Parabéns para mim! :)

Nos últimos doze meses fiz uma cesárea desnecessária, contra a minha vontade; o Panqueca, o Darth e a Cidreira viraram estrelinhas; tive alguns (muitos) sustos; a Dorinha quase morreu; passei váááários dias no hospital.

Em compensação, ganhei uma filha linda de presente; doei 37 gatos (incluindo um idoso/arisco/FIV+/caolho, uma paraplégica que quase não resistiu e um gatão de onze anos diabético, todo ferradinho ❤️); cuidei de uma pomba machucada, até que ela pudesse voar livre; doei cabelo, toneladas (sim, no plural! ❤️) de alimentos, centenas de cobertores, roupas, brinquedos e sapatos (com muita ajuda, claro!); ajudei a inspirar alguns novos vegetarianos (❤️); participei de quatro festas beneficentes, organizadas com todo amor do mundo (uma delas aqui e a quinta já em andamento); de uma campanha comunitária linda de viver; fiz uma tatuagem nova e já estou pensando na próxima.

Sim, o ano foi avassalador.  Mas também foi produtivo, lindo, único e especial.

Se tem uma palavra para definir essa minha trigésima quarta primavera é INTENSA.

Amei como sempre, chorei como nunca.

E em tempos de coração sangrando, nada como fazer uma retrospectiva para enxergar que, às vezes, tudo termina bem.

De presente para mim – e, principalmente, para vcs, que tornaram isso possível – dois vídeos especiais da Vidinha (aqui e aqui), linda, loira e salva.

Obrigada, meus queridos.

Hoje a comemoração é nossa! ❤

Primeiro ciclo

Cidreira quase se foi por duas vezes essa semana .

Parou de comer, não saía mais da casinha e só se levantava, de tanto em tanto, para miar no portão chamando o Darth. Um miado doído, triste, de quem não está sabendo lidar com a saudade.

Ficou pele e osso. Descontrolou a doença renal.  Quase ativou a AIDS. Pegou uma gripe oportunista que virou pneumonia e, depois de duas bolas na trave, terminou em internação.

Meu coração ficou pequenininho vendo minha véia ali, encolhidinha na gaiola, ainda mais quando os exames confirmaram o que já haviam me dito no laboratório e no hospital: Cidreira tem nada mais, nada menos do que uns VINTE ANOS.

V-I-N-T-E-A-N-O-S.

Cada um tem o seu calcanhar de Aquiles nessa vida.

O meu são os velhinhos e os portadores do vírus da FIV (AIDS felina).

São esses que escolho para acolher e oferecer “um ano de vida boa” quando chegam aqui.

Só que o “um ano” da Ci é amanhã.

Nos últimos 365 dias ela virou minha hóspede, aprendeu a confiar, foi internada duas vezes, fez uma cirurgia, aceitou carinhoentrou oficialmente para a família, ficou amiga da Dorinha e da Pilar, teve uma superbactéria, virou objeto de estudo da Faculdade de Medicina da USP, se apaixonou por um negão de tirar o chapéu e ficou viúva.

Foi um ano intenso, é verdade.  Mas não está nem perto de ser suficiente.  Faltam pelo menos dezenove de vida sofrida para compensar.

Minha véia segue internada e só consigo pensar que ainda cabem um MBA, mestrado e doutorado em rabugice, antes que a missão seja cumprida.

Não, eu não consigo desistir dela. Espero, de coração, que ela também não desista de mim.

#véiarabugenta

#paixãoantiga

#adoteumvelhinho

#correntedobem

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Quando um exemplo vale mais do que mil palavras – parte 5

Quem amamenta não pode comer o que quer. Não pode beber o que quer. Não pode sair quando quer. Não pode dormir quando quer.

Quem amamenta sente dor no começo, se machuca, fica cansada. Não tem hora, não tem tempo, não tem lugar.

Sim, amamentar é lindo, mágico, único, indescritível.

Mas também é FODA.

Amamentar é nutrição, é saúde, é proteção, é vacina, é aconchego, é carinho.

É a sementinha plantada nas gerações que estão por vir.

Amamentar é uma prova diária de amor.

E é isso que faz tudo valer a pena.

#umexemplovalemaisdoquemilpalavras

#semanamundialdoaleitamentomaterno

#SMAM

#doeleite

#doesaúde

#doevida

#doeamor

Voo livre

E, então, Pablo voou.

No tempo dele, do jeito dele, quando quis.

Aquela pombinha frágil e debilitada, sem forças para bater asas não existe mais.

Após um mês de cuidados, comidinha boa, remédios e tratamentos, Pablo se recuperou, ficou forte, foi embora.

Ele não estava pronto há duas semanas, quando tentamos soltá-lo pela primeira vez.

Agora estava. Voou alto, decidido, sem olhar para trás, mostrando que tudo na vida tem seu tempo.  O dele só não tinha chegado ainda.

Não vou mentir que deu um aperto no coração deixá-lo ir.

Difícil dizer adeus.

Mas filhos a gente cria para o mundo.  Não seria justo deixá-lo a vida inteira preso.  Gaiola não é lar.

Pablo voou para longe, deixando a certeza de que fizemos o que era certo.

Sim, ele é só mais um.  Porém, para ele nós fizemos a diferença.

E isso, por si só, já fez tudo valer a pena.

Vai ser feliz, Pablito.

Voa alto.

Até qualquer dia.

❤️

Tudo vale a pena, se a alma não é pequena“.

#GOpatrón

#voapombinharosa

#liberdadeliberdade

#correntedobem

Promoção do dia: inferno astral estendido

Só nessa última semana, o Pablo não voou, a Dora engasgou e ficou roxa (sim, de novo), o Panqueca virou estrelinha, o Haägen Dazs ficou doente e o Darth Vader foi internado, quase em choque, com uma crise renal gravíssima (E houve boatos de que eu estava na pior, hein?).

Diante dessa maré tão tranquila, tão favorável, eu poderia estar matando, poderia estar roubando, poderia até estar “tomando leite de soja com manga e rindo na cara da morte“, em sinal de rebeldia.

Mas, não. Estou aqui, largada em posição fetal apenas chorando as pitangas, reclamando da vida e pedindo energias positivas para o meu véio.

Só isso.

Ele merece muito mais do que míseros cinco meses de vida boa.

A Cidreira merece muito mais do que míseros cinco meses com o seu negão de tirar o chapéu.

E, acima de tudo, eu NÃO mereço perder dois filhos de uma vez de novo, parte 2 – A Missão.

Sério mesmo, universo.

Estamos conversados?

Então está bem.

Conto com vc.

Não me decepcione.

#GOdarh

#umjediparachamardeseu

#aesperadeummilagre

Pablo em La Catedral

Pablo – a pomba juvenil – Escobar ficou gordinho, com as patas mais firmes e, finalmente, teve alta.

Voltei para casa toda animada, visualizando uma cena linda, de filme, na minha cabeça: El Patrón voando em liberdade no parque, em meio aos seus coleguinhas pombos, celebrando a vida, em direção ao por do sol.

Só que Pablo não entendeu o espírito da coisa.

Na primeira tentativa, fez o Bolsonaro e ficou lá, estatelado no chão.

Na segunda, apanhou de um pombo gigantesco, em um misto de UFC com dança do acasalamento.

Na terceira, maridón viu minha cara de desconsolo e já constatou: “Vamos levar a pomba de volta, né?”.

É.

Ou seja, Pablo voltou a morar em El Catedral, vulgo nosso banheiro, porém em uma versão sem drogas, mulheres, capangas, nem espaço.

Fisicamente, ele está ótimo, mas não sabe – ou não quer – voar. Pode ser que o fato de ter sido chamado de Paloma por uns dias tenha influenciado em sua autoestima, não vou mentir.

O problema é que não sei o que fazer agora.

Não posso deixá-lo em uma gaiola o resto da vida.  Não sei ensiná-lo a voar.  Não tenho um viveiro onde ele possa aprender sozinho, com calma.  Não falo pombês para fazer terapia e empoderá-lo.

Sugestões, apoio moral, abraços, chocolates e uma luz no fim do túnel são bem-vindos, por favor.  Compartilhamentos também.

Alguma boa alma, com um cantinho protegido, procurando um pombo traficante para chamar temporariamente de seu?

Maridón agradece.

#GOpatrón

#oqueéumpeidoparaquemestácagado(depomba)?

#pombinharosavivecansada

#correntedobem

Breaking news!

Paloma, na verdade, é Pablo, o pombo juvenil!

Ele é um adolescente, ainda está magrinho e deverá perder a pata mesmo (mas a perna está forte, então tudo bem).

Apesar disso, Pablo Escobar melhorou bastante, devora a comida como se não houvese amanhã, está mais ativo, já reage quando tentamos pegá-lo (“plata o plomo” sendo aguardado para qualquer instante) e é MEGA porcalhudo.

Admito que essa missão está no TOP 10 roubadas da minha vida. Maridón, então, está se divertindo a valer. Cada cusparada de remédio na cara é um flash. Duas vezes ao dia.

Mas El Patrón não teria resistido se tivesse ficado na rua. E eu não consigo ser diferente. Logo, é o que temos para hoje.

No cartel da Morada dos Ramos, mais importante do que dinheiro cimentado na parede é que todos os capangas sobrevivam. 😉

#GOpatrón

#oqueéumpeidoparaquemestácagado(depomba)?

#pombinharosavivecansada

#correntedobem

Paloma, a pomba, prazer.

Sábado de sol.

Família toda com uma virose ebola-level, que contaminou vinte e duas crianças da escola e alguns pais (entre eles o maridón, cla-ro).

A ideia era sair rapidinho e voltar em uma hora, para a próxima mamada.

Só que, no caminho, tinha uma pomba caída na calçada.

Repeti o mantra “Ignore a pomba. Ignore a pomba. Ignore a pomba” por cerca de 10 segundos.

E, em seguida, desci correndo do carro para pegá-la, antes que fosse pisoteada ou atropelada.  Quem eu estava querendo enganar, não é mesmo?

Ela estava caída, imóvel, na porta da padaria. Pedi uma caixa (“desculpe, sra. Não temos caixas”. Ahãm 😒), pedi um pano (“desculpe, sra. Não temos panos”. Ahãm 2 😒😒), pedi uma toalha (“desculpe, sra. Não temos toalhas”. Ahãm 3 😒😒😒).

Fui chorando de raiva à banca de jornal ao lado, bem madura. O senhorzinho, incrédulo, desocupou uma caixa e me deu.

Lutei com a pomba, catei a pomba, encaixotei a pomba (com a ajuda de um transeunte, óbvio. Quase morri do coração quando ela bateu as asas. Entendo tudo de pássaros, como podem perceber).

O diagnóstico não era animador: fio de náilon invisível preso nas patinhas, penetrando a carne. Um dedo necrosado, outro sem movimento.

Minha veterinária não atende aves, nenhuma clínica da região estava aberta, meu último resgate de pomba não foi muito bem sucedido.

Fazer o que?

Pedir ajuda para o amigo médico (que por incrível que pareça, ainda fala comigo), chamar o maridón (que por incrível que pareça, também ainda fala comigo) e fazer uma mini-cirurgia na coitada em casa, no improviso (como agradecer? ❤ ).

Corta a cena.

Domingo de sol. Família ainda podre. Veterinária do bairro topou abrir a clínica durante a soneca das meninas e atender a Paloma (criatividade para nomear aves, a gente vê por aqui – parte 3).

Comemorei o fato dela ser uma fêmea (“fêmeas não bicam”) e limpinha, sem nenhum parasita, até entender que isso não era uma coisa bacana: “Se os parasitas abandonam o bicho, não é bom sinal. Acho que ela não vai sobreviver, Paula”.

Palomita está magérrima, caquética, sem movimento em uma das patas e com infecção por causa dos cortes. Basicamente, ela não conseguia andar para comer, então, estava morrendo aos poucos ali, de fome e de sede.

Uma semana de comida, água, sprays, antibióticos e retorno, para reavaliação.

Se a patinha for recuperada, ela poderá ter vida livre. Se tiver que amputar, não.

Agora estou aqui, com uma pomba manquitola no banheiro, sendo medicada duas vezes ao dia, por tempo indeterminado, enquanto, em paralelo, minha família se recupera do ebola da virose.

Não é por nada, não, mas tenho que reconhecer… Maridón me ama para caralho 😁😳🙈

Oremos.

#GOpaloma

#oqueéumpeidoparaquemestácagado(depomba)?

#pombinharosavivecansada

#resgatedodia

#correntedobem

O Despertar da Força

Esses dias houve uma revolução dos bichos aqui em casa. Todo mundo resolveu ficar doente, muitos sustos, muitos exames, muitos remédios, muito (muito!) dindin, duas cirurgias agendadas para a próxima semana e uma cancelada, por falta de condições.

Além do xixi com sangue, os exames do Darth Vader indicaram uma anemia importante, escapes da válvula do coração e seus dois últimos dentes apodreceram de vez, infeccionando a bagaça toda, que já estava complicada .

Para completar, porque desgraça pouca é bobagem, a doença renal está bem ativa, a ponto da veterinária falar que irá tentar um último medicamento, antes de falarmos em expectativa de vida.

Recebi muito mal as notícias. Chorei, fiquei preocupada, chateada, frustrada, pensando na vida, na falta de sorte, na tristeza por não conseguir ajudá-lo e na grande injustiça.  Ele sempre está doente desde que chegou e agora não terá a chance de ser feliz como merece.  Um verdadeiro fracasso.

Até que me deparei com as imagens do dia do resgate.

É engraçado como certas coisas acabam esquecidas. Nossa memória é seletiva, apaga tudo aquilo que não serve. Olhamos o gato mansinho, tranquilo, gordinho, com pelo brilhante, de veludo e esquecemos que nem sempre foi assim.

Ainda bem que as fotos estão aí para contar tudo que aconteceu nos últimos cento e vinte dias, tim tim por tim tim, em um antes e depois que aqueceu meu coração.

Um antes e depois que me mostrou a diferença que amor, carinho, comidinha boa e cuidados são capazes de fazer.

Um antes e depois que trocou o gosto amargo de fiasco pela certeza de ter feito o que era certo.

Um antes e depois que me lembrou porque tudo valeu a pena.

Enquanto ele estiver aqui, nós vamos lutar juntos.  Nosso Jedi será feliz pelo tempo que tiver.  Promessa é dívida.

Go, Darth!

❤️

#adoteumvelhinho

#umjediparachamardeseu

#antesedepois

Vida, prazer!

Essa pizza de sexta-feira não tem borda de catupiry, não tem cobertura extra, nem é vegana.

Também não anda, não tem sensibilidade nos membros posteriores e, provavelmente, ficará paraplégica para sempre.  Sim, um BEBÊ nunca mais vai andar, nem correr, porque um abençoado quebrou seus ossos e arrebentou seus nervos A PAULADAS.  E eu colocando filhos nesse mundo.

A boa notícia é que, graças a todos vcs, ela agora tem cama quentinha, comida, tratamento certo e um irmão lindo como ela, que veio de bônus.

Infelizmente, o frajola atropelado não resistiu.

Ainda não aprendi a lidar com essas batalhas perdidas.  Ainda dói, ainda choro, ainda fico inconformada.

Mas, aprendi a focar no que pode dar certo.  E, para a Vidinha, a pizza de vcs fez toda a diferença.  Ela agora terá uma chance de ser feliz.

Obrigada, meus queridos.

Juntos somos mesmo muito fortes.

Beijos infinitos de nós três!

#correntedobem

#resgatedodia

#outrasninasvirão