Feliz aniversário, Dodoca! – parte 5

Ela acorda no meio da noite, se enrosca no meu cabelo, fala bem baixinho “cheirinho de mamãe” e volta a dormir suspirando.

Ela compõe músicas aleatórias, com letras peculiares de “eu amo a minha mamãe”, “a mamãe é a minha rainha e eu gosto muito delaaaaa”, “a mamãe é a pessoa mais, mais, mais favorita do mundo todoooo” e canta O DIA INTEIRO.

Ela se senta à mesa e vai arrastando o banco durante a refeição, até estar literalmente em cima de mim. “Pertinho da mamãe”. “Assim é beeeemmmm mais melhor”.

Ela DETESTA beijos, abraços, gente em cima, MAS me segue o tempo todo, em qualquer canto, qualquer horário, qualquer situação, puxando minhas roupas pela casa. Está sempre grudada, pendurada, agarrada ao meu pescoço, no colo, pedindo “mão, mão, me dá a mãoooo” e me enchendo de beijocas. “Vem do meu lado, mamãe??”

Ninguém acredita. É quase como se fossem duas pessoas totalmente diferentes em um único mini ser: a autoconfiante, independente, descolada, espontânea, com a personalidade tão forte que mostra para o mundo, sapateando na cara da sociedade Eeeeeee a minha, só minha, feita para mim, sob medida, meu dengo, meu mundinho, nossa simbiose.

Dora é um furacão. E a calmaria. Ela traz o caos e a paz, tudo ao mesmo tempo agora, não necessariamente nessa ordem. Dora é um presente, um privilégio, uma dádiva de verdade verdadeira, como o próprio nome diz. Impossível não se apaixonar por ela, acreditem.

Há cinco anos (uma mão cheia, filha!!) encantando Deus, o mundo e o parafuso, me enlouquecendo, me fazendo de gato e sapato e, claro, ESTUPIDAMENTE feliz.

Te amo tanto, minha coala tartaruga…. mas tanto…🐨🐢

To the moon and back. And back. And back ❤️

Que sorte e que privilegio ser a SUA pessoa.

Feliz dia, todos os dias!

#youwillNEVERwalkalone

#rainhadofrevoedomaracatu

#dodocavidaloka

#minime

#birthdaygirl

Dodoca sendo Dodoca 🤷🏻‍♀️😂

Parabéns para mim e lista de leituras e releituras (40 antes dos 40) :)

Aqui estamos: 3.9, com corpitcho de 3.8, espírito de 5.0 e vitalidade de cof, cof, cof, abafa o caso 😬🙄💪🏻🤦🏻‍♀️😂!

Sim, essa semana foi meu aniversário e eu poderia estar roubando, poderia estar matando, poderia até estar furando a quarentena e comemorando em meio à pandemia. Mas, decidi fazer o que faço de melhor nessa vida, que é, justamente, arranjar sarnas e obrigações desnecessárias para me coçar (sejamos realistas, não mudei até agora, não será nesse último aninho, antes dos 40, que irei mudar 🙄🤷🏻‍♀️😂).

Então lá vai: além de postar selfies pelo menos hoje (muito naturais, nasci para isso, como podem perceber 👌🏻🤦🏻‍♀️😂), me comprometi a ler (ou reler) 40 livros clássicos (alguns looooongoooossss, que enrolei séculos para começar) durante o próximo ano, para envelhecer bem culta e sábia, com assunto de sobra na rodinha do tricô 😂😂😂

Caso exista alguma alma bondosa, também da terceira idade, a fim de me acompanhar em algumas dessas leituras (Vai que, né? A esperança é a última que morre 🤷🏻‍♀️) pode seguir as indicações mensais lá no @miglesbookclub ou escolher aleatoriamente, da lista aqui embaixo 😊

Obrigada por serem tão queridos e tornarem meu mundinho melhor todos os dias! You rock ❤️

Feliz aniversário para mim!!! 🎉🎂🎁🎊🎈

Tim tim!! 🥂

Birthday girl!! 🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️🙋🏻‍♀️

# 40 clássicos antes dos 40 (leituras e releituras, não necessariamente nessa ordem):

1. O Velho e o Mar – Ernest Hemingway

2. Capitães de Areia – Jorge Amado

3. Ana Karenina – Liev Tolstói

4. Guerra e Paz – Liev Tolstói

5. Orgulho e Preconceito – Jane Austen

6. O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Bronte

7. 1984 – George Orwell

8. Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Márquez

9. O Continente – O tempo e o vento I – Erico Veríssimo

10. Dom Casmurro – Machado de Assis

11. A idade da razão – Jean Paul Sartre

12. Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski

13. Admirável mundo novo – Aldous Huxley

14. O amor em tempos de cólera – Gabriel Garcia Márquez

15. A insustentável leveza do ser – Milan Kundera

16. As intermitências da Morte – José Saramago

17. O Físico – Noah Gordon

18. Relato de um Náufrago – Gabriel Garcia Márquez

19. Perto do coração selvagem – Clarice Lispector

20. Memórias do cárcere – Graciliano Ramos

21. O sorriso do lagarto – João Ubaldo Ribeiro

22. Cartas a um jovem poeta- Rainer Maria Rilke

23. A Montanha Mágica – Thomas Mann

24. Por quem os sinos dobram – Ernest Hemingway

25. O Mundo de Sofia – Jostein Gaarder

26. O Mito de Sísifo – Albert Camus

27. O Cortiço – Aluísio Azevedo

28. Livro do Desassossego – Fernando Pessoa

29. A Metamorfose – Franz Kafka

30. A Volta ao mundo em 80 dias – Julio Verne

31. Dom Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes

32. Irmãos Karamazov – Fiódor Dostoiévski

33. Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antonio de Almeida (Skeelo)

34. Senhora – José de Alencar (Skeelo)

35. Fragmentos de um discurso amoroso – Roland Barthes

36. Madame Bovary – Gustave Flaubert

37. A Revolução dos Bichos – George Orwell

38. A Viagem do Elefante – José Saramago

39. On the road – Jack Kerouac

40. A descoberta do mundo – Clarice Lispector

#miglesbookclub

#bookworm

#crazyreader

#crazybooklady🙋🏻‍♀️

Feliz aniversário, Pilar! :) – parte 8

Você repete minhas frases. Imita meu jeito. Fala no mesmo tom. Acredita nas mesmas coisas, tem o mesmo vocabulário e os mesmos valores que eu.

É mandona, mas, ao mesmo tempo, ingênua, doce, de uma empatia sem fim. Cuidadosa, preocupada, simpática e faladeira. Minha vereadora em miniatura.

Nunca mente, se culpa por tudo, fica remoendo o remorso por horas a fio, é Rotary Girl e responsável ao extremo.

Até os seus defeitos são iguais aos meus (mas não vou elencá-los aqui, para nos poupar da vergonha. E também porque é seu aniversário 😬🤦🏻‍♀️🙄).

Lá se foram 8 anos (OITO ANOS, filha!) e eu ainda não decidi se fico orgulhosa ou angustiada ao te perceber meu espelho. É muita responsabilidade ser o modelo de alguém de forma tão universal e visceral, como sou para você. Tenho medo de quebrá-la. Ou de vê-la repetindo meus erros.

Mas você é você e tenho certeza de que saberá escolher seus próprios caminhos, com muito mais sabedoria e serenidade do que eu.

Na verdade, só espero que você continue sendo essa versão melhorada, respeitosa, evoluída e voe tão alto, que o mundo inteiro caiba embaixo das suas asinhas, insistentes em abraçá-lo.

Porém, acima de tudo, espero que você volte para as minhas sempre que precisar de colo, aconchego, amor e proteção. Estarei aqui, de braços, asas e coração abertos, esperando. “De dia, de noite ou meia noite”. No matter what. Come what may.

Feliz aniversário, Pirilampa!

Orgulho que não cabe no peito (e transborda) da pessoa que VOCÊ é.

Te amo infinito e além. To the moon and back. And back. And back ❤️

#youwillNEVERwalkalone

#gladyoucame

#pirilampa

#minime

#birthdaygirl

Feliz aniversário, Cecília! – parte 6

Ela é sensível e doce, de um jeito tão singular, que comove até quem não a conhece direito.

É engraçada, elétrica, está sempre fazendo graça, macaquices e dancinhas malucas. Assiste à TV de ponta cabeça ou dando cambalhotas e pulinhos, incapaz de ficar quieta.

Ao mesmo tempo, é insegura ao extremo, tem medo de ficar sozinha e busca a aprovação da Pi a cada passo, inclusive para pegar um mísero copo de água.

Quando é contrariada, explode, berra, chora. Em seguida esquece, como se nada tivesse acontecido. Em exatos dois segundos. Não sabe o que é guardar mágoas ou rancor.

Para ela não basta estar perto, precisa ser grudada, no colo, de mãos dadas e ainda dando beijos e abraços consecutivos, como se o mundo fosse acabar. Tudo que ela quer é um espacinho em meio ao caos diário de uma família com três.

Por isso, é a primeira a comer, escovar os dentes, tomar banho e dormir. Faz o que pode para ajudar, sempre sorrindo. E nunca, nunca, nunca dorme sem dizer que me ama mais que tuuuuudooooo no mundo.

É tão, mas tão carinhosa, que faz meu coração transbordar.

Ela é, de longe, a que demanda mais atenção. Fica me seguindo pela casa, espera na porta, chama o tempo todo. Se puder, deita na minha cabeça.

É de uma generosidade ímpar. Altruísta que só, divide tudo, o tempo todo, sem o menor ressentimento.

O pedido dela para o Papai Noel foi saúde, amor e que ninguém da família morra. Nenhum brinquedo, nenhuma roupa, nenhum mimo.

Aprendo todos os dias com ela a ser melhor, mais humana, menos egoísta. A realmente enxergar os outros, com os olhos e o coração.

Ela também me ensinou que o complexo de filhos do meio não é lenda. Infelizmente, eles são sim preteridos vez ou outra.

Hoje, por exemplo, é o seu aniversário e, em vez de um programa especial, estamos passando o dia no hospital com a irmã. Ela merecia mais, eu sei.

Talvez por esse motivo seja tão dedicada e se esforce TANTO para agradar (e também grite muito, na tentativa de ser ouvida 🙄). Mas, no final, ela sempre entende e cede.

Ela é uma moleca, quer ser aventureira quando crescer. Ama animais exóticos, história, geografia, curiosidades do mundo natural.

Não tem a menor paciência para roupas, esmaltes, maquiagem, pentear o cabelo (só perfume!). Fala que preferiria ser menino, porque é muito mais divertido.

E eu respondo que ela pode ser o que quiser, como quiser, quando quiser, pois eu SEMPRE vou estar aqui. Come what may, no matter what.

Feliz aniversário, Liló, minha pimentinha rosa.

Obrigada por ser meu presente e me ensinar que amor não se enquadra. Ele deve ser cultivado e demonstrado em todas as ocasiões, no cotidiano, nas mínimas coisas, com pequenos grandes gestos. E que aí transborda, inunda, preenche, alegra e engrandece. Assim como vc.

Te amo tanto, que nem cabe ❤️

Beijos

Mamãe

#ratonildabirobiro

#isin’tshelovely

#birthdaygirl

Feliz aniversário, Dodoca! – parte 4

Ela gosta de dormir mexendo no meu cabelo. Tomar café da manhã de mãos dadas.

Ver televisão no meu colo.

Começa todas as frases com “Mamãe? Sabe…”, naquela voz rouca de tenora.

E me leva no bico de um jeito que dá até vergonha.

Ela solta “te amos”, “vc é a mamãe ‘mais, mais, mais melhor’ do mundoooooooo!!”, “vc mora grandão no meu coração” aleatórios, ao longo do dia.

E me dá beijos estalados e abraços bem apertados. “De urso!”.

Nossa simbiose. Tão única. Tão nossa.

Mas também só faz o que quer.

Praticamente a criadora da expressão “cagando e andando”. Não tem tempo ruim, não tem essa de agradar ninguém. Se não quer, não tem quem desempaque.

Escolhe as próprias roupas com as combinações mais estapafúrdias, me olha e ainda pergunta: “não estou muito linda??” 🙄🤦🏻‍♀️😂👌🏻

Ela tem o sorriso fácil e sabe fazer muito bom uso dele. Charmosa que só.

Também tem as bochechas mais deliciosas desse Brasil varonil.

Uma injustiça comigo.

Tudo que consigo fazer é falar “vou te jogar no lixo!”, para, em seguida, esmagá-la e segurá-la tão apertado, na esperança de que caiba para sempre assim, no espaço do meu colo.

Hoje faz quatro anos que ela me faz de gato e sapato.

E eu ainda termino todos os dias agradecendo por isso.

Feliz aniversário, minha Dodoka vidaloka, meu grudinho, meu terceiro presente.

Obrigada por virar minha vida do avesso desde os tempos da barriga.

Eu SEMPRE, sempre, sempre vou estar aqui, quando seus sonhos forem ruins, esperando de braços abertos minha Menina tão Maluquinha.

Te amo infinito. E além. E além. E além… ❤️

#rainhadofrevoedomaracatu

#dodokavidaloka

#birthdaygirl

Feliz aniversário, Pilar! :) – parte 7

Ela me imita, meditando com o brinquedinho que enfeitava meu berço há tanto tempo e é o meu corpo que se enche de paz.

Ela se vê em mim e eu me vejo nela.

Os mesmos defeitos, as mesmas qualidades, as mesmas manias.

Ela transformou minha vida, virou tudo de pernas para o ar, tirou meu fôlego e meu chão.

Ela me ensinou a ser mãe e continuo aprendendo todos os dias.

Ela me ajuda em tudo, é tão companheira, de uma empatia ímpar, que comove quem vê.

Ela é incapaz de mentir.

Ela me tem como exemplo e eu tento acertar sempre, só para não decepcioná-la, com a esperança de que um dia, juntas, iremos deixar esse mundo melhor e mais bonito.

Há sete anos meu coração passou a bater fora do peito e da barriga.

Há sete anos eu tenho um orgulho imenso da sementinha que nasceu em mim.

Há sete anos eu agradeço pelo universo ter sido tão generoso comigo.

Feliz aniversário, minha Pirilampa linda.

Obrigada por ser meu primeiro presente.

Te amo to the moon and back. And back. And back…

I’m glad you came ❤️

#birthdaygirl

#pirilampa

#minime

#youwillNEVERwalkalone

#gladyoucame

Para um menino lindo, com amor

Hoje é o dia dele.

O primeiro que não passaremos juntos em muitos e muitos anos.

Mas isso não muda as quase duas décadas de amor incondicional.

Ex-casa não é mais casa. Ex-trabalho não é mais trabalho. Ex-amigo não é mais amigo. Eles simplesmente deixam de existir em nossas vidas.

Ex-marido não. Ele permanece ali, criando os filhos com vc.

O amor não morre, ele só se transforma.

As histórias, os dias divididos, as lembranças, o que foi construído junto não termina com o casamento. Fica tudo bem guardado, com todo carinho do mundo, no fundo do coração.

Cada coisinha, cada detalhe, cada confidência, cada gargalhada. As manias não desaparecem, os gostos peculiares sabidos de cor e salteado persistem, as piadas internas ainda têm graça. Tudo intocado. Duas pessoas que se conhecem até de ponta cabeça, mesmo a distância.

Olhar para trás e ver que as mágoas e ressentimentos ficaram pequenininhos perto do que foi vivido é um verdadeiro presente.

Ele foi um presente.

E eu nunca, nunca, NUNCA escolheria uma vida sem tê-lo ao meu lado.

Deu certo sim, o saldo é mais do que positivo.

A história foi (e ainda é) feliz.

Não existe comercial de margarina na vida real, mas existe parceria, cumplicidade e companheirismo eternos. Quer privilégio maior?

O tempo flui, o turbilhão acaba, a caravana passa, a vida segue. Mas o amor continua ali. Sem fim.

Feliz aniversário, lindão!

Tudo, tudo, tudo de melhor que existe no universo e região galática ainda é pouco.

Espero que a vida seja doce e generosa com vc, como vc é com o mundo.

Que nossas três Marias tenham orgulho e o admirem, assim como eu.

Que vc seja estupidamente feliz.

E, como o vinho, cada ano melhor.

Tim tim para nós!

Mtão! (desde sempre, para sempre)

 

(Longe, mas juntos. Sempre, sempre, sempre. De mãos dadas, criando três meninas lindas, com uma flor ❤️)

Drops de uma vida na Alemanha – parte 8 (A saga do voo de volta OU Entre elevadores, malas, documentos esquecidos, extintores de incêndio e a Astrid OU Senta que lá vem história)

“Mas, Paula, vc vai viajar sozinha com as três? Tem certeza?“.

Claaaaaaaaro! Não vai ser complicado. Todo mundo faz tudo com os filhos a tiracolo na Alemanha, se eles conseguem eu também consigo. São só algumas horinhas, não pode ser tão traumático.

SPOILER ALERT: Big mistake.

Big, big, biiiiiiiiiggggggg mistake.

Começou que eu estava levando todas as malas do mundo, além das três quianças, ponto deveras importante, até então desconsiderado no planejamento.

Três carrinhos lotados, malas de mão empurradas, filhas executando malabarismos, gritando e fazendo manha por motivos altamente relevantes, tipo um canudo.

Paciência indo para a Lua desde a entrada no carro. Pai e irmã heróis tentando acalmar as meninas e colocar panos quentes. Primeiro piti já no estacionamento do aeroporto, acabando com a tentativa de “Comunicação não Violenta” apregoada por uma amiga – também mãe de três, só para evidenciar ainda mais o meu fracasso.

Finalmente consegui entrar no elevador, já suando, após travar uma breve batalha para passar o Carrinho de Pisa pelo friso e pela porta ao mesmo tempo  (coordenação não é item de série, reconheço, mas, em minha defesa, estava realmente pesado). Elevador fechou a porta e… começou a apitar.

Repeti a operação umas quatro vezes, sem nenhum sucesso. Na última, travou tudo, fiquei presa por alguns segundos e disparou o alarme. Típico sinal divino de que seria um loooooongoooo dia. Deveria ter escutado, eu sei.  Mas sou brasileira, não desisto nunca, desencaixei tudo e parti para a próxima fila.

Balcão de check in, mocinha sorridente e simpática:

– Documentos, passaportes, autorizações, localizador e passagens de volta OU CARTÕES DE RESIDÊNCIA, por favor?

E foi aí que a porca torceu o rabo.

Eu, a virginiana mór das galáxias, a fazedora oficial de listas e malas, a intolerante com desatenção alheia, a jogadora de merda na cara (e no ventilador) de terceiros até o fim da eternidade, euzinha, eu mesma, Ana Paula da Silva Sauro, deixei todos, todos eles (assim como os cartões de saúde) bem guardadinhos e protegidos…. no cofre de casa.

Sim, deu ruim.

Toca o tio sair correndo para pegar as carteirinhas na Morada dos Ramos. Toca o motorista chispando na hora do rush para atravessar a cidade. Toca pai e irmã heróis fornecerem doses cavalares de açúcar para nos distrair. Toca correr para o banheiro com chocolate quente all over das camisetas brancas das meninas.

Tudo que conseguia pensar era no tamanho do chilique que teria dado se o esquecimento tivesse sido do maridón.  Quase salivei imaginando a bronca homérica. Mas não, ninguém para culpar, a mula fui eu (o que, confesso, dá uma raiva ainda maior).

O tempo, que estava tranquilo pela primeira vez na história da humanidade, começou a apertar. Pessoas ligando e mandando mensagens “e aí?”, moça do check in dando aquela aterrorizada básica “Deveria ter chamado um motoboy, vou ter que tirar suas malas do voo”. Sádica a tia.

Quarenta minutos antes da decolagem, chororô de despedida na boca do embarque e nada dos documentos.

Mas eis que aparece quem? A equipe do Chegadas e Partidas do GNT (sempre, sempre, sempre choro com esse programa, fecha parênteses) de mala, cuia e Astrid, para nos entrevistar.

Porque, claro, se é para passar perrengue, que seja em rede nacional, né?

Meninas falando pelos cotovelos, Cecília querendo contar a vida, sem deixar a coitada da produtora fazer as perguntas, eu chorando e abraçando minha irmã. Um show de elegância e finesse inerentes à Família Buscapé.

Nesse meio tempo, as carteirinhas finalmente chegaram e eu saí correndo durante a matéria, sem dar satisfação. Diretora gritando atrás de mim que precisava da autorização de imagem, os RGs das meninas caindo pelo caminho, a moça da filmagem me ajudando a recolher. Aquele momento clássico em que tudo que se pode fazer é contar com o bom senso da galera da edição (Deus, nunca te pedi nada. Obrigada. Amém).

Fila do Raio-X.  Viúva Porcina aqui apitando loucamente, Pilar chorando porque eu estava sendo presa e ela não queria crescer sem mamãe (quase nada dramática), Dora correndo DO LADO DE DENTRO do balcão, subindo na cadeira da funcionária para ver “a televisão”, garota da minha frente sendo presa em flagrante, com drogas na mala (quem, quem, quem faz isso??).

Mas girl power! Yes, we can! Vamos viajar sozinhas! Olha que ótima ideia!

Meia hora para a decolagem e nós ainda na Polícia Federal.

Como sorte é tudo nessa vida, pegamos um atendente em treinamento e a responsável mais mal humorada do universo, que nos seguraram por exatos VINTE E QUATRO MINUTOS, até lerem cada vírgula de cada autorização. Marcados no relógio. Sem exagero nenhum. Foi mais rápido parir essas crianças do que liberá-las ali, certeza.

Enquanto isso, Dodoca vidaloka resolveu matar o tempo fazendo o que? Brincando com o extintor de incêndio, é claro.

Segurança limitou-se a me olhar with lasers e dizer: “Senhora, controle sua filha, por favor!”.

Opa! Deixa comigo! Agora que o senhor comentou, entendi meu papel. Total controle da situação 👌🏻

Eis que o atendente da companhia áerea veio esbaforido nos encontrar, anunciando: “Sinto muito, não dá mais tempo, tiraram suas malas do voo”.

Pilar começou a chorar desesperada, com as mãozinhas no rosto, repetindo em looping “E agora?? E agora?? Como vamos fazer, mamãe?? Nunca mais vamos ver o papai?” (dramática, lembram?).

Cena foi tão inesperada (Fernanda Montenegro, me liga! Tenho umas dicas para vc! 😉), que o moço se comoveu e passou um rádio “Tá bom, vamos tentar! Mas corram!”.

Saímos Forest Gump style, sem nem olhar para trás.  Dora ficou gritando e chorando que perdeu os sapatos em algum ponto entre a invasão do raio-x e o extintor de incêndio. Mocinho (um santo!) voltou afobado, catou a criança no colo, todos os pertences dela (inclusive a boneca, que também perdeu o sapato) para irmos mais rápido, eu agradecendo de joelhos (mas ainda correndo), até que ela solta: “Tio, fiz cocô. E tá fedorento”.

Choque.

Aí eu fiz o que qualquer mãe faria no meu lugar: fingi demência, surdez, inapitidão social e continuei correndo como se não houvesse amanhã, com meus fones de ouvido imaginários ligados.

Tripulação nos esperando na porta com cara de julgamento, cartões emitidos manualmente porque sistema já estava fechado, passageiros nos olhando torto.

Pessoas já tinham ocupado nossos lugares e tiveram que mudar. Eu ainda tive que trocar uma fralda DA-QUE-LAS (achei que pedir para o mocinho seria too much 😂) antes de autorizarem a decolagem.

E pensam que acabou? Não, não! Poderia seguir aqui ad eternum, com a saga do voo em si, as meninas quebrando tudo, a comissária dizendo que era o último garfo do voo, para, por favor, não derrubarem dessa vez, a Pilar perguntando para o moço ao lado por que ele estava viajando sozinho, se não tinha amigos, nem família ou virando a exorcista e vomitando as tripas.  Mas acredito que vcs entenderam o espírito do caos, né?

Basta dizer que na hora do desembarque, todos os passageiros em volta (e tripulantes!) se despediram das meninas PELOS NOMES.  E que o mocinho que se dispôs a carregar as malas de mão para mim até a imigração, enquanto eu levava a Dora no colo, foi DERRUBADO pela Cecília na esteira rolante. Isso mesmo, na horizontal. Ele lá, coitado, de quatro na esteira, bagagens tombadas no chão e ela gritando: “Doeu! Doeu! Foi tudo culpa dele!! Ele estragou sua mala e nem pediu desculpas, mama!”.

Talvez eu tenha chorado, prefiro não lembrar.

Enfim, poderia estar matando, roubando, enganando, mas estou aqui, dividindo a humilhação pública com vcs e me preparando psicologicamente desde já para a volta em dezembro. A menos que uma boa alma se ofereça para a tentadora missão de nos acompanhar no traslado.

Alguém? Plis?

Gratifica-se bem.

Força, Paola.

#pareceumepisódiodoChavesmasinfelizmentenãoé

#jornalismoverdade

#maternidadereal

#premiadafeelings

#moradadosramosafilial

#dropsdeumavidanaalemanha

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Drops de uma vida na Alemanha – parte 4 (Tengo la camisa – y todo el resto – negra)

Aí a raiz do meu cabelo começou a crescer.  Tentei me enganar, disfarçar as evidências, negar as aparências, até que não teve mais jeito, era reeeeealmenteeeeeee hora de tingir.

O problema é que frequento o mesmo salão há séculos, o que significa que não tenho a menor ideia de qual seja a minha cor.  Chego lá, sento e a mágica acontece, saio prontinha da silva sauro, sem nenhum acidente de percurso.

Mas, se tem uma coisa que aprendi nesses meses morando fora é que as pessoas fazem TUDO sozinhas.  Tipo TUDO.  E bem ou mal, estou meio que sobrevivendo, né?

Foi aí que caí na primeira armadilha: aquela autoconfiança traiçoeira, conquistada após muitos anos de infância moldada pela Xuxa, com aquele mimimi de querer, poder, conseguir, sabem?

Não sou nenhuma gênia, longe disso.  Porém, ganhei Prêmio Rotary no colégio uma vez, entrei direto na faculdade, passei de primeira na OAB. Acho que tenho capacidade para passar espuminha no cabelo, certo?

Errado.  Muito errado.  Erradíssimo.

Comecei até que bem. Cheguei ao supermercado, escolhi a cor, vi que a caixinha custava menos de quatro euros, saí de lá toda pirilampa, me achando A MALANDRA, show me something, brazilian baby, etc e tal.

Aí começou a saga.

Primeiro, as instruções eram em alemão. 👌🏻🙄

Mas como sou brasileira e não desisto nunca, decidi seguir os desenhinhos, não poderia ser tão difícil.

Fui espalhando a gosma pelo cabelo tipo #vidaloka, chock-chock, pinga no chão, pinga na pia, pinga na roupa.

Percebi que iria precisar de um pente, porque aquilo estava virando um ninho de pomba. Aí tira a luva com a boca, mancha o queixo, abre o armário, pega o pente, põe a luva de volta, mancha o braço, as pulseiras tudo, chock-chock-chock.

Após alguma dificuldade, tinta malemá passada, entre mortos e feridos salvaram-se todos. Sucesso Capim Cubano.

Aí lembrei que precisava pegar a touca, dentro do bendito armário de novo.  Tira luva, põe luva. Limpa os cabelos que caíram na pia com a luva suja, mancha tudo, joga a luva fora (grande erro).

Esperei meia hora sentada no chão do banheiro, sem encostar na parede, para não manchar móvel nenhum (coluna em choque, tipo “era assim que eu deveria viver??”, bibibi bobobó).

Aí a cabeça coçou, luva já no lixo , manchei a unha, o dedo, o nariz (?), o pescoço, a testa (mais), a alma.  Quis chorar, porém perseverei, pensando que é como chupar caroço de manga, a meleca é dada, o importante é querer, poder e conseguir, só que em uma versão já menos alegre e saltitante.

Trinta minutos passados, fui pegar a toalha com todo cuidado para entrar no chuveiro, usando só as pontas dos dedos e, batata, ela caiu dentro da privada.  Pior, molhou tudo no caminho até a lavadora, OUCEJE, agora terei que lavar o banheiro também.

Aí precisei tirar a blusa e, bom, ela teve que ir para o lixo de forma prematura, com sua grande amiga, a luva (nota mental: usem blusas com botões. Muito mais importantes do que filtro solar ou camisinhas nessas horas #ficaadica).

Entrei no banho, liguei o chuveiro e aí, amores, aí o sertão virou mar. Negro. Tipo piche no golpe do vidro do carro.

Tinha tinta preta por tudo, tudo, tudo, Papai Noel: piso, paredes, costas, rosto, peito, braços, cortina (banheiros aqui não têm box. Por quê??? Por quê?? Por quêêêêêê???) e até nos dedos dos pés.

Mil horas no banho até limpar o encardido (mal ae, Cantareira germânica 😬), sequei o cabelo rapidinho, de qualquer jeito, mega ansiosa para ver o fruto do meu árduo trabalho.

Resultado: a notícia boa é que não fiquei ruiva, nem loira, como temia.  A ruim é que fiquei morena.  Mas morena MESMO.  Mortícia Addams level.  Vou demorar umas quatro lavagens até poder olhar de novo no espelho sem cantar, estalando os dedos.

Quer dizer, a conclusão é única e bem óbvia, né, minha gente: sim, o preço da tinta é apenas 4 euros.  O que ninguém conta é que os outros muitos dinheiros que vc paga no salão são pela sua dignidade.

FIM.

Mortícia 2

 

Drops de uma vida na Alemanha – parte 3 (Curiosidades)

Tenho postado muitas fotos e filminhos no stories do Instagram e acabei deixando o blog de lado (shame on me), mas gostaria que algumas coisas ficassem registradas para a posteridade, como essas primeiras impressões da Alemanha.

Não sei se é assim em todos os lugares, nem tenho a menor pretensão de generalizar ou falar do país como um todo, em tão pouco tempo. Maaaaaasssss, disclaimer feito, aqui estão 35 curiosidades que me chamaram a atenção nos últimos meses:

1. Reciclagem é muito, muito forte no país. A ponto de uma garrafa de um litro de água custar 19 centavos, porém, se vc devolver a embalagem, recebe 0,25. 🤔 (e o bacana é descobrir, AGORA, que está comprando água à toa há oito meses, já que até a da torneira é potável 😒).

2. Como as meninas ainda são pequenas, a escolinha delas é paga (ensino gratuito apenas a partir do fundamental). Mas a da Dora, por exemplo, custa 18 (dezoito euros) por mês. Sim, D-E-Z-O-I-T-O. Com almoço três vezes por semana incluído. E o governo ainda dá uma ajuda de custo por criança, depositada todos os meses direto na conta do maridón.

3. Produtos são via de regra bem baratos, mas os serviços são caríssimos. Mão de obra é extremamente valorizada, por isso o DIY é estilo de vida geral para tudo, incluindo reformas da própria casa, independente das condições financeiras. Um chaveiro, por exemplo, cobra uns 300 euros para abrir sua porta (em 3 minutos👍🏻).

4.  Pessoas não costumam contar com ajuda de terceiros, mesmo familiares. O bom e velho “se vira nos 30” é tão enraizado, que na primeira semana aqui o maridón me mandou essa foto e ficamos impressionadíssimos. Hoje chamo de segundas-feiras. 🙄

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5. Crianças da idade da Pilar (cinco/seis anos) vão e voltam sozinhas para a escola. A pé ou DE ÔNIBUS.  Carregando sua própria mochila, lancheira, gorro, cachecol, luvas, periquito e papagaio. Inclusive na neve.

6. A preferencial não é de quem está subindo ou descendo, mas sim de quem não tem carros estacionados no seu lado da rua (muitas, muitas, muitas buzinadas até entender).

7. Ainda no tema da reciclagem, no começo do ano recebemos um folder contendo TODAS as datas em que cada tipo de lixeiro (são vááááááários) passará até dezembro, com figurinhas coloridas para podermos colocar a lata certa na calçada, no dia e horário corretos. Tudo muito bom, tudo muito bem, só que, claro, não entendemos a diferença entre o latão marrom e o preto até agora (abafa o caso). Se alguém aí puder desenhar for dummies, agradecemos. Acho que os lixeiros também. 😬

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8. Os consultórios são privados, mas 100% do atendimento médico é gratuito. Precisei de dentista, fui atendida no dia seguinte, a cinco minutos da minha casa, sem nenhuma espera e não gastei um centavo (post aqui). Tudo de graça, do estacionamento ao raio-x. Se for emergência, existe um consultório de plantão em cada região, mesmo aos finais de semana. A saúde pública funciona e é de qualidade.

9. Os pontos de ônibus da região têm uma cabininha com livros, para as pessoas lerem enquanto esperam ❤️ (aqui).

10. Alemães não são rudes. At all. Pelo contrário, são gentilíssimos. Porém, são extremamente diretos, não existem meias palavras. Por exemplo: outro dia íamos passar na casa de uma pessoa e lá pelas tantas ela mandou: “vcs vêm ou não? Quero dormir cedo”. E tudo bem.

11. Conclusão óbvia: alemão é IMPOSSÍVEL de se entender. Encontramos vários brasileiros que moram aqui há muitos anos e ainda não falam. Esperança é a última que morre, eu sei. Só que as vinte palavrinhas que aprendi até agora não parecem lá muito promissoras…

12. Conclusão não óbvia: a Alemanha nunca tinha entrado nas minhas listas de turismo,  fora Berlim e Munique, mas é tão, tão, tãoooooooooo linda, que vira e mexe me pego sem ar com as paisagens encantadoras e construções típicas. Surpreendente. Uma pena que minhas fotos e vídeos não mostrem um décimo do que realmente são.

13. Farmácias (Apotheke) vendem apenas remédios. Se quiser comprar fraldas, cremes, shampoo, macarrão (?), vc precisa ir a uma Drogaria (DM ou Rossman). E lá eles não vendem remédios. Ou seja, precisa comprar pomada para tratamento de assaduras e pasta de dente? Vai ter que ir a dois lugares diferentes.

14. É a terra da salsicha, mas é impressionante a quantidade de vegetarianos. Mesmo no interior. E os supermercados têm SEÇÕES inteiras veggies ❤️ (um adendo, contudo: opções vegetarianas em restaurantes típicos/turísticos alemães são mínimas e todas horrorosas. Não tentem fazer isso em casa. Sério #ficadica).

15. Água é com gás. Ponto. Se quiser sem, precisa especificar. Várias vezes, porque quase sempre mandam com gás mesmo assim. Na escola tiveram que comprar a parte para as meninas. Todas as outras crianças tomam com gás. E existem dois tipos: classic e medium.

16. Capuccino é apenas café com leite. Sem chocolate ou canela (várias tentativas frustadas até entender… #forçapaula).

17. Tempo pode estar horrível, com neve, frio, chuva, neblina. Mas ninguém deixa de fazer nada. Dezesseis graus negativos e as crianças todas encapotadas, brincando normalmente nos parquinhos. Dizem aqui que “There’s no such thing as bad weather, only bad clothes” (“Não existe tempo ruim, existem roupas ruins”). Meninas, contudo, como boas filhas de um país tropical, se recusaram a ir ao parquinho da escola durante o inverno, tumultuando toda a organização das professoras #rebelião.

18. Animais, em compensação, nunca usam roupas. Pode ser o frio que for, a neve que for, os únicos coiós vestidos são os meus 🙄 (atestado de gringos detected 🙋🏻‍♀️)

19. Alemães carregam suas próprias cestinhas e sacolas para TODOS os lugares. E te julgam se vc não fizer o mesmo. Com olhares de reprovação e palavras que não entendo , claro, mas não parecem muito carinhosas 😬🙄.

20. Não existem ralos nas cozinhas, banheiros e afins. O ÚNICO ralo da casa é o que fica dentro do box (?). Garagens, banheiros e cozinhas simplesmente não são lavados, never ever, apenas varridos. E é PROIBIDO POR LEI lavar seu carro em casa. Dá até multa.

21. Ninguém usa celulares e tablets nos restaurantes. Nunca. E as crianças são inacreditavelmente comportadas mesmo assim.  Não falam alto, não gritam, não fazem bagunça, nem manha em “lugares inadequados” (ainda tentando aprender esse truque).

22. Não existem pedágios na Alemanha (ou, pelo menos, em Hessen).

23. Vc precisa pagar um imposto anual para ter cachorros (gatos não, tks, God! 🙌🏻 Três é bem melhor do que doze, né mores? 😬)

24. Alemães fazem xixi sentados (não que eu tenha visto pessoalmente, melhor esclarecer essa parte 🙄👌🏻😂).

25. O número três é mostrado sempre com o polegar, nunca com os três dedos do meio, como fazemos (paz com o polegar junto, sabem? ✌🏻 + 👍🏻). Parece bobagem, mas no dia a dia é muito esquisito, sempre me chama a atenção.  Essa curiosidade é tão típica, que aparece em Bastardos Inglórios, inclusive (assistam!).

26. Papel higiênico se joga na privada. Tenho mini síncopes todas as vezes (minha casa deve ser a única com lixeiras em todos os banheiros), mas tentando me acostumar.

27. A TV aqui é pública, por isso, se paga um imposto mensal, assistindo ou não. E o imposto é devido mesmo que vc sequer tenha televisão em casa!

28. Moedinhas efetivamente valem. Coisas que custam mais de 5 euros no supermercado são consideradas beeeeem caras. Só para terem uma ideia, pensando em “dinheiros”, sem converter: um almoço normal, em um restaurante durante a semana, custa em média 6/7 euros. Uma pizza aos domingos uns 30 (na pizzaria, em casa são uns 15). Para a família inteira. Com bebidas E gorjeta. 🙀

29. Auto estradas não têm limite máximo de velocidade. Repito: sem limite de velocidade. E a pista da esquerda é utilizada somente para ultrapassagens. Ninguém fica dando farol ou buzinando, mesmo que vc esteja mais devagar do que eles (o que acontece 98% das vezes no meu caso).

30. Casas não têm cercas, brinquedos ficam todos espalhados pelos jardins, portas, garagens e carros destrancados. E, óbvio, ninguém mexe em nada.

31. Temos veadinhos, lebres e raposas passeando pelas ruas. Mas a caça é permitida. 💔😓

32. Corvos são as pombas locais.

33. Passarinhos não migram durante o inverno e voam sim, senhor, com neve caindo (toda uma vida sendo enganada!). Aliás, a temperatura não precisa estar negativa para nevar (passada a ferro com isso, tipo revelações do universo). Aquela história de que gelo só abaixo de zero graus é uma mentira, uma lorota das boas! A partir dos três graus positivos pode nevar. E os carros avisam (além de terem esquentador de bunda, uma nova paixão ❤️)!

(Sim, admito, filmei na vertical 🤦🏻‍♀️. Não tenho como me defender, vou ter que apelar para o zap de mãe de três. Sorry).

34. Não existe um percentual costumeiro de gorjetas, como no Brasil (10% que agora são 13%), apenas se arredonda o valor da conta para cima. Se custou 52, por exemplo, paga-se 55 euros.

35. E, last, but not least, nada funciona aos domingos. NADA. Nem farmácias. Nem supermercados. Nem lojinhas de pontos turísticos. Um ou outro restaurante aberto e olhe lá. Por poucas horas. É chocante ver as ruas lotadas e tudo fechado. Chego a escutar o barulhinho do dinheiro sendo rasgado. Maaaaaaaas, domingo é dia de ficar com a família. Ponto. Eles não se importam se estão perdendo euros, o que ganham em troca não tem preço. Simples assim.

Então é isso, povo de Sucupira.

Complicados e perfeitinhos esses alemães, não? (exceto pela caça. E pela falta de abraços. E de pães de queijo. E de pães de mel. Chuinf…).

Placar geral está meio bagunçado agora.  Mas o importante é que a Russia segue negativa na tabela, apesar da russa ter me estimulado a frequentar a academia #rancorosa

Fim.