Quero ficar no teu corpo feito tatuagem… – parte 2

Dizem por aí que vou sentir muita saudade desses tempos malucos.

Saudade da confusão para sair de casa, da bagunça nas refeições, das idas e vindas coletivas ao banheiro.

Saudade da rotina caótica na hora de dormir, com as três brigando para deitar pertinho de mim.

Saudade do aconchego, das mãozinhas gorduchas me segurando, do cheirinho doce das minhas meninas no meu travesseiro.

Saudade do colo, dos abraços e da “música do coração” sendo tocada ou cantada bem baixinho, em looping infinito, até que todas finalmente adormeçam.

Esse é meu momento preferido do dia.

É o momento que gostaria de congelar e guardar para sempre.

Quando for velhinha, gagá, sem lembrar nem mais o meu nome, quero ter algo que me devolva essa sensação de amor que não cabe no peito, a cada vez que olhar no espelho.

Quero que minhas meninas se recordem dessa música, desse sentimento, desse bem-querer, quando precisarem de colo e apoiarem as cabecinhas nos meus ombros.

Tudo, tudo, tudo é para elas e por elas.

Tudo, tudo, tudo veio de nós dois.

Nós dois, três vidas inteiras, juntos e misturados, nesse mundinho que é só nosso e agora mora para sempre em mim.

Obrigada, meus amores.

Nada teria graça sem vcs.

❤️

#cabemtrêsvidasinteiras

#músicadocoração

#trêsmarias

#bos

#7acheck!

Tatuagem 7

Breaking news!

Paloma, na verdade, é Pablo, o pombo juvenil!

Ele é um adolescente, ainda está magrinho e deverá perder a pata mesmo (mas a perna está forte, então tudo bem).

Apesar disso, Pablo Escobar melhorou bastante, devora a comida como se não houvese amanhã, está mais ativo, já reage quando tentamos pegá-lo (“plata o plomo” sendo aguardado para qualquer instante) e é MEGA porcalhudo.

Admito que essa missão está no TOP 10 roubadas da minha vida. Maridón, então, está se divertindo a valer. Cada cusparada de remédio na cara é um flash. Duas vezes ao dia.

Mas El Patrón não teria resistido se tivesse ficado na rua. E eu não consigo ser diferente. Logo, é o que temos para hoje.

No cartel da Morada dos Ramos, mais importante do que dinheiro cimentado na parede é que todos os capangas sobrevivam. 😉

#GOpatrón

#oqueéumpeidoparaquemestácagado(depomba)?

#pombinharosavivecansada

#correntedobem

Paloma, a pomba, prazer.

Sábado de sol.

Família toda com uma virose ebola-level, que contaminou vinte e duas crianças da escola e alguns pais (entre eles o maridón, cla-ro).

A ideia era sair rapidinho e voltar em uma hora, para a próxima mamada.

Só que, no caminho, tinha uma pomba caída na calçada.

Repeti o mantra “Ignore a pomba. Ignore a pomba. Ignore a pomba” por cerca de 10 segundos.

E, em seguida, desci correndo do carro para pegá-la, antes que fosse pisoteada ou atropelada.  Quem eu estava querendo enganar, não é mesmo?

Ela estava caída, imóvel, na porta da padaria. Pedi uma caixa (“desculpe, sra. Não temos caixas”. Ahãm 😒), pedi um pano (“desculpe, sra. Não temos panos”. Ahãm 2 😒😒), pedi uma toalha (“desculpe, sra. Não temos toalhas”. Ahãm 3 😒😒😒).

Fui chorando de raiva à banca de jornal ao lado, bem madura. O senhorzinho, incrédulo, desocupou uma caixa e me deu.

Lutei com a pomba, catei a pomba, encaixotei a pomba (com a ajuda de um transeunte, óbvio. Quase morri do coração quando ela bateu as asas. Entendo tudo de pássaros, como podem perceber).

O diagnóstico não era animador: fio de náilon invisível preso nas patinhas, penetrando a carne. Um dedo necrosado, outro sem movimento.

Minha veterinária não atende aves, nenhuma clínica da região estava aberta, meu último resgate de pomba não foi muito bem sucedido.

Fazer o que?

Pedir ajuda para o amigo médico (que por incrível que pareça, ainda fala comigo), chamar o maridón (que por incrível que pareça, também ainda fala comigo) e fazer uma mini-cirurgia na coitada em casa, no improviso (como agradecer? ❤ ).

Corta a cena.

Domingo de sol. Família ainda podre. Veterinária do bairro topou abrir a clínica durante a soneca das meninas e atender a Paloma (criatividade para nomear aves, a gente vê por aqui – parte 3).

Comemorei o fato dela ser uma fêmea (“fêmeas não bicam”) e limpinha, sem nenhum parasita, até entender que isso não era uma coisa bacana: “Se os parasitas abandonam o bicho, não é bom sinal. Acho que ela não vai sobreviver, Paula”.

Palomita está magérrima, caquética, sem movimento em uma das patas e com infecção por causa dos cortes. Basicamente, ela não conseguia andar para comer, então, estava morrendo aos poucos ali, de fome e de sede.

Uma semana de comida, água, sprays, antibióticos e retorno, para reavaliação.

Se a patinha for recuperada, ela poderá ter vida livre. Se tiver que amputar, não.

Agora estou aqui, com uma pomba manquitola no banheiro, sendo medicada duas vezes ao dia, por tempo indeterminado, enquanto, em paralelo, minha família se recupera do ebola da virose.

Não é por nada, não, mas tenho que reconhecer… Maridón me ama para caralho 😁😳🙈

Oremos.

#GOpaloma

#oqueéumpeidoparaquemestácagado(depomba)?

#pombinharosavivecansada

#resgatedodia

#correntedobem

Feliz trinta meses, Cecília! :)

Ela é alegre, engraçada. Vive fazendo caras e bocas.

Ela canta o tempo todo (o tempo T-O-D-O). Fecha os olhinhos, abre os braços e solta a voz, como se estivesse sempre no chuveiro.

Ela é brava, geniosa. Quando cisma, ninguém a convence do contrário. Faz bico, fecha a cara, cruza os braços e empaca. Fim do jogo.

Ela é boa, generosa. Divide os brinquedos, empresta tudo para todos, aceita sem pestanejar as trocas ÓTEMAS (#sqn) que a irmã propõe, feliz da vida, como se tivesse feito um negócio da China.

Ela chora sentida, sempre que se vê sozinha. Tem medo de muitas coisas (e coragem para outras tantas também, apesar de tão pequena).

Ela experimenta tudo, não tem tempo ruim. Repete o almoço, janta três vezes, come o dia inteiro. Humor de Mônica, fome de Magali.

Ela é imprevisível. Consegue ser tímida e extrovertida ao mesmo tempo.

Meiga e ardida.

Insegura e decidida.

Vulnerável e independente.

Calma e agitada.

Ela é um paradoxo. Uma caixinha de surpresas.

Liló é uma pimentinha rosa. Doce, delicada, mas forte. Todo mundo a percebe ali, despretensiosa no meio do prato. E se encanta, se apaixona, vira fã.

Ela é o ingrediente perfeito, o tempero ideal para dar cor e graça a qualquer cardápio.

Liloca é meu presente.

(“Não! Presente do papai!”, eu sei.  Mas eu te amo mesmo assim).

Obrigada, meu amor, por ter me escolhido como sua.

Beijos de quem mais te ama no mundo.

Mamãe

#lilyfuracão

#trintamesesderatinha

#isntshelovely?

“Cecilia dice siempre lo que piensa
y casi nunca piensa como yo,
si tengo hambre busca en la despensa
y me guisa unos besos con arroz.
Cecilia duerme bien acompañada
porque a menudo la acompaño yo
(…)
Cecilia sabe tanto de mi vida
porque ha vivido tanto como yo,
cada sábado bronca y despedida,
cada domingo reconciliación.
Me gusta hablar con ella sin hablar…
(…)
Cecilia, tan altiva y tan sensible,
tan diva y tan de nadie como yo.
(…)
Pupele mía,
rayito de sombra,
gatito de alfombra,
Palermo y Gran Vía.
Mi sueño, mi vigilia,
mi adicción… Cecilia…”


Filha de peixe gateira é :) – parte 2

Gregório foi devolvido algumas vezes em adoções mal sucedidas, veio para casa como lar temporário há sete anos e acabou ficando.

De lá para cá nunca amansou. Deitou-se no meu colo uma única vez. Continua arisco, não aceita carinho, não se aproxima, é um gato invisível, sempre escondido pelos cantos.

Eu já tinha desistido de sociabilizá-lo. Estava conformada em cuidar dele por ele, sem nenhuma expectativa de retorno.  A regra do jogo era clara, tínhamos um amor de mão única.

Até que essa semana ele precisou fazer uma cirurgia na boca, ficou preso, isolado dos demais e permitiu alguns cafunés, em troca de sachês (o mundo é dos espertos).

Eis que entrei na varanda ontem e encontrei a Pi fazendo carinho nele, como se fosse a coisa mais natural e corriqueira do mundo.

Na cabecinha dela, se a Cidreira a aceitou, por que o Greg não aceitaria?

Eu, em um misto de orgulho e choque, fui filmar, incrédula. E tomei bronca porque “precisa falar baixinho, mamãe!”.

Ok, filhota.

Sou besta de discutir?

Como pais, macacos velhos, gateiros das antigas, achamos que sabemos, que conhecemos, que ensinamos. Ledo engano.  Na verdade, aprendemos com eles diariamente.  E o prazer é todo nosso, podem acreditar. ❤

#sementinha

#orgulho

#minime

#crescerjuntoétudodebom

O Despertar da Força

Esses dias houve uma revolução dos bichos aqui em casa. Todo mundo resolveu ficar doente, muitos sustos, muitos exames, muitos remédios, muito (muito!) dindin, duas cirurgias agendadas para a próxima semana e uma cancelada, por falta de condições.

Além do xixi com sangue, os exames do Darth Vader indicaram uma anemia importante, escapes da válvula do coração e seus dois últimos dentes apodreceram de vez, infeccionando a bagaça toda, que já estava complicada .

Para completar, porque desgraça pouca é bobagem, a doença renal está bem ativa, a ponto da veterinária falar que irá tentar um último medicamento, antes de falarmos em expectativa de vida.

Recebi muito mal as notícias. Chorei, fiquei preocupada, chateada, frustrada, pensando na vida, na falta de sorte, na tristeza por não conseguir ajudá-lo e na grande injustiça.  Ele sempre está doente desde que chegou e agora não terá a chance de ser feliz como merece.  Um verdadeiro fracasso.

Até que me deparei com as imagens do dia do resgate.

É engraçado como certas coisas acabam esquecidas. Nossa memória é seletiva, apaga tudo aquilo que não serve. Olhamos o gato mansinho, tranquilo, gordinho, com pelo brilhante, de veludo e esquecemos que nem sempre foi assim.

Ainda bem que as fotos estão aí para contar tudo que aconteceu nos últimos cento e vinte dias, tim tim por tim tim, em um antes e depois que aqueceu meu coração.

Um antes e depois que me mostrou a diferença que amor, carinho, comidinha boa e cuidados são capazes de fazer.

Um antes e depois que trocou o gosto amargo de fiasco pela certeza de ter feito o que era certo.

Um antes e depois que me lembrou porque tudo valeu a pena.

Enquanto ele estiver aqui, nós vamos lutar juntos.  Nosso Jedi será feliz pelo tempo que tiver.  Promessa é dívida.

Go, Darth!

❤️

#adoteumvelhinho

#umjediparachamardeseu

#antesedepois

Filha de peixe gateira é :)

Cuidar dos velhinhos é sempre a minha última função do dia, depois que todos já estão dormindo.

Só que hoje a Pilar fez questão de me ajudar.

Após muita insistência, cedi, explicando mil vezes: não pode por a mão, não pode falar alto, não pode pular, não pode chegar perto, não, não, não, muitos nãos.

Mas a Pi quis subir mesmo assim.

– A Cidreira é velhinha, doente, brava, assustada. Ela tem medo de gente e bate forte, viu?

Desci para lavar os potes e ela ficou sentadinha no canto, só olhando.

Subi de volta e ela estava toda orgulhosa: “fiz carinho na Cidreira, mamãe!”.

Simples assim. Sem dramas, delongas, nem mimimi.

Na minha ignorância, presumi que uma jamais gostaria da outra. “Criança barulhenta e gata arisca? Impossível dar certo!”.

Só que não.

Hoje eu aprendi na prática que amor realmente transforma quem o recebe.

Ninguém é velho demais para confiar, nem jovem demais para ter respeito.

Basta plantar as sementinhas certas, que tudo se ajeita.

Alguém duvida?

É só clicar no videozinho abaixo e morrer de amor. ❤️

#véiarabugenta

#minime

#adoteumvelhinho

#crescerjuntoétudodebom