Desgraça pouca é bobagem

A novidade do dia é que a Jo está com pneumonia.

Fiquei tão chocada, que fiz até uma listinha, para não me perder no quadro highlander dela: surdez, megaesôfago, sopro no coração, FIV (AIDS), câncer, anemia profunda, hemobartonelose e pneumonia.

Qualquer um teria desistido de lutar nessas condições, especialmente considerando o fator idade.  Porém, contra TODOS os prognósticos, Jojo levantou, voltou a comer, respirar sem sonda e se esfregar na gaiola, pedindo carinho.

Diante dessa melhora, ela teve alta da UTI mais uma vez e vai continuar o tratamento em casa.

Os veterinários estão passados. Um deles disse que ela tenta ir para o céu dos gatinhos, mas é devolvida, porque mia alto demais.

A lição que posso tirar disso tudo é que, terminal ou não, desenganada ou não, meu milagrinho quer viver.  E eu não vou desistir dela.

Obrigada a todos que estão acompanhando essa novela comigo.

Aos não amantes dos animais, peço desculpas, mas mãe com filho doente fica um pouco monotemática.  Prometo retomar a programação normal tão logo meu coração volte a bater tranquilo e postar um vídeozinho da Pirilampa engatinhando toda serelepe por aí 🙂

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Sanguinho bom

Doação de sangue – seja de humanos ou animais – não é um assunto engraçado, divertido, nem que atraia o interesse de leitores.  Mas é tão, tão importante, que decidi escrever mesmo assim.

Hoje o Sancho foi doar sangue para a Jo, que está mal na UTI (de novo).  Aparentemente, não basta vc ser surda, ter todas as doenças do mundo, sopro no coração, AIDS e câncer.  Vc ainda precisa pegar hemobartonelose e ficar com uma anemia severa.

Enfim, voltando ao tema, sem a doação do Sancho, a Jojo provavelmente não duraria muitas horas.  Porém, o sanguinho forte e jovem do meu pretolino permitiu que a irmã tivesse mais um fôlego.

Hoje a ajuda foi em família, mas aqui o Figo, o Häagen Dazs e o Panqueca já doaram para completos estranhos.  Não vou mentir, dá trabalho, desgasta, perde-se tempo, é chato.

Contudo, qual o preço de salvar uma vida?

Uma vez, levei o Figo para doar sangue a um gatinho, que estava muito doente na UTI.  Na hora de ir embora, os donos agradeceram e perguntaram quanto custava.  Respondi que não era nada e eles, surpresos: “mas vc saiu da sua casa, com o seu gato e passou a tarde aqui a troco de nada?”

Não, não foi a troco de nada, foi para salvar uma vida.  Estender a mão ao próximo pode custar coisa nenhuma para a pessoa e fazer toda a diferença para a outra parte.

E, quem sabe, os próximos não estendem as mãos para terceiros e o mundo não vai ficando melhor?

Doar sangue, leite materno, tempo não é caridade, é um ato de amor.

De nada adianta levantar bandeiras, protestar, fazer manifestações, se as palavras não vierem acompanhadas de atitudes.

Que tal começar fazendo sua parte hoje? 🙂

“Seja a mudança que vc quer ver no mundo” (Dalai Lama).

#correntedobem

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Memória para a Pi

Meu coração fica pequenininho quando penso que a Pi não se lembrará da Jojo ao crescer.

Como ser mãe é também fazer o papel de memória, queria deixar registrada aqui a soneca da manhã das minhas filhotas. Juntinhas, como sempre foi, desde o primeiro dia.

Obrigada, meus amores, por tornarem meus domingos cinzas sempre tão coloridos ❤

#irmãs #ohana

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Ser mãe e as escatologias nossas do dia a dia

Essa noite acordei, às três e meia da manhã, com a Jojo me cutucando (ju-ro!).

Ela tinha passado mal, tido uma senhora diarreia e sujado tudo no caminho entre a caixinha de areia do banheiro e a minha cama. Inclusive meus lençóis e ela própria.

Mas ao invés de ficar brava ou reclamar, meu coração se encheu de ternura e compaixão pela minha filhota, que está sofrendo tanto nesse finalzinho de vida.

Arrumamos tudo, demos um semi-banho de lenços umedecidos, trocamos a roupa de cama e a vimos se instalar de novo no meu travesseiro, aliviada por estar limpinha.

Fiquei um tempão ali, fazendo carinho nela e pensando em como as coisas mudam com o passar dos anos. Não falo apenas do amadurecimento natural, inerente ao envelhecimento do ser humano. Falo do amadurecimento pelo amor.

O amor pelos filhos é tão grande, que a gente supera o nojinho desses incidentes cotidianos, como se nada fossem. Resolvemos o problema e segue o jogo, sem mimimis.

Uma vez, estava almoçando com a Pi e a Tia Ciça em um restaurante que adoro e, ao pegar a Pi no colo, percebi que ela tinha feito um cocô FEDERAL, nunca dantes visto na história desse país!

Tinha vazado por tudo, tudo, tudo, Papai Noel! Sujou as roupas (minhas e dela), car seat, relógio, braço e o que mais estivesse ao alcance. A Pi tinha cocô, literalmente, até na testa!

Para ilustrar bem o estado de calamidade pública, as pessoas das mesas ao lado ofereceram papel, lencinhos umedecidos, a dona do restaurante nos levou para o escritório e me ajudou a trocar a Pi.

Eu, toda sem graça, pedindo um trilhão de desculpas, e ela, super zen: “relaxa, eu tenho filhos!”. Claro que fiquei ainda mais fã e virei freguesa do lugar (Les Delices de Maya, na Morato Coelho. Recomendo com olhos fechados, podem ir!).

Porém, o que me chamou a atenção nessa frase da Maya é que realmente alguma coisa muda quando os filhos nascem (ou aparecem, como no meu caso). Parece que vira uma chavinha interna e você supera nojinhos e aflições, para resolver logo a parte prática e continuar a vida.

Claro que continuamos odiando cocôs, diarreias e vômitos em geral. Claro que o cheiro e a sujeira incomodam. Mas não é mais aquele big deal, sabem?

Regurgitos, nariz escorrendo, babas infinitas (que em meio a tantas escatologias, ficam até lights) e incidentes pastosos se tornam parte do nosso dia a dia.

Você para, limpa, desinfeta tudo e volta a fazer o que estava fazendo – inclusive comer – numa boa, sem arrepios, tremeliques ou ficar lembrando da cena/cheiro por horas.

Ainda não passei pelo teste de vômito de bolachinhas Bon Gouter (troço fedido!) no carro, mas acho que, com 16 filhos, entre humanos e quatro patas, devo mesmo tirar de letra (e jogar o carro fora em seguida, óbvio!).

Se isso não for a própria definição de amor incondicional, minha gente, eu não sei o que será!

#sermãeéfazerumafaxininhanoparaíso

Milagrinho

Jojo estava desenganada. Veterinários deram poucos dias a ela e o clima na UTI era de despedida.

Mas meu milagrinho quer viver, se esforçou, levantou, comeu. E de quebra, ainda deixou toda a equipe do hospital completamente apaixonada.

Porque Jojo é assim. Guerreira, com luz própria, mágica e especial. Quem a conhece sabe do que estou falando.

Não sei quantos dias ainda terei com minha filhota. Sei que serão poucos, mas agradeço mesmo assim. Diante da expectativa de poucas horas, uma semana vira eternidade.

E eu só posso agradecer.

Meu milagrinho está onde deveria: voltando para casa, dormindo no meu travesseiro! Cada dia daqui para frente será mais um presente.

Obrigada a todos que torceram por nós!

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Update: Hoje de manhã, a Pi veio tomar mamadeira na minha cama, como faz todos os dias, e a reação dela ao ver a Jo foi indescritível. Bateu palminhas, se arrastou até ela e deitou ao seu lado. Fotos sem foco explicam melhor o sentimento das duas do que qualquer palavra. Como não se emocionar?

Pi e Jojo