Sagui Armstrong

Sagui quase foi e voltou algumas vezes ao longo dos seus vinte e poucos dias de vida.

Uma verdadeira guerreirinha.

Foram muitos sustos, progressos, retrocessos, instabilidade, tremeliques e atrasos no desenvolvimento.

Duas semanas de luta diária, que me esgotaram como se fossem meses.

Mal conseguia dormir, sem saber o que encontraria na mamada seguinte.

Como descansar deixando de lado um mini ser molinho, largado, tremendo em suas mãos?

Ninguém acreditou. Ninguém pensou que pudesse dar certo. A veterinária contou que reverteu um único caso como o dela, em toda a sua carreira.

Mas milagrinhos acontecem todos os dias.  E é lindo de se ver quando um deles aparece.

É um privilégio poder acompanhar de perto cada conquista, cada evolução, cada pequena vitória.

Hoje eu ganhei. Na mega sena acumulada, dupla twist carpada: Saguizinha deu seus primeiros passos. Sem tremer, sem tombar para os lados, sem perder a força, nem se arrastar.

Foram quatro passos inteiros, do fundo da caixa até a porta, onde eu estava.

Quatro passos até mim, seguindo minha voz, já que ela ainda não enxerga.

Quatro passos firmes e decididos, de quem escolheu viver.

Quatro passos, que fizeram tudo valer a pena.

Obrigada, macaquinha. O céu é o limite para nós. ♥

#nãotempreço

#milagrinha

#correntedobem

Sagui crescendo

Uma manhã (literalmente) cagada

– 4:30 am: levantei para cuidar da Sagui, mas ela não quis mamar de jeito nenhum. Já comecei a ficar em pânico.

– 5:00 am: Pi teve um pesadelo e acordou aos prantos, inconsolável.

– 5:30 am: Passarinhos começaram a cantar na janela. Pi ainda estava acordada, com seus quase quinze quilos, no meu colo.

– 6:00 am: Cachorros começaram a uivar. Pi ainda estava acordada, com seus quase quinze quilos, no meu colo. Perdi a sensibilidade nos braços, costas e pescoço, mas ela parou de chorar, já estava no lucro.

– 6:30 am: Pi até que enfim se acalmou e dormiu, com seus quase quinze quilos, ainda no meu colo. Consegui fazer um movimento ninja e acomodá-la na cama. Sensibilidade corporal imediatamente recuperada, agora em forma de dor.

– 6:45 am: me joguei feito jaca podre na cama e rasguei o lençol. Cogitei trocá-lo por quase três segundos, mas méh… Decoração rústica está in.

– 7:30 am: maridón saiu para trabalhar.

– 7:35 am: Lily acordou para mamar animadíssima, distribuindo sorrisos, sem nenhum indício de que talvez, quem sabe um dia, pudesse voltar a dormir.

– 7:45 am: Sagui começou a piar. Pensei que fosse fome e avisei que ela já era a próxima da fila no bonde das mamadas (sim, eu converso com eles, podem me julgar).

– 8:00 am: abri a caixa da Sagui e encontrei o Atol de Moruroa, em um caos de destruição e cocô incompatível com um serzinho que pesa menos de duzentos gramas.

– 8:05 am: me recuperei do choque e comecei a limpar a baderna.

– 8:15 am: ainda limpando a baderna. Lily começou a chorar.

– 8:30 am: ainda limpando a baderna. Lily ainda chorando. Pi acordou. Faltava meia hora para minha auxiliar chegar.

– 8:45 am: desisti e fui dar banho na nanogata, enquanto três pessoas choravam (prefiro não revelar as identidades).

– 9:15 am: minha auxiliar subiu, entreguei as meninas para terminar de cuidar da Sagui, que já estava com a mamada ultra atrasada.

– 9:16 am: Pi se rebelou e virou o Godzila, gritando “Mamai! Mamai!”, em tons guturais.

– 9:17 am: Pi agarrou a minha perna. Derrubei todo o leite da nanogata no microondas, armário, porta da geladeira e chão.

– 9:25 am: Limpei a maçaroca usando apenas a mão direita (sim, sou canhota), já que a esquerda estava ocupada com a Pi e a gata no colo. Ser mãe é desenvolver novas habilidades a cada dia, que benção.

– 9:30 am: Preparei novo leite para a Sagui, ainda com a mão direita.

– 9:32 am: Pi, continuava surtada (terrible two ♥). Coloquei-a no chão e ela derrubou o leite da gata na toalha da mesa, tentando subir de volta para o meu colo.

– 9:40 am: Pi fez um cocô homérico e não deixou ninguém trocar, “só a mamai”.

– 9:42 am: Pi organizou uma rebelião no presídio, começou a gritar, chorar e esfregar a fralda de cocô no chão, me obrigando a interromper os cuidados com a coitada da gata, antes que fosse preciso chamar a Tropa de Choque.

– 9:50 am: ainda tentando fazer a Pi deitar para trocar a fralda. Sagui piando de fome.

– 9:55 am: desisti de tentar trocar a fralda da Pi e dei uma de Supernanny: “a mamãe está aqui, quando quiser trocar a fralda, me avisa”.

– 10:00 am: dei uma gota de Glicopan para a Sagui e fui preparar a mamadeira dela pela terceira vez.

– 10:05 am: Pi começou a chorar, subiu no meu colo (cheia de cocô) e derrubou a mamadeira da gata na toalha DE NOVO (juro, juro, juro).

– 10:06 am: Fui trocar a fralda da Pi, enquanto a Shae lambia o leite derramado. Mais uma diarreia a vista, ótimo.

– 10:15 am: fralda trocada, mesa limpa, finalmente fiz a QUARTA mamadeira da Sagui, que não quis mamar.

– 10:25 am: tive que passar sonda na Sagui, para ela não ficar desidratada, enquanto a rebelião da Pi continuava firme e forte, a todo vapor nas minhas orelhas.

– 10:45 am: terminei tudo e decidi entrar no banho, ultra mega blaster atrasada, sem cuidar dos demais bichos, nem tomar café da manhã.

– 10:46 am: Lily começou a chorar de fome.

– 10:47 am: coloquei a roupa de volta e fui amamentar a Lily. Pi começou a chorar, com ciúmes, pedindo “colinho da mamai”.

– 11:00 am: estou aqui, amamentando uma filha, com a outra no colo. Sem banho, sem comida, sem trabalho, nem dignidade. Meu dia – que começou as 4:30 da madrugada -, ainda nem começou de verdade.

Mas está fácil, está bacana, está beleza.

Usem camisinha.

O mundo é bão, Sebastião! :)

Sagui quase virou estrelinha essa noite.

Ficou molinha, cabeça caída, sem reagir.

Passei uma das piores madrugadas da minha vida, lutando ao lado dela e chorando, já sem esperança.

Mas Sagui quer viver. Quer virar gatinha, crescer forte, correr e brincar.

Sagui quer ter uma chance.

E me mostrou abrindo os olhinhos hoje, pela primeira vez.

Aí as noites em claro e as lágrimas ficaram pequenininhas, perderam a importância. Nada se compara à alegria de presenciar um serzinho sendo apresentado ao mundo.

Vive, bebezica, vive.

Estou aqui, com vc.

#correntedobem

#milagrinha

Sagui olho aberto

Sementinha

Eu me desesperei ontem, quando vi que a Sagui pesava apenas 106 gramas, não tinha mamado colostro, estava com ruído no pulmão e não parava de espirrar.

Eu chorei quando soube que as chances eram pequenas e que seria muito difícil reverter um quadro assim.

Eu tive medo de cuidar dela, me senti pequena, fiquei rezando para ter alguém lá em cima, que pudesse olhar por nós e me ajudar.

E fui pega de surpresa ao perceber que a ajuda já estava bem aqui, ao meu lado durante cada mamada, nas conversas com a Sagui e cantando para ela dormir.

Quando se planta uma sementinha com tanto amor, não há como dar errado.

A mágica vai acontecer, tenho certeza.

Obrigada, filha, por me dar força, coragem, encher meu coração de alegria e de esperança de um mundo melhor.

Te amo para sempre.

#correntedobem

#outrasninasvirão

#milagrinha

Sagui

Sagui foi separada da mãe com um dia de vida.

Está com o pulmão chiando, provavelmente por ter aspirado leite que tentaram dar para ela.

As chances já eram mínimas e agora diminuíram.

Mas eu vou tentar.

Se ela tiver que partir, pelo menos que seja quentinha e amada.

E, se não for pedir muito, na próxima vida quero vir sem um coração de pudim.

Quero que quartas-feiras sejam apenas quartas-feiras, não dias de fazer milagre.

Onde eu assino?

#resgatedodia

#outrasninasvirão

#correntedobem

#milagrinha

Sagui