Diálogos com o maridón – parte 13

Cena 1: Maridón me manda a seguinte mensagem no zapzap:

(Não entendeu? Larga tudo que estiver fazendo e assiste GOT. Tipo AGORA.)

Cena 2: Maridón me abraçou apertado e disse:

– Vc é tão, tão, tão linda QUE PARECE UM ET!

PARECE.UM.ET.

UM ET.

(?????)

Ou seja, algumas pessoas têm ciúmes de modelos famosas, colegas magras, atletas, xis.

Já eu, aparentemente, preciso ficar esperta com seres de outro planeta e senhoras idosas (além da princesa, claro).

👽 📞 🏡

#ETtelefoneminhacasa

#donjuanfail

#lógicamasculina

#masnacabeçadeleficouÓTEMOgente

Separados no nascimento 😒

Dona Encrenca

Tenho muitos defeitos (elencados aqui, para facilitar a vida de vcs).  Porém, se tem uma coisa que não costumo ser é ciumenta.

Não controlo likes no facebook, nunca sei com quem o maridón almoçou, não conheço as pessoas da sua equipe. Nem quando ele contratou uma triatleta eu chiei. Aliás, nem sei se a moça era bonita ou não, mas triatleta impõe respeito, né? Uma triatleta não tem celulites, por exemplo. Nada pode ser mais irritante.

Acontece que tudo nessa vida tem limite.

E o meu chegou em uma loja de telefonia celular.

Estávamos lá – eu, o maridón e o vendedor – soterrados por aparelhos, comparando pesos, telas, tamanhos, etc.

Eis que o celular na minha mão começou a tocar e o tapa na cara veio sem aviso: a foto de uma mulher vestindo a camisa 10 do São Paulo (ousadia!) e o nome PRINCESA, piscando ali, em letras garrafais, na tela.

Ai, que cafona. Ai, que traição. Ai, que ódio!

Encarei o maridón com os olhos apertados e rosnei, entredentes, bem baixinho, porque sou phyna:

– QUEM.  É.  PRINCESA???

Maridón demorou uns três segundos para absorver o choque e responder.

Isso equivale a quatro horas e meia no tempo de uma mulher em fúria. Recusei a ligação e comecei a procurar fotos e mensagens de forma enlouquecida.

Até que voltei a ouvir o som ambiente e vi o maridón A-P-A-V-O-R-A-D-O, repetindo em um looping eterno, que deve estar durando até agora:

– É o celular do cara!!!! É o celular do cara!!!! É o celular do cara!!!!!!!!!!

Olhei, confusa, e o vendedor confirmou, pausadamente, no maior estilo “fique calma e abaixe sua arma no três”:

– É a minha namorada. Esse celular que vc está fuçando é o meu. O do seu marido é diferente.

É, minha gente…… deu ruim.

Mas quando se está no inferno, é melhor abraçar o capeta de uma vez, fica menos feio.

Eu até poderia fazer a egípcia, fingir que sou equilibrada e pedir desculpas, antes de sair correndo.

Só que aí não teríamos aprendido nenhuma lição valiosa naquele dia, não é? (Exceto que IOS é IOS, Android é Android. Na dúvida, foca na maçã #ficaadica).

Devolvi o celular, me ajeitei na cadeira, olhei séria para o maridón, ainda com os olhos apertados, o dedo em riste e falei, serena:

– AAAAAHHHHHHH BOOOOOOOMMMMMM!!! Isso é para vc ficar esperto, hein, Ramos Ramos? Estou de olho, meu bem!

Porque sou dessas.

Já que a dignidade tinha ido embora mesmo, pelo menos mandei o recado de que cabaré onde não mando, eu fecho.

Te cuida, maridón.

PS: Princesa, querida, se o seu namorado desligou o telefone na sua cara sem mais nem menos e depois veio com um papinho furado de que foi uma cliente surtada na loja, pode acreditar. Lamentavelmente, esse tipo de coisa acontece.

Baseado em fatos reais

Essa é a história de uma pessoa xis, aleatória, escolhida na multidão.  Vamos chamá-la de Paola.

Paola está grávida de oito meses, tem duas bebês, 12 gatos, 4 cachorros e uma hóspede doente em casa.

Paola começou a ter contrações indesejadas antes da hora, seu médico receitou um remedinho bacana, que quase não a deixa virada no Jiraya e recomendou “maneira aí, meu bem”.

Acontece que a filha mais nova da Paola está com pneumonia e teve que ficar uns dias sem ir para a escola.  Não contente, o manobrista do estacionamento bateu o carro dela na saída do hospital.

Aí a hóspede doentinha da Paola precisou tomar remédios e fazer soro subcutâneo diário, mas ela é bem brava e não concordou com o tratamento ainda, obrigando Paola a passar vinte minutos deitada embaixo da pia hoje de manhã (barrigón de oito meses, lembram?) para conseguir pegá-la em meio aos botes e patadas.

Aí um dos cachorros da Paola precisou fazer uma cirurgia de emergência, já que todos os veterinários que cuidaram dele nos últimos tempos – cobrando verdadeiras fortunas, claro – comeram bola, de modo que agora a situação ficou bem grave e complicada (como não amar? ♥).

Aí o chuveiro da Paola começou a pingar do nada, às cinco horas da matina, e ela pediu para o maridón ursulón gastar todos os seus dotes de eletricista para salvar a Cantareira.

Aí Paola acordou cansada, triste, preocupada, contraindo o útero como se não houvesse amanhã e pensou: “vou tomar um banhinho delícia para começar bem o dia”.

Aí o chuveiro da Paola – devidamente desmontado e montado pelo maridón em plena madrugada – começou a soltar faíscas por todos os lados, pegou fogo e queimou, forçando Paola a correr molhada, pelada e gritando pela casa, dando adeus ao seu último fio de dignidade.

FIM.

#forçapaola

#socorro

#gravidezcomserenidadesqn

#infernoastralseulindo

Paula e Haagen - visita pré-cirurgia

Visita de hoje ❤ #forçagordo

Diálogos com o maridón – parte 12

Maridón filosofando durante o almoço:

– Fico pensando como minha mãe fazia com três moleques sozinha, quase sem apoio… Outros tempos, né?  Os homens não se envolviam tanto e a galegada ainda ficava dando palpite, reclamando, aquela beleza.  Isso porque minha mãe não era fácil, viu?  Ela era bem brava e geniosa.  ACHO QUE FREUD EXPLICA.

Aí eu pergunto: maridón teve a OUSADIA de chamar a esposa grávida de oito meses, toda trabalhada na progesterona, de brava AND geniosa ou é impressão minha?

E depois ainda dizem que o Chuck Norris é que não tem medo da morte.

#maridónfacts

#donjuanfail

#lógicamasculina

#fuééééééénnnn

Realidade Paralela – parte 3

CENA 1:

No restaurante, esperando o maridón.  Um senhor se aproximou e perguntou:

– Boa tarde! Como é o seu nome?

Respondi e ele:

– E o nome daquela senhora loira?

– Não sei, não a conheço.

– E daquele outro mocinho?

– Também não o conheço.

– E daquele casal?

– Não os conheço.

– Vc não sabe o nome de ninguém aqui?

– Não, desculpe-me.

– Muito obrigado POR NADA!

CENA 2:

Entrei, sem querer, no lado errado da fila do buffet.  Assim que percebi, pedi desculpas e estava saindo, quando um senhor falou:

– Imagina, menina, pode vir! Ô, fulano, ajuda aqui a minha prima (?!) a se servir.

Eis que o segundo homem começou a colocar comidas aleatórias no meu prato (!!!), enquanto o primeiro gritou:

– Nooooooooooossa, prima!  Não vá comer demais, hein? Cuidado com as calorias!!

MA OEEEEEEEEEEE??????

Pessoas normais entram em restaurantes, sentam e comem.

Já eu recebo bronca de uma criatura do pântano, comidas que não quero no prato e ainda encontro “parentes” imaginários, que me chamam de gordinha na frente de todo mundo.

Quer dizer, só faltou o Tonho da Lua do estacionamento, para a festa ser completa.

#premiadafeelings

Diálogos com o maridón – parte 11

Maridón, o REI do tiro que saiu pela culatra:

– O bom dessa correria maluca que estamos vivendo agora é que as meninas vão crescer de uma vez e estaremos melhores com quarenta anos do que nós e nossos amigos hoje, com trinta.

– Ué… Como?

– Vamos fazer um extreme makeover! Mas extreme meeeeeeeeeesmo, com tudo que vc quiser: lipo, botox, turbinada, pacote completo!

– Péra!  Vc está querendo dizer que eu preciso de lipo, botox e turbinada agora?????

Ou seja, minha gente, não é que eu precise de um pequeno retoque, de uma plasticazinha básica ou de um mero tratamento estético após a terceira gravidez consecutiva. Eu preciso de um EXTREME MAKEOVER.

EX.TRE.ME. MA.KE.O.VER.

EXTREME.

Ivo Pitanguy, me aguarde, que eu vou lhe usar.  Maridón está pagando! 😉

#angelabismarchifeelings

#fuéeeeeeen

#donjuanfail

#lógicamasculina

Diálogos com o Tonho da Lua – parte 3

Tonho da Lua do estacionamento (estava demorando…):

– Doutora, o que vem agora?

– Outra menina, chega em setembro.

– Outra menina??? Dra., qual será o problema? O que a senhora e seu marido estão FAZENDO DE ERRADO na hora H?

Eu mereço, eu sei.

Essa foi pelo sorvete que eu não dividi com o coleguinha na primeira série, só pode.

E hoje é só segunda-feira.

Oremos.

#premiada

#raquelfeelings

#pagandopelospecados

Final feliz para a Cocó :)

Por que eu arrumo sarna para me coçar, corro, me machuco e fico até quase onze da noite no veterinário com uma galinha que acabei de conhecer?

A resposta é simples: porque vale a pena.

Amor, cuidado e carinho operam verdadeiros milagres, é tão bonito de se ver.

O antes e depois da Cocó fala por si só.

Além disso, tudo fica mais fácil quando se têm amigos queridos, que compartilham o post e acionam seus contatos, empenhados em ajudar.

Para completar o kit “maluca dos bichos” é in-dis-pen-sá-vel ter um marido incrível, que me suporta (nos dois sentidos) nessas roubadas e ainda faz ERVILHA cozida (???) de madrugada, pensando que fosse lentilha (???), para a galinha comer (nota mental: galinhas NÃO gostam de ervilhas #ficaadica).

O resultado dessa corrente do bem não poderia ter sido mais perfeito: menos de quarenta e oito horas após a fatídica perseguição atrapalhada na praça, Cocó partiu – linda e não mais loira – rumo à casa nova.

Ela agora vai poder fazer tudo aquilo que lhe foi negado até hoje: vai ter espaço para andar, se esticar, desatrofiar as patas, ciscar na grama e conviver com outros bichinhos, sem mais macumbas, torturas, gaiolas apertadas, nem azeite de dendê.

Cocó vai ser feliz.

E a “culpa” disso tudo é um pouquinho de vcs também.

Obrigada, obrigada, obrigada ❤

“Quem quer arruma um jeito. Quem não quer, uma desculpa”.

#correntedobem

#goveggie

#finalfelizparaacocó

Antes e depois Cocó

O dia em que o bem venceu

Aí eu estava atrasada, correndo para uma reunião, quando vi uma GALINHA toda machucada em uma macumba, no meio da praça.

Eu poderia ter sido profissional e simplesmente fingido que não vi. Poderia ter usado meus quinhentos bichos – e consequente falta de tempo/espaço/grana – como desculpa. Poderia até ter gastado o zap da gravidez para apaziguar minha consciência. Porém, a verdade é que eu já tinha visto e nada daquilo acalmaria meu coração.

Larguei o carro na rua e me aproximei devagar, abaixada, quase engatinhando, como se tivesse alguma ideia do que fazer a partir daí. A galinha tirou forças sabe-se lá de onde e correu desorientada em direção à avenida, fugindo de mim, em pânico. Para ela, a malvada era eu, claro.

Foram mais de vinte minutos de perseguição com barrigón de seis meses, salto atolado na grama, meia-calça desfiada entre os galhos, sem a mais remota chance de sucesso.

Tentei pedir ajuda, mas ninguém queria chegar nem perto: “Credo, moça! Não se mete com isso! Sai daí que é coisa ruim”, como se a culpa pela ignorância e crueldade humanas fosse da pobre galinha, não o contrário.

Após muito custo, um único senhor se dispôs a me ajudar. Em dupla, conseguimos encurralá-la e usamos as mantas das minhas filhas para imobilização (sorry, meninas…).

A cena que se seguiu foi de dar dó: a galinha estava assustadíssima, se debatendo na caixa de transportes, com o corpinho todo em carne viva, coberto por azeite de dendê. Tipo aqueles pássaros nos acidentes petrolíferos, que ficam com as penas grudadas, sem conseguir se mexer direito, lutando em vão para voar.

A boa notícia é que nada mais grave aconteceu. Cocó (segunda galinha resgatada com o mesmo nome. Criatividade mandou um beijo, eu sei) foi avaliada por um veterinário especialista em animais silvestres, medicada para dor, tomou um banho caprichado e ficará nova em folha daqui a alguns dias. Os tempos de patas atrofiadas, gaiola e tortura ficaram definitivamente para traz.

Em uma semana de notícias avassaladoras, como um cachorro triturado vivo no caminhão de lixo, outro queimado com um maçarico até o último suspiro e um gato de quinze anos espancado até a morte em um cemitério, é reconfortante encontrar um final feliz para variar.

Minha alma está lavada por saber que, pelo menos dessa vez, a maldade humana não sairá vencedora. Sei que é só mais um caso, entre tantos (infinitos!) espalhados por aí. Mas para a Cocó eu fiz a diferença. Para ela eu mudei o mundo. E isso não tem preço.

Agora vem a parte mais difícil: alguém aí procurando uma galinha para chamar de sua (sem ser na panela, ÓBVIO)?

Sorte e gratidão eternas garantidas, tratar aqui. Maridón – e a saúde do meu casamento – agradecem.

Oremos (parte 5.467).

#cocó2amissão

#adoteumagalinha

#umafamíliaparaacocó

#resgatedodia

#correntedobem

#socorro!

Cocó 2

Cocô é branca, O amarelo é azeite de dendê. Afão!

Diálogos com o maridón – parte 10

Maridón saiu do banho todo emotivo, me abraçou e falou:

– Sabe, Bo, fiquei pensando no que as pessoas fazem nos seus vinte e poucos anos… Fulano se dedicou à música, estudou, quis ser artista. Beltrano queria pegar a mulherada, ir para baladas, aproveitar a vida. Sicrano queria ser sarado, passava o tempo todo na academia, cuidando do corpo. E eu? Eu me dediquei a vc. E agora estou aqui, cansado e feliz.

Aí eu pergunto:

a) foi uma declaração de amor fofa e eu que sou insensível;

b) foi uma declaração de amor, mas ficou beeeeeeemmmm melhor na cabeça dele do que verbalizada; ou

c) ele basicamente disse na minha cara que, se não fosse for mim, seria um músico, sarado, pegador e – o pior de tudo – descansado.

A votação está aberta.

Dependendo do resultado, pode ser que o maridón precise de um sofá para passar a noite.

Candidatos?

#fuénfuénfuén
#donjuanfail
#lógicamasculina