simpático e eficaz do que a roleta russa de adivinhações e palpites.  Respeito às decisões do casal, sem querer ensiná-los a ser pais, também é muito bem-vindo.

Pena que esse tipo de coisa só se aprende quando se está do outro lado e se esquece em seguida, assim que a fase passa.

20 pensamentos sobre “Adoráveis palpites!

  1. Oi, Paula! Adorei seu blog. Vi seu texto no MMQD de hoje. Quanto aos palpiteiros de plantão, bom…infelizmente, não se tem como escapar deles. Até porque nem são só os estranhos que palpitam; a familia e os amigos também sabem ser incovenientes…rsrsrsrsrsrsrs tento estar bem embasada das minhas decisões para quando falarem algo contra, eu nem titubear..hahahahahaha ah, e o blog é ótimo para se mandar esses “recados”…para bom entendedor, um blog basta! Hahahahahaha

  2. Olá Paula!!

    Conheci seu blog hoje e de cara me identifiquei com este post. Também estou grávida e sofro absurdamente com essa palpitarada toda, não quero nem ver na hora que nascer a criança… No meu caso os palpiteiros que mais incomodam são os da família, especialmente a do marido, porque acha que sabe tudo melhor que as outras pessoas… afff… De gente estranha é simplesmente ignorar ou mandar pastar, mas da familia, que nao é a da gente é fogo viu… Mas enfim, acho que todas sofremos desse mal, o jeito é levar a vida o mais leve possível!

    abs

  3. Oi Paula, vi seu texto lá no MMqD! e vim cá conhecer seu blog. Se já tinha passado por aqui não me lembro, que memória é coisa que eu tenho só lembrança de já ter tido.
    Acho que isso é coisa de brasileiro mais do que de outros povos, sabe? Aqui na Irlanda ninguém fala essas coisas, mas já no Brasil… Da última vez perdi as contas de quantas vezes tive que explicar que o menino não estava com frio (e ele suando em bicas), que 20C pra ele é alto verão. Enfim, mas ó, acho mesmo que esse negócio de não comer carne uma frescura! (brincadeira)
    Um beijo

    • Oi, Nívea! Também acho que essa história de palpites é uma consequência do “calor humano” brasileiro. Em Londres, por ex, cada um anda como quer, faz o que quer e ninguém fala nada, não apontam na rua, uma delícia. Cada um no seu quadrado. Poderia ser sempre assim, né? Sorte sua! Beijos!

  4. Me identifiquei super. Tb tenho zero paciência com palpiteiros, e esse negocio de nao comer carne é uma questão que atrai os palpites alheios, todo mundo se sente no direito de criticar, de comentar coisas ridículas como “vc nao come carne? Mas vc come o que então?” Como se carne fosse a única opção alimentar de um indivíduo. Essa questão do parto tb já me estressou, pois nao importa o que eu fale, vão me criticar. Eu cansei de ouvir que cesárea era a pior opção, que eu seria menos mãe por nao sentir as dores do parto, que a recuperação seria um filme de terror, que o bebê seria tirado de mim sem estar pronto… Aí comecei a falar que teria parto normal. Mas as pessoas nao ficaram satisfeitas, bom mesmo é parto humanizado, na banheira, com doula e o escambau. Então agora eu digo que ainda estou decidindo.

  5. Pingback: A patrulha do parto | PAULAtinamente

  6. Pingback: O glamour da amamentação (#not) | PAULAtinamente

  7. Oi Paula, adorei o post e me identifiquei muito! Tenho 20 anos e acabei de ser mãe, então imagina, além dos palpites “comuns” que toda mãe ouve e que sempre vem na pior hora, tem o fato de me acharem muito nova para ser mãe, ou seja, jorram palpites sobre meu filho, além de quando ele estar chorando quererem tirá-lo do meu colo para pegar ele por uma razão estúpida de se sentirem mais capacitados do que eu (que sou a mãe dele, só um detalhe hahaha) para fazer ele parar de chorar! AAAAHHH COMO ME IRRITA!
    beijos

  8. Oi Paula .. Sinceramente pensei q já tinha sofrido tudo na gravidez da Bella … Agora q engravidei novamente, os santos palpites pioraram. Nenhuma resposta q dou parece certas para as pessoas …
    Cheguei a ouvir d uma mulher no trabalho q eu tinha era q ter vergonha na cara e ter logo um menino, fechar a fabrica e nao ter mais filhos. E mole isso?
    Eu q nao penso muito nas coisas q falo, principalmente agora q estou gravida do meu MENINAO, respondi q a vida era minha q qria sim uma nova menininha e q se ela nao iria ajudar a criar entao q calasse a boca …
    Acredita q sai como errada??

    Pensava sinceramente q nao iria acontecer isso na minha segunda gravidez, q na primeira eu ja tinha sofrido pelas duas. Mais como vc mesma diz “ledo engano, ledo engano mesmoooo”

    • Antes de mais nada, parabéns pela nova gravidez, Tyh!
      Que seu meninão venha com muita saúde! 🙂
      Infelizmente é assim mesmo, o povo AMA palpitar! Eu cheguei a ouvir (mais de uma vez) que era uma “pena” ser outra menina, na minha segunda gestação. Vc chegou a ver esses posts?
      O jeito é ignorar e seguir em frente, porque se formos dar bola para tudo que dizem… ai, ai!
      Beijão e boa sorte, viu?
      Tudo de bom!

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