Quem disse que amor não se ensina?

Farofa está em casa há quase um mês, contudo os progressos até agora foram mínimos.

Ela continua escondida, sempre encolhida, quase imperceptível na rotina da casa.

Quase.

Esses dias reparei que a Pi – que ainda não faz distinção entre os animais da família, provavelmente pelo “pequeno” volume – conhece a Farofa e sabe onde ela fica.  É o primeiro bicho que ela conhece pelo nome, desde a Jojo.

Todos os dias, quando chegamos da escola, eu abro a varanda e peço: “chama a Farofa-fa?”. Aí a Pi vai até o sofá, abaixa e chama a Farofa com a mãozinha por vários minutos, até desistir.

Porém, ontem o final do roteiro foi diferente.  Farofa não ficou apática, no seu mundinho triste.  Ela se levantou e veio.  Ainda distante, com medo, sem contato, nem interação.  Mas, ficou lá, firme, olhando para nós duas, da porta.

Não sei quanto (ou se) ela ainda vai melhorar, se um dia se deitará ao nosso lado ou se conseguiremos passar a mão nela.  O que eu sei é que não temos a menor pressa.  Para quem tem um gato que nunca pegou no colo há quatro anos, um mês não é nada.

Enquanto isso, vou ensinando à minha filha os benefícios do amor incondicional e a importância de se amar sem esperar nada em troca.  Quem sabe no meio do caminho, a Farofa não aprende também e começa a confiar na gente?

#ohana

Imagem

Pequenos progressos

Farofa é uma gata triste.  Triste mesmo, como poucas vezes vi.  Não é arisca, é apenas assustada e tem um vazio no olhar de partir o coração.

Parece que entende tudo que aconteceu nos últimos dias e sabe do que escapou.  Ou pior, não entendeu nada, sente saudades da antiga família e pensa que a vilã sou eu.  Como explicar para alguém que ama incondicionalmente, que foi deixada para trás?

Apesar de ter experiência com animais traumatizados, o comportamento da Farofa estava me tirando o sono. Dias encolhida, apática, na mesma posição, sem comer, beber água, nem se mexer. Cada vez que alguém entra no quarto, ela treme e fica ofegante, respirando com a boca aberta e a linguinha para fora (isso é um sinal perigoso, gatos podem até ter uma parada respiratória de puro stress).  Estava com muito medo dela ficar doente ou de ativar o vírus da AIDS.

Mas, quando desci hoje cedo, me deparei com a seguinte cena: Farofa na janela, olhando um passarinho e lambendo a patinha.

Gata que se lambe, quer viver. Gata que tem curiosidade para ver o mundo também.

Claro que o flagra durou apenas 10 segundos, assim que ela me viu, voltou correndo para o esconderijo. No entanto, foi suficiente para renovar minha esperança de que tudo ficará bem.

A apatia e o olhar triste estão com os dias contados, podem apostar.

Farofa-fa terá o seu “e viveu feliz para sempre”, tenho certeza 🙂

Imagem

Recomeço

Aí, quando vc pensa que o mundo ainda tem jeito, recebe um pedido de ajuda para uma gatinha idosa, que foi abandonada para EUTANÁSIA, só porque o dono descobriu que ela tem o vírus da FIV (AIDS felina).

Nem vou entrar no mérito do vínculo afetivo, de que animais não podem ser descartados como objetos quebrados, que essa postura é cruel, egoísta e, acima de tudo, desnecessária. Isso tudo estamos cansados de saber.

O que me pegou dessa vez foi justamente a falta de apego.  Como alguém pode conviver com um bichinho por anos a fio e simplesmente condená-lo à morte, sem compaixão, sem piedade, sem despedida, nem nenhum remorso?

Aqui aconteceu exatamente o oposto, lutamos com a Jo até o último segundo, agradecendo cada dia a mais que ganhávamos com o nosso milagrinho. Não consigo entender o contrário. Quem ESCOLHE matar seu bichinho, ao invés de ajudá-lo?

A conclusão da história é bem evidente para aqueles que me conhecem: Farofa está vindo para cá, salva, protegida, mas assustada, sem entender nada do que está acontecendo.

Ainda não sei se será parte da família ou se ficará apenas de passagem, enquanto espera uma nova chance.

O que eu sei é que – apesar de não ser o melhor momento e de já sermos muitos – existe um limite do que o meu coração vagabundo consegue aguentar. E a morte de um animal saudável, por puro preconceito e abandono, certamente o ultrapassa.

Não pude salvar a Jo, mas essa eu posso tentar. Sei que é pouco perto de tantas tragédias que vemos por aí, porém é o que posso fazer hoje para deixar o mundo um pouquinho melhor para as minhas filhas.

“Sou um só, mas ainda assim sou um. Não posso fazer tudo, mas posso fazer alguma coisa. E, por não poder fazer tudo, não recusarei a fazer o pouco que posso” (Edward Everett Hale).

#farofa-fa

#correntedobem

UPDATE: Farofa-fa chegou ontem, linda (linda mesmo!) e loira, porém muito assustada. Está escondida atrás do sofá desde então. Não comeu, não usou a caixinha, não bebeu água, não se mexe. Se alguém tenta se aproximar, ela começa a tremer de medo (literalmente). Desejar a morte lenta e dolorosa para a maldita que a abandonou é muito feio?