Final feliz para a Cocó :)

Por que eu arrumo sarna para me coçar, corro, me machuco e fico até quase onze da noite no veterinário com uma galinha que acabei de conhecer?

A resposta é simples: porque vale a pena.

Amor, cuidado e carinho operam verdadeiros milagres, é tão bonito de se ver.

O antes e depois da Cocó fala por si só.

Além disso, tudo fica mais fácil quando se têm amigos queridos, que compartilham o post e acionam seus contatos, empenhados em ajudar.

Para completar o kit “maluca dos bichos” é in-dis-pen-sá-vel ter um marido incrível, que me suporta (nos dois sentidos) nessas roubadas e ainda faz ERVILHA cozida (???) de madrugada, pensando que fosse lentilha (???), para a galinha comer (nota mental: galinhas NÃO gostam de ervilhas #ficaadica).

O resultado dessa corrente do bem não poderia ter sido mais perfeito: menos de quarenta e oito horas após a fatídica perseguição atrapalhada na praça, Cocó partiu – linda e não mais loira – rumo à casa nova.

Ela agora vai poder fazer tudo aquilo que lhe foi negado até hoje: vai ter espaço para andar, se esticar, desatrofiar as patas, ciscar na grama e conviver com outros bichinhos, sem mais macumbas, torturas, gaiolas apertadas, nem azeite de dendê.

Cocó vai ser feliz.

E a “culpa” disso tudo é um pouquinho de vcs também.

Obrigada, obrigada, obrigada ❤

“Quem quer arruma um jeito. Quem não quer, uma desculpa”.

#correntedobem

#goveggie

#finalfelizparaacocó

Antes e depois Cocó

O dia em que o bem venceu

Aí eu estava atrasada, correndo para uma reunião, quando vi uma GALINHA toda machucada em uma macumba, no meio da praça.

Eu poderia ter sido profissional e simplesmente fingido que não vi. Poderia ter usado meus quinhentos bichos – e consequente falta de tempo/espaço/grana – como desculpa. Poderia até ter gastado o zap da gravidez para apaziguar minha consciência. Porém, a verdade é que eu já tinha visto e nada daquilo acalmaria meu coração.

Larguei o carro na rua e me aproximei devagar, abaixada, quase engatinhando, como se tivesse alguma ideia do que fazer a partir daí. A galinha tirou forças sabe-se lá de onde e correu desorientada em direção à avenida, fugindo de mim, em pânico. Para ela, a malvada era eu, claro.

Foram mais de vinte minutos de perseguição com barrigón de seis meses, salto atolado na grama, meia-calça desfiada entre os galhos, sem a mais remota chance de sucesso.

Tentei pedir ajuda, mas ninguém queria chegar nem perto: “Credo, moça! Não se mete com isso! Sai daí que é coisa ruim”, como se a culpa pela ignorância e crueldade humanas fosse da pobre galinha, não o contrário.

Após muito custo, um único senhor se dispôs a me ajudar. Em dupla, conseguimos encurralá-la e usamos as mantas das minhas filhas para imobilização (sorry, meninas…).

A cena que se seguiu foi de dar dó: a galinha estava assustadíssima, se debatendo na caixa de transportes, com o corpinho todo em carne viva, coberto por azeite de dendê. Tipo aqueles pássaros nos acidentes petrolíferos, que ficam com as penas grudadas, sem conseguir se mexer direito, lutando em vão para voar.

A boa notícia é que nada mais grave aconteceu. Cocó (segunda galinha resgatada com o mesmo nome. Criatividade mandou um beijo, eu sei) foi avaliada por um veterinário especialista em animais silvestres, medicada para dor, tomou um banho caprichado e ficará nova em folha daqui a alguns dias. Os tempos de patas atrofiadas, gaiola e tortura ficaram definitivamente para traz.

Em uma semana de notícias avassaladoras, como um cachorro triturado vivo no caminhão de lixo, outro queimado com um maçarico até o último suspiro e um gato de quinze anos espancado até a morte em um cemitério, é reconfortante encontrar um final feliz para variar.

Minha alma está lavada por saber que, pelo menos dessa vez, a maldade humana não sairá vencedora. Sei que é só mais um caso, entre tantos (infinitos!) espalhados por aí. Mas para a Cocó eu fiz a diferença. Para ela eu mudei o mundo. E isso não tem preço.

Agora vem a parte mais difícil: alguém aí procurando uma galinha para chamar de sua (sem ser na panela, ÓBVIO)?

Sorte e gratidão eternas garantidas, tratar aqui. Maridón – e a saúde do meu casamento – agradecem.

Oremos (parte 5.467).

#cocó2amissão

#adoteumagalinha

#umafamíliaparaacocó

#resgatedodia

#correntedobem

#socorro!

Cocó 2

Cocô é branca, O amarelo é azeite de dendê. Afão!

Sapateando na cara da sociedade modeON

– 212 exames.

– 18 tubos de sangue.

– 59 de LDL colesterol.

– 130 de colesterol total.

– 63 de triglicérides (SESSENTA E TRÊS!).

– 221,6 de vitamina B12 (sem tomar nenhuma injeção, nem complemento).

– 74 de ferro sérico.

– 31,6 de ferritina.

– 7,13 de proteínas totais.

– Não imune à toxoplasmose, mesmo com 12 (D-O-Z-E) gatos em casa – fora eventuais temporários.

– Grávida e/ou amamentando desde 2011.

– Vegetariana desde 2009.

Resumo da ópera: alguém ainda duvida que (i) comer animais é uma ESCOLHA, não uma necessidade e que (ii) a culpa pela toxoplasmose NÃO é do gato?

Contra fatos não há argumentos.

FIM.

#goveggie

#nãoabandone

#correntedobem

Post toxoplasmose II

FAQ da minha vida – Dez perguntas e respostas sobre ser vegetariana durante a gravidez e com filhos pequenos

Ser vegetariana durante a gravidez e com filhos pequenos podji?

Podji. Juro. De verdade. Ninguém vai morrer de fome, de anemia, de inanição, nem de ebola. Só é preciso saber fazer as substituições certas.

Aqui estão as dez perguntas mais frequentes que escuto, com as respectivas respostas. Caso alguém se interesse pelo assunto, tenha dúvidas, curiosidades ou queira apenas trocar figurinhas, pode mandar e-mail, mensagem, comentário ou sinal de fumaça, que eu responderei com todo prazer. 🙂

1) Vc não comeu carne nenhuma durante suas gestações? Mas vc estava gerando vidas! Suas filhas não tiveram problemas de saúde? Não ficaram fraquinhas? Vc não teve anemia? A prima da vizinha da empregada da minha avó não comia carne e teve um aborto duplo twist carpado!

Não, não e não. Minhas duas gravidezes foram absolutamente saudáveis, de dar inveja a muito carnívoro por aí. Sem enjoos, sem intercorrências, sem anemia, nem complementos (não, eu não precisei tomar ferro, juro pela Jojo). As meninas nasceram muitíssimo bem, obrigada, ambas vendendo saúde e com Apgar 9/10, apesar de prematuras.

2) Suas filhas são vegetarianas também? Elas não precisam de proteína animal para crescer fortes e saudáveis? Não ficam anêmicas?

Minhas duas filhas são vegetarianas desde a barriga, nunca comeram nenhum tipo de carne e sempre ganharam estrelinhas nas consultas ao pediatra. O ser humano não precisa de proteína animal para viver. Precisamos de PROTEÍNA, ponto. Comer animais é uma ESCOLHA, não uma necessidade.

Além disso, existe a questão secundária de entupir as meninas com aquela série toda de hormônios e antibióticos inerentes à indústria carnívora, mas não vou nem entrar nesse mérito, porque meu objetivo não é ser sensacionalista, nem catequizar ninguém. Cada um sabe o que é melhor para si e para sua família, né?

3) E o ferro?

O ferro pode ser consumido de inúmeras fontes alternativas, tais como quinoa, beterraba, folhas escuras (couve, rúcula, espinafre), ovo, queijos, semente de chia e todas as leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha, etc), os quais devem ser combinados com alimentos cítricos, como sucos de laranja, acerola, morango ou limonada, por exemplo, porque a vitamina C ajuda na sua absorção.

O Popeye comia ESPINAFRE para ficar forte, não um bifinho, né? 😉

4) Vcs comem frango? E peixe?

Não e não. Quem come peixe ou frango não é vegetariano, é tão carnívoro quanto quem come carne de porco ou de vaca, simples assim.

Na minha casa não comemos NENHUM animal. Nada que tenha rosto, sentimentos ou pai e mãe (Lembrando que piadocas do tipo “coitadinha da alface que morreu para te servir” nunca são bem-vindas, nem engraçadas. Obrigada. De nada).

5) Vcs comem gelatina, ovo, leite? Usam couro? E produtos testados em animais?

Não comemos gelatina, porque é feita de tutano, porém consumimos leite e seus derivados, com algumas restrições. Também não compramos ovos em casa, mas sei que estamos patrocinando essa indústria indiretamente, cada vez que comemos fora. Não compro coisas de couro, dou sempre preferência aos materiais sintéticos, inclusive nas trocas de presentes, contudo, continuo usando as que já tinha (jogar fora não mudaria nada, além de ser zero sustentável).

Por fim, não compramos produtos testados em animais, mas tenho consciência de que muitos remédios foram/são originados desses testes e acabamos usando mesmo assim. Incoerente, eu sei. Estou tentando adaptar nossas rotinas da melhor forma, para que tenhamos o menor impacto possível no mundo animal. Meu objetivo não é ser um modelo, um mártir, nem um exemplo a ser seguido. Sei que estou MUITO longe do ideal e do que gostaria de ser, mas isso não impede que eu dê um passo de cada vez no caminho que entendo ser o mais correto. Fazer pouco é sempre melhor do que não fazer nada. Não faz sentido deixar de fazer o bom, porque não consigo fazer o ótimo, né?

6) O que vcs comem, então?

Muita, muita, muita, muita, muita coisa MESMO. Tanta coisa, que os três quilinhos básicos que faltam das gravidezes não me abandonam de jeito nenhum. Está rolando um apego forte.

Para ser mais específica, comemos todas as frutas, legumes, verduras, cereais, queijos, derivados da soja, doces, além de massas, tortas e pizzas vegetarianas, ou seja, TUDO que não for feito de carne animal. É coisa para dedéu, podem acreditar.

7) Vc não tem vontade de comer carne?

Ás vezes sim, já que eu não passei a ser vegetariana por gosto e sim por princípio. Contudo, é cada vez mais raro alguma dessas coisas me dar vontade, após tantos anos sem comê-las. E essa rara vontade passa imediatamente, assim que vejo o prato. Não tenho nojo, mas também não quero comer, já está ótimo. Acho que a ideia do alimento é bem mais atrativa do que o alimento propriamente dito.

8) Vc obriga suas filhas a serem vegetarianas? E se elas não quiserem?

Eu acredito que a função primordial dos pais é educar e passar os valores que entendemos corretos para nossos filhos. Podemos até errar de vez em quando, mas a intenção sempre será acertar.

Infelizmente (ou felizmente), eu não tenho como obrigar ninguém a fazer o que eu quero. Posso apenas orientar, explicar, mostrar o que acontece, como as coisas são feitas e deixar que minhas filhas escolham o que acharem mais adequado.

CLARO que isso não se aplica a bebês. Eu não vou mostrar um vídeo de um matadouro para uma criança de dois anos, porque ela não tem sequer discernimento para entender o que é aquilo. Enquanto elas não tiverem capacidade de compreensão, decido eu, sem democracia.

Porém, a turma do amendoim pode ficar sossegada, minhas filhas não serão expulsas de casa se optarem por comer carne quando crescerem. Eu vou chorar, ficar decepcionada, frustrada, aumentar as sessões de terapia para descobrir onde foi que errei, chorar mais um pouco e seguir em frente. Filhos são do mundo, não dos pais, eu sei. Tanto é assim, que meu pai é criador de gado. Quer paradoxo maior do que esse? Na casa do ferreiro, o espeto SEMPRE é de pau.

9) Isso não é cruel?

Crueldade é uma coisa muito relativa. NADA para mim é mais cruel do que aquilo que acontece em granjas e matadouros, por exemplo.

10) Como vai fazer nas festinhas infantis?

Essa é a pergunta mais difícil de todas, realmente não sei. Enquanto eu estiver junto, será mais fácil controlar e administrar as trocas, mas tenho noção de que em algum momento elas estarão sozinhas e a escolha será delas. Não tenho como impedir que elas experimentem um cachorro quente e nem quero fazer um grande drama em torno disso, porque elas poderão comer escondido de mim, o que é muito pior.

Tudo que eu posso fazer é ensinar, mostrar, explicar e torcer para que minhas filhas respeitem todos os tipos de vida. O resto será com elas.

No final das contas, vale sempre aquela velha máxima: se podemos viver felizes e saudáveis sem machucar ninguém, por que faríamos diferente?

#goveggie

#FAQveggie

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem…

Porque faz dois anos que penso nessas novas tatuagens e adio os planos, por viver em um looping eterno de gravidez e amamentação, gravidez e amamentação, gravidez e amamentação.

Porque ser vegetariana é um sacrifício diário, que faço há cinco anos, mas, ao mesmo tempo, um dos meus maiores orgulhos.

Porque OHANA quer dizer família. Nunca abandonar, nem esquecer. O que poderia ser mais importante para eu carregar sempre comigo?

E, finalmente, porque tatuagens são como gatos, sempre cabe mais uma.  Aqui já são seis. And counting… 🙂

#ohana

#goveggie

#irmãs

#5ae6acheck!

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Hábito, hábito, hábito e hábito

Já falei aqui sobre as dificuldades de criar filhas saudáveis e vegetarianas em um mundo onde se come cada vez pior.

Posso até ser taxada de hippie-natureba-radical, mas essa semana tive três exemplos de que estou sim no caminho certo.

Estava tomando uma limonada suíça, quando a Pi pediu enlouquecidamente por um gole.  Eu, inocente, recusei, porque não tenho o costume de adoçar nenhuma bebida e presumi que ela acharia azedo.  Mas ela é brasileira, não desiste nunca e, tanto insistiu, que acabei dando um golinho, já esperando a careta, seguida da reclamação.  Para minha surpresa, a Pi adorou o suco e tomou o copo INTEIRO, de uma vez.  Ela não conhecia aquele sabor, não sabe o que é açúcar e, portanto, experimentou a limonada desprovida de qualquer preconceito, como sempre deveríamos fazer.  Minha limonada geladinha se foi, porém a lição ficou aprendida: cada pessoa tem seu próprio paladar.

Dois dias depois, saímos do pediatra das meninas e paramos para tomar café da manhã em uma padaria (experimentem sair de casa com duas filhas de banho tomado, dois carrinhos, duas cadeirinhas, duas malas, duas pastas de exames, etc, etc, etc, além das suas coisas, para ver se dá tempo de comer calmamente seu desjejum, no horário indicado.  Se conseguirem, por favor, mintam para eu não me sentir tão bagunçada).

Por qualquer motivo de importância mundial, a Pi começou a chorar, fazendo manha e a dona da padaria veio até a nossa mesa, trazendo um ratinho de chocolate para ela.

Sem desmerecer a gentileza sem tamanho da moça, que foi super delicada, não se oferece chocolate para um bebê de um ano, sem perguntar antes para os pais se pode.  No nosso caso não podia, porém achei que seria grosseiro tirar o doce das mãozinhas da menina na frente da fulana.  Foram uns cinco minutos de papo, enquanto a Pi brincava toda feliz com o “brinquedo” novo.  Apenas quando a moça já estava se despedindo, ela fez menção de colocar o chocolate na boca.  Bem em tempo de resgatarmos o ratinho derretido, já desmontado e moribundo. A Pi ainda deu uma lambida na mão melecada, mas não achou graça e esqueceu.  Chocolate, assim como a limonada suíça, não tem referencial nenhum para ela.  Não tem peso, não tem simbologia, é uma comida qualquer, da qual se gosta ou não.  Por sorte ela não gostou (por enquanto, eu sei, eu sei…)

Por fim, como todos perceberam, tenho uma filha gordinha, esfomeada, que está sempre disposta a comer, seja lá o que for.  A novidade é que ela agora escolhe o que mais gosta no prato e fica pedindo em todas as garfadas.  Foi assim com o purê de batatas, com a mandioquinha e com o grão de bico, por exemplo.  Tudo bem que esses pratos são quase unanimidades nacionais e não servem como parâmetro.  Contudo, hoje estava dando almoço para a Pi e ela começou a chorar copiosamente, porque a abobrinha recheada com carne de soja acabou.  Para ela, a abobrinha não é um legume ruim, carne de soja não tem gosto de borracha, nem se compara à carne animal, que ela sequer conhece.  A Pi está acostumada a comer aquilo desde os tempos da barriga, acha normal e delicioso, simples assim.

A conclusão é que OU eu tenho muita sorte e minha filha é espetacular, extraordinária, um ET no jardim de infância, OU, mais provável, ela come bem porque foi ensinada dessa forma.

Tudo nessa vida é uma questão de hábito.  Então, por que ensinar desde cedo que gostoso é o que faz mal, se temos a possibilidade de começar do zero e fazer diferente?

Certamente não faltarão oportunidades para as minhas meninas conhecerem balas, refrigerantes, frituras e chocolates.  Elas vão provar e gostar dessas porcarias, assim como os pais delas gostam, é inevitável.  Mas hoje não.  Hoje elas vão tomar suco no lugar do refrigerante, vão comer frutas de sobremesa e vão continuar achando uma delícia ser saudável.

#mãequeroumbrócolisfeelings

#geraçãococacola