Ciranda para o Amanhã

Dizem que o bom filho a casa torna, por isso cá estou de regresso, meses mais tarde, na cara de pau, mas ainda amando ocês tudo.

Após um longo e tenebroso inverno de muito trabalho (muito, muito, muito mesmo), carinho, dedicação e sonhos realizados, voltei para apresentar a nossa ONG (aka sugadora de todo e qualquer tempo livre existente na minha vida): Ciranda para o Amanhã – http://www.cirandaparaoamanha.org.br.

Orgulho não define (cansaço e vergonha também não), porém, com o coração transbordando de amor, mostro para vcs o Resumão da FUVEST que foi ao ar essa semana, na TV Câmara (obrigada! ♥♥).

Porque sonho sonhado junto é bem mais gostoso.

E unidos somos um mundo só! ❤

Vem, gente! 🙂

#cirandaparaoamanhã

#correntedobem

#profissionalização

#alfabetização

#reescrevendohistórias

#educaçãomudaomundo

Notícias da Tapioca :)

Adivinhem quem aguentou firme e forte a transfusão de sangue?

E foi transferida de hospital?

E é negativa para FIV e FELV?

E conquistou muitos, muitos, muitos corações, entre eles um beeeeeeem especial, que a permitiu ter uma chance, ainda que pequena ?

Sim! A branquela mais amada da última semana! 🙂

Está difícil, o quadro é gravíssimo, inspira muitos cuidados (e gastos…), o risco ainda está lá, MAS, Tapioca, estou achando que sua novela vai virar livro!

Só espero que o final seja estupidamente feliz, do jeitinho que vc sempre mereceu ❤

Quinze anos de capítulos mal escritos é tempo demais, não é mesmo?

#GOtapioca

#resgatedodia

#outrasninasvirão

#correntedobem

Tapioca, prazer!

Tapioca viveu quinze anos sozinha, presa em uma lavanderia.

Um belo dia, foi diagnosticada com carcinoma espinocelular.

Só que, ao invés de fazer o tratamento, o dono resolveu matá-la, fazendo-a tomar SODA CÁUSTICA (o ser humano mostrando sempre o seu melhor).

Tapioca foi internada às pressas, depois de muito sofrimento e agora luta para sobreviver, graças a uma equipe médica dedicada.

Hoje fará uma transfusão de sangue de emergência, na tentativa de estabilizar seus hematócitos. Se resistir, ainda terá de enfrentar longos dias de hospital, cuidados intensivos e quimioterapia.

Ainda não sei o que vai acontecer com a branquela.

Se ficará com sequelas, se virá para cá, se terá a chance de viver sua aposentadoria como deveria ter vivido os últimos quinze anos.  Ou – já que sonhar não paga imposto – se encontrará uma família de comercial de margarina, que a acolha e a ame apesar dos pesares.

O que posso dizer é que esse miadinho sofrido tocou fundo o meu coração e me peguei com medo dela virar estrelinha sem nunca ter tido a chance de ser amada.

Precisava vir aqui apresentá-la, antes que terminasse esquecida.  Só mais uma, entre tantas espalhadas por aí.

Tapioca merece alguns capítulos extras em sua história, com reviravoltas, surpresas mirabolantes e um final feliz digno de contos de fadas.

Alguém interessado em acompanhar essa novela?

#GOtapioca

#resgatedodia

#outrasninasvirão

#correntedobem

 

Legolas, prazer!

Se vc está lendo esse post e me conhece, já tem três certezas, logo de cara:

1. Legolas é o mais novo hóspede da Morada dos Ramos.

2. Nós estamos ultra, mega, blaster lotados, atolados e precisamos de um cantinho especial para ele ASAP (lavabo não é lar 💔).

3. Foi o maridón quem escolheu esse nome IN-CRÍ-VEL, claro, em homenagem aos sei lá quantos anos do Senhor dos AnéisZZZZZZZZZZZ….. (Mas o gato está no nosso banheiro, né, gente? Longe de mim reclamar, até porque a segunda opção era Milho, ou seja… coitado do gato).

Enfim, voltando à história, Legolas-Milho estava apanhando na rua, passou uns dias sumido, ninguém podia abrigá-lo e aí não aguentei. Existe um limite (bem pequeno, é verdade) do que o meu coração vagabundo consegue resistir. E gatões coitadinhos, com olhar tristonho, certamente o ultrapassam.

Ele é tão bonzinho, mas tão bonzinho, mas tão bonzinho que dá até pena.

Quatro horas no meu banheiro e já mia chamando, sempre que escuta qualquer voz.

Aí pede carinho e se encolhe, com medo de apanhar de novo.

Está magrelo, judiado, mas vai virar um Cinderelo em dois tempos, podem apostar.

Alguém aí procurando um loiro nórdico carente para chamar de seu nesse Natal?

Paula Noel agradece 🙂

#hohoho

#resgatedodia

#outrasninasvirão

#correntedobem

Lolita, a periquita, prazer!

Quando tudo está perdido entre trabalho, casa, marido, voluntariado, 3 filhas, 12 gatos e 3 cachorros se faz o que?

Funda-se uma ONG (novidades quentinhas – entre reuniões, estatuto, ata e site – saindo do forno em breve, prometo!) e resgata-se uma ave, CLA-RO.

Lola foi encontrada por uma amiga, caída em plena Avenida Paulista.

Tentamos soltá-la, sem sucesso.

O veterinário disse que está ótima, nada quebrado, nada machucado, tudo perfeito.

Só que Lolita é uma periquita bebéia ainda, saindo do ninho, aprendendo a voar e, portanto, presa fácil para os gaviões e gatões que vivem soltos por aí (qualquer trocadilho ou duplo sentido é mera coincidência, não desabafo na terapia de uma pobre #mãedetrês).

Lola precisa basicamente de gotinhas de glicose, comida gostosa, água fresca e um cantinho seguro pelas próximas semanas, até aprender a voar.

Trocando em miúdos, é isso mesmo que vcs estão pensando: virei mãe de periquita pelo próximo mês.

Porque acúmulo de funções pouco é bobagem.  E eu não vim para essa vida a passeio.

Oremos.

#voalolavoa

#resgatedodia

#correntedobem

 “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Coração vagabundo – parte 6

M. tem apenas 9 anos, mas já sofreu torturas, abusos e agressões inimagináveis e indescritíveis, por pessoas que deveriam protegê-la.

Quem escuta a história, logo se arrepia, espreme os olhos, contorce a boca, atônito. É o pior do ser humano escancarado ali, desenhado e palpável, na nossa fuça. Até a equipe do fórum, acostumadíssima com casos de violência, se chocou.

Foi assim que M. cruzou o meu caminho.

O pedido original foi para fazermos um passeio bacana, um dia leve para quem já tinha sofrido tanto.

Depois, passamos a acompanhá-la nas consultas ao plástico e dentista, providenciar remédios, um dia de princesa no salão. Mal pisquei e M. já estava ali, incluída no meu cotidiano.

E eu me vi apaixonada por aquela menininha que – inexplicavelmente – sorri o tempo todo.

M. é um raio de luz.

Termina as ligações dizendo “eu e vc somos divas, tia”. Não aceitou o penteado no salão do parque porque “vinte reais é muito dinheiro”. Cedeu a sobremesa caprichadérrima para outra criança, porque “ela queria mais do que eu”. Não quis decidir o prato no restaurante porque “tem gente passando fome no mundo, não seria justo escolher comida”.

M. é meu número. Sob medida, feita para mim.

Eu quero acolhê-la desde o primeiro segundo. Amor à primeira vista, daqueles que só acontecem nos filmes.

Só que M. não pode ser minha. Ela tem uma avó.

Uma pessoa simples, com situação social e educação limitadas, mas com o coração bom.

Essa avó mora muito, muito longe. Provavelmente, não terá condições de seguir o tratamento médico. Provavelmente, vai deixar as marcas físicas e psicológicas da M. caírem na rotina. Provavelmente, não investirá na sua educação.

M. deve virar estatística. Mais uma, entre tantas crianças sem oportunidade, esquecidas pela vida, que existem aos montes por aí.

Enquanto isso, tudo que posso fazer é escrever sua história, já sofrendo de saudade antecipada. Saudade da filha que nunca foi. Saudade de tudo que não viveremos juntas. Saudade do que poderia ter sido.

M. vai embora em poucas semanas e eu não estou sabendo lidar com a minha impotência.

Meu coração vagabundo quer guardar o mundo em mim…

Miguelito, prazer!

Alguns gatinhos têm sorte nessa vida.

Infelizmente, não é o meu caso.

Vivi muitos anos abandonado por aí, comendo o que encontrava no lixo, dormindo molhado, no frio, sem ter onde me esconder.

Foram tempos difíceis.

Não fosse o bastante, um belo dia apareceu um machucadinho no meu nariz, que foi crescendo, crescendo, crescendo, até me deixar com uma aparência bem feia.

As pessoas não me queriam por perto. Mal me aproximava e já era enxotado: “Passa! Passa! Vai transmitir doença!”.

Eu me virava como dava, contornava a dor, respirava fundo. Às vezes só queria um carinho, mas nunca consegui.  Ninguém queria colocar as mãos em mim.

Até que um dia uma tia muito boazinha me encontrou e me acolheu.  A tia Paula ficou sabendo do meu caso e mandou me buscar correndo. Disse que meu machucado tinha nome – carcinoma – e, mais importante de tudo, solução.

Ela prometeu que cuidaria de mim, faria o tratamento, tudo que fosse preciso.

A tia veterinária me avaliou, fez a primeira sessão e foi otimista.  Eu teria grandes chances de ficar bom e viver longos anos felizes.

Só que alguns gatinhos não têm sorte na vida, lembram?

A única recomendação da tia veterinária é que eu não posso ficar exposto ao Sol de jeito nenhum.  Sol é veneno para mim.  Preciso, necessariamente, morar em um apartamento.

E a tia Paula mora em casa.

É… meu dia começou feliz, cheio de esperança.

Mas terminou em uma gaiola, sozinho de novo.

Alguns gatinhos não têm mesmo sorte.