Esquisitices

Quando o despertador tocou, eu sonhava que a Terra estava sendo atacada por alienígenas em formato de batatas Ruffles.  Eles desciam pelas lâmpadas e, para matá-los, nós tínhamos que comê-los (#gordinhafeelings).

A válvula do meu chuveiro espanou, o maridón ursulón pegou a caixa de ferramentas e… CONSERTOU.  CON-SER-TOU. Sem destruir NADA na casa.

Minha barriga dobrou de tamanho nas últimas 24 horas.

A noite foi relativamente tranquila, sem grandes intercorrências, agito, confusão nem trapalhada na Morada dos Ramos.

Um gato preto, adulto e FIV+ (AIDS) vai ganhar uma família linda para chamar de sua essa noite, após SEIS ANOS de abrigo.

A lei que proíbe a produção e comercialização de foie gras em São Paulo FINALMENTE foi sancionada (#chupaatala).

O casamento gay foi legalizado em todo o território dos Estados Unidos.

E, last but not least, Pilar não quis repetir o pão no café da manhã e ainda falou “um só está bom, mamãe” (WHAAAATTT??).

Ou seja…. alguma coisa está bem fora da nova ordem mundial nessa sexta-feira congelante.

Ruffles extraterrestres, mi casa es su casa.

Sejam bem-vindos e voltem sempre!

#TGIF

Corujices curtinhas – parte 5

Eu poderia estar matando, poderia estar roubando, poderia até estar superando a saudade sufocante das minhas estrelinhas, caminhando, cantando e seguindo a canção.

Mas, enquanto nada disso acontece, a vida não se ajeita, os posts de mesversário se acumulam atrasados e meu coração continua estrupiado, vamos às corujices curtinhas do último semestre, porque um pouquinho de fofura não faz mal à ninguém, né?

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Cortando a laranja em pedaços para as meninas:

Pi – Eu não gosto assim, mamãe. Só gosto de comer laranja com o copo.

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– O namorado da mamãe é o papai e o namorado da vovó e o vovô.

– Ah é, Pi? E quem é seu namorado?

– A Lily! Eu vou casar com ela.

#irmãs

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– Mamãe, o que a gente vai assistir na TV hoje: Mickey ou futebol?

#pilarnatafan

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Segurando meu rosto e imitando o maridón:

– Mamãe, olha para a Pi. Vc é o amor da vida do papai, viu? Lembra disso no seu dia.

#portavozoficial

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– Liloca, seu nariz está xujo. Vou pegar papel gênito para limpar. Pronto! Está linda agora!

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– Gol de quem, Pi?

– Do “Tupaio” (São Paulo)

– É, filha?

– É! Eu sabe e a mamãe sabe. O papai não sabe. Ele é cúrintia.

#thatsmygirl

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Meu sorvete veio errado e foram trocar. Eis que a Pi solta, toda preocupada:

– Mamãe, cadê seu sorvete? Vc ficou sem? Quer o meu? Eu divido com vc, tá bom? Não precisa ficar triste.

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No planetário, olhando uma maquete do Sistema Solar:

– Olha, mamãe, quantas uvas!

#gordinhafeelings

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– Filha, hoje vamos dormir em um hotel!

Chegando lá, a Pi começou a chorar, super chateada:

– Eu não quero ficar aqui, quero ir para a casa dele!

– Dele quem?

– Do seu amiguinho Theo!

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Durante a viagem para os EUA:

– Filha, vamos jantar pizza, que vc adora!

– Ah, não! Não quero mais pizza, mamãe. Quero purezinho! E berinjela!

#belagilfeelings

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Pilar murchinha no carro.

– Por que vc está triste, filha?

– Por causa do que a Dadá me disse hoje.

– E o que ela falou?

– “Não pode bater na Lily!”

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Enquanto isso, Dona Liló soltou a língua e virou um papagaio. Está começando a formar frases, repete tudo que falamos e está fazendo uma lambança entre português/inglês.

Ela e a Pi estão cada vez mais grudadas.  A Pi deixa os amiguinhos de lado na escola para tomar lanche com a irmã e a Liloca, por sua vez, passa o dia chamando: “ô, Piiiiiii!!”, “cadê a Pi?”, “Piaaaaaaar!!”.

Tanto amor, que nem cabe! ❤

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– Filha, cadê a Dora?

Onde está a Dora_

#trêsmarias

#amormaiordomundo

#ohana

Para a Dora (último trimestre!)

Quando vc me escolheu como mãe, não imaginou a besteira que estava fazendo…

Eu não sou daquelas mães comuns, que aparecem nos filmes e comerciais de TV.

Não sei cozinhar, costurar, pintar, nem tenho habilidades manuais.

Não sei contar histórias e canto tão mal, que vc provavelmente vai preferir dormir sozinha.

Detesto dar banhos, fazer papinhas e coisas do tipo.

Corro atrás de galinhas machucadas na macumba, levando vc comigo.

Estaciono no meio da rua com o pisca-alerta ligado, em busca do bichinho encolhido na calçada (e o coloco dentro do carro com vcs, sem a menor cerimônia).

Carrego suas irmãs no colo o tempo todo. Exatos vinte e cinco quilos além do recomendado pelo médico.

Ao invés do ensaio de gestante, fiz uma campanha sobre a toxoplasmose.

Trouxe uma gatinha morrendo para casa, subi e desci mil vezes a escada do sótão, esfreguei o chão de joelhos para limpar suas sujeiras e quase morri junto quando ela virou estrelinha, desencadeando uma onda precoce de contrações (que já passou, pode ficar tranquila).

Nunca me lembro dos cremes da barriga, nem de tomar as vitaminas da gravidez (mas os remédios da bicharada e das suas irmãs estão em ordem, juro!).

Sou uma Mulher Maravilha quebrada. Falo palavrões, estou sempre atrasada, atrapalhada, correndo.  Choro, brigo, esperneio e discuto, sem nem pensar que seus dias aqui dentro deveriam ser mais tranquilos.

Vc realmente não imagina a besteira que fez quando me escolheu como mãe, filha.

Mas eu agradeço todos os dias por isso.

Não prometo mudar.  Nunca serei aquela mãe ideal, perfeita, tradicional, nem certinha.

Só prometo ensinar vc a enxergar o mundo com o coração.

E lhe dar todo o amor que houver nessa vida.

Último trimestre. Reta final.

30 cm, 690 gramas, uma mini-pessoa crescendo em mim.

Aguenta firme, meu amor.

#ressacamoral

#trêsmarias

#ohana

Ps: Agradeço a todos que gastaram um pouquinho do seu tempo para me escrever sobre a Catarina.  Ainda não consigo ler nada sem chorar, mas vou responder um a um, assim que recolher meus caquinhos. Obrigada do fundo do coração. ❤

IMG_4177

Foto vesga da semana, que é o que temos para hoje. Nota mental: sempre tirar várias, para salvar uma. #ficaadica

Para a minha quarta estrelinha

Catarina foi resgatada de um bueiro há quatro meses, já cega, banguela, com mais de 14 anos, pancreatite crônica, lipidose, problemas intestinais, renais, AIDS e PIF.

Ficou três meses internada e teve alta para passar seus últimos dias em casa. O que ninguém esperava é que esses “últimos dias” seriam quarenta.

Catarina era uma guerreira, lutou até o fim para viver. Ontem de madrugada, comeu, usou a caixinha, esperou pacientemente que eu limpasse seus olhos e pediu carinho.

Dei o costumeiro beijo de boa noite distraída, sem imaginar que seria nosso último. Se arrependimento matasse, hoje eu estaria sendo enterrada no lugar dela.

Se soubesse que essa noite seria a nossa despedida, teria ficado ali, deitada ao seu lado. Teria beijado mais, abraçado mais, amado mais.

Infelizmente, não deu tempo.

Catarina amanheceu convulsionando e com problemas respiratórios. Após algumas horas de terror absoluto, tive que escolher deixá-la partir. Não seria justo continuar prendendo meu fiapinho àquele corpo doente, apenas porque eu não estava preparada para dizer adeus .

Perder duas filhas em menos de vinte e quatro horas, durante a gravidez é avassalador. Dói no fundo da alma. Estou com um buraco no peito, sem reação, nem forças para levantar.

Mas essa história não é sobre mim, minha tristeza, minhas frustrações ou arrependimentos.

Essa história é sobre a gata mais aguerrida que já conheci. Um fiapinho que me ensinou em poucos meses muito além do que aprendi a vida inteira sobre força de vontade, amor incondicional e gratidão.

É sobre fazer o que é certo: estender a mão para um bichinho que morreria em poucas horas dentro de um bueiro, com fome e frio, para lhe dar a merecida dignidade e mostrar, ainda que no apagar das luzes, que as coisas podem ser diferentes.

É sobre o triste final da nossa batalha juntas.

Hoje minha filhota descansou.

De tudo que passamos, ficam apenas a saudade, o amor infinito e uma certeza: cada segundo valeu a pena. Eu a escolheria mil vezes de novo, de novo e de novo, se tivesse a chance.

Cata-linda foi um verdadeiro presente.  Pena que não terei a oportunidade de agradecer a altura.

Brilha, meu amor.

Brilha que o meu céu é todo seu.

Te amo para sempre.

Catarina

Para minha terceira estrelinha

Maridón e eu namorávamos há poucos meses, fomos viajar nos Jogos Jurídicos e voltamos com a Pandora a tiracolo.

Mais do que um aviso de onde ele estava amarrando seu burro, Pandoreta foi o primeiro pseudo-resgate que fizemos juntos.

Viveu muitos anos felizes na casa do meu sogro, até que mudaram para um apartamento e ela acabou acolhida pelos meus pais/irmã.

Pandora sempre foi doce, carente, agitada, brincalhona.

Em quase catorze anos juntas, nunca vi nenhum esboço sequer de agressividade ou raiva nela.

Pandora transbordava amor.

Por isso, hoje foi o dia dela.

Dia de ser amada como merecia e partir com dignidade – sem dor, tubos, nem sofrimento – cercada por nós.

Dia de segurar a mão do maridón, porque ajudar um filho a descansar certamente foi a pior coisa que já fizemos nessa vida.

Dia de deixar as lágrimas correrem, o coração apertado, o peito sangrando, ainda em dúvida sobre qual caminho deveria ter seguido.

Hoje foi o dia em que nossa Pandoreta fechou os olhos, ganhou seu último cafuné e foi embora, para nunca mais voltar.

Brilha, meu amor.

Brilha e ilumina esse mundão, que ficou muito mais triste sem vc.

Te amo para sempre.

Post despedida Pandora

Quem acredita em milagres?

Costumo acreditar no improvável/impossível, porque, só no último ano, vi três milagrinhos acontecerem de perto na minha casa.

Shae e Sagui chegaram geladas, sem mãe, fracas, doentes, debilitadas.  Ninguém esperava que as duas fossem escapar.  Hoje brincam de lutinha, correm, destroem tudo e ainda me acordam de madrugada, em busca de um cafuné despretensioso:

Sagui e Shae

Catarina teve “alta” da internação para viver seus últimos dias aqui.  No meio do caminho teve PIF, quase atravessou a ponte do arco-íris e voltou.  Aos trancos e barrancos, completou um mês de vida nova.  Come, mia, amassa pãozinho, me espera na porta.  O desfecho dessa história não será feliz, eu sei, mas cada dia ao lado dela já é uma vitória e um verdadeiro presente:

Catarina lutando

Acontece que hoje está difícil manter a esperança.

Nossa Pandoreta está partindo e levando com ela um pedaço dos nossos corações.  Após superar um câncer, problemas cardíacos e duas cirurgias gravíssimas, vieram a metástase, a anemia profunda e a pneumonia:

Pandoreta

Pior do que a despedida em si, depois de quase catorze anos juntas, é ver o maridón com o peito sangrando, chorando todos os dias e lutando – em vão – por uma dádiva que dessa vez não vai acontecer.

Gostaria muito de poder mudar as coisas, reescrever a história e desenhar um final diferente.

Gostaria de poder tirar com as mãos o sofrimento dela.  E o dele também.

Gostaria que meus filhos fossem todos eternos.

Só que, infelizmente, essa batalha não iremos vencer.

Dizem por aí que não se pode salvar todos, que perder faz parte da existência e do aprendizado, é a regra do jogo.

Contudo, hoje eu não quero brincar de ser adulta, madura, grata, muito menos racional.

Tudo que quero nessa segunda-feira chuvosa é ter o direito de ser uma grávida chorona e conquistar mais um milagre para chamar de meu.

Onde eu assino?

Avesso

Eu sou do crédito, ele é do débito.

Eu sou da noite, ele é do dia.

Eu sou do frio, ele é do calor.

Eu sou do salgado, ele é do doce.

Eu sou do campo, ele é da praia.

Eu sou da imagem, ele é do som.

Eu sou do texto, ele é da voz.

Eu sou da novidade, ele é da rotina.

Eu sou do agito, ele é da calmaria.

Eu sou do social, ele é do fone de ouvido.

Eu sou cara de pau, ele é timidez.

Eu sou São Paulo, ele é Corinthians.

Eu sou memória, ele é esquecimento.

Eu sou Pinot Noir, ele é Carménère.

Eu sou canhota, ele é destro.

Eu sou B-, ele é A+.

Eu sou razão, ele é emoção.

Mas, JUNTOS, somos amor.

Ainda bem.

Feliz dia dos namorados para o namorado que me faz feliz todos os dias, há treze anos.

Te amo para sempre, lindão.

#bos

#ohana

“I keep you with me in my heart

You make it easier when life gets hard

Lucky I’m in love with my best friend

Lucky to have been where I have been

Lucky to be coming home again…”

bos