E ali logo em frente, a esperar pela gente, o futuro está ❤️

A. tem apenas dois anos, mas já passou metade da sua curta vidinha em um abrigo.

Aos dez meses foi deixado sozinho, chorando, em casa, enquanto seu pai matava a sua mãe, escrava na indústria têxtil.

A vida como ela é. Nua e crua.

O tempo passou, A. foi crescendo sem família em um abrigo, até que a equipe dedicada do fórum localizou seus avós – pessoas amorosas, porém muito humildes – lá na Bolívia.

Os dois senhores choraram a morte da filha à distância e, mesmo sem conhecer o neto, aceitaram recebê-lo de braços abertos.

Só que os avós não tinham condições financeiras para buscá-lo.

Sozinho, A. também não poderia ir.

A equipe do fórum já havia cuidado da papelada e de toda a parte burocrática. A única coisa que separava A. do seu merecido final feliz eram quatro passagens aéreas e três diárias em um hotel.

A sorte dele – minha também – é que tenho o privilégio de viver cercada por pessoas queridas e generosas, que aceitaram meu pedido de ajuda sem titubear e trocaram o cinema do final de semana por um menininho voltando para casa.

Essa história tinha tudo para ser trágica.  No entanto, foi reescrita.

A. abraçou os avós como se sempre tivessem dividido os almoços de domingo. E entendeu perfeitamente o espanhol.  Ainda tem memória da mãe.

Os avós, por sua vez, disseram, emocionados:”Perdemos una hija, pero ahora tenemos un hijo“.

E eu chorei.

A. foi embora hoje de manhã.

Ganhou casa, família e um final feliz lindo, embrulhado para presente, digno de último capítulo de novela.

O abraço apertado de agradecimento foi em mim. Mas está aqui, porque pertence a vcs também.

Voa, menininho.

Voa e seja tudo que sua mãe sonhou para vc.

Esse mundão é todo seu ❤️

#correntedobem

#voamenininho

#finalfeliz

#obrigadaobrigadaobrigada

alexandre

Sementinha – parte 2

Essa semana teve “Career Day” na escola das meninas.

Falar sobre o ma-ra-vi-lho-so e interessantíssimo (#sqn) mundo do Direito para crianças de quatro anos OOOOOOUUUUUU sobre o trabalho na ONG, espalhando a sementinha do voluntariado?

Ó dúvida cruel! 🤔🤔🤔

O resultado foi esse filminho aqui, explicando o que fazemos e mostrando o antes e depois de alguns dos bichos que passaram pela Morada dos Ramos nos últimos anos (claro que parando slide a slide, para dar tempo de ler  as legendas – leitura dinâmica para caber na música mode ON).

Eles ficaram olhando, super atentos. Pensaram, pensaram e um deles perguntou, já no final:

– Tia, vc pega todos os bichinhos que aparecem na rua?

– Seria legal, né? Pena que na minha casa não cabe.

– Sabe, tia, queria que sua casa fosse infinita.

Pronto. Coração inchado, missão cumprida.

Educação muda o mundo.

Que eles sejam melhores do que nós.

Amém.

“Conselho ajuda, exemplo arrasta”.

Parabéns para mim! :)

Nos últimos doze meses fiz uma cesárea desnecessária, contra a minha vontade; o Panqueca, o Darth e a Cidreira viraram estrelinhas; tive alguns (muitos) sustos; a Dorinha quase morreu; passei váááários dias no hospital.

Em compensação, ganhei uma filha linda de presente; doei 37 gatos (incluindo um idoso/arisco/FIV+/caolho, uma paraplégica que quase não resistiu e um gatão de onze anos diabético, todo ferradinho ❤️); cuidei de uma pomba machucada, até que ela pudesse voar livre; doei cabelo, toneladas (sim, no plural! ❤️) de alimentos, centenas de cobertores, roupas, brinquedos e sapatos (com muita ajuda, claro!); ajudei a inspirar alguns novos vegetarianos (❤️); participei de quatro festas beneficentes, organizadas com todo amor do mundo (uma delas aqui e a quinta já em andamento); de uma campanha comunitária linda de viver; fiz uma tatuagem nova e já estou pensando na próxima.

Sim, o ano foi avassalador.  Mas também foi produtivo, lindo, único e especial.

Se tem uma palavra para definir essa minha trigésima quarta primavera é INTENSA.

Amei como sempre, chorei como nunca.

E em tempos de coração sangrando, nada como fazer uma retrospectiva para enxergar que, às vezes, tudo termina bem.

De presente para mim – e, principalmente, para vcs, que tornaram isso possível – dois vídeos especiais da Vidinha (aqui e aqui), linda, loira e salva.

Obrigada, meus queridos.

Hoje a comemoração é nossa! ❤

Primeiro ciclo

Cidreira quase se foi por duas vezes essa semana .

Parou de comer, não saía mais da casinha e só se levantava, de tanto em tanto, para miar no portão chamando o Darth. Um miado doído, triste, de quem não está sabendo lidar com a saudade.

Ficou pele e osso. Descontrolou a doença renal.  Quase ativou a AIDS. Pegou uma gripe oportunista que virou pneumonia e, depois de duas bolas na trave, terminou em internação.

Meu coração ficou pequenininho vendo minha véia ali, encolhidinha na gaiola, ainda mais quando os exames confirmaram o que já haviam me dito no laboratório e no hospital: Cidreira tem nada mais, nada menos do que uns VINTE ANOS.

V-I-N-T-E-A-N-O-S.

Cada um tem o seu calcanhar de Aquiles nessa vida.

O meu são os velhinhos e os portadores do vírus da FIV (AIDS felina).

São esses que escolho para acolher e oferecer “um ano de vida boa” quando chegam aqui.

Só que o “um ano” da Ci é amanhã.

Nos últimos 365 dias ela virou minha hóspede, aprendeu a confiar, foi internada duas vezes, fez uma cirurgia, aceitou carinhoentrou oficialmente para a família, ficou amiga da Dorinha e da Pilar, teve uma superbactéria, virou objeto de estudo da Faculdade de Medicina da USP, se apaixonou por um negão de tirar o chapéu e ficou viúva.

Foi um ano intenso, é verdade.  Mas não está nem perto de ser suficiente.  Faltam pelo menos dezenove de vida sofrida para compensar.

Minha véia segue internada e só consigo pensar que ainda cabem um MBA, mestrado e doutorado em rabugice, antes que a missão seja cumprida.

Não, eu não consigo desistir dela. Espero, de coração, que ela também não desista de mim.

#véiarabugenta

#paixãoantiga

#adoteumvelhinho

#correntedobem

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Quando um exemplo vale mais do que mil palavras – parte 5

Quem amamenta não pode comer o que quer. Não pode beber o que quer. Não pode sair quando quer. Não pode dormir quando quer.

Quem amamenta sente dor no começo, se machuca, fica cansada.

Sim, amamentar é lindo, mágico, único, indescritível.

Mas também é FODA.

Amamentar é nutrição, é saúde, é proteção, é vacina, é aconchego, é carinho.

É a sementinha plantada nas gerações que estão por vir.

Amamentar é uma prova diária de amor.

E é isso que faz tudo valer a pena.

#umexemplovalemaisdoquemilpalavras

#semanamundialdoaleitamentomaterno

#SMAM

#doeleite

#doesaúde

#doevida

#doeamor

Voo livre

E, então, Pablo voou.

No tempo dele, do jeito dele, quando quis.

Aquela pombinha frágil e debilitada, sem forças para bater asas não existe mais.

Após um mês de cuidados, comidinha boa, remédios e tratamentos, Pablo se recuperou, ficou forte, foi embora.

Ele não estava pronto há duas semanas, quando tentamos soltá-lo pela primeira vez.

Agora estava. Voou alto, decidido, sem olhar para trás, mostrando que tudo na vida tem seu tempo.  O dele só não tinha chegado ainda.

Não vou mentir que deu um aperto no coração deixá-lo ir.

Difícil dizer adeus.

Mas filhos a gente cria para o mundo.  Não seria justo deixá-lo a vida inteira preso.  Gaiola não é lar.

Pablo voou para longe, deixando a certeza de que fizemos o que era certo.

Sim, ele é só mais um.  Porém, para ele nós fizemos a diferença.

E isso, por si só, já fez tudo valer a pena.

Vai ser feliz, Pablito.

Voa alto.

Até qualquer dia.

❤️

Tudo vale a pena, se a alma não é pequena“.

#GOpatrón

#voapombinharosa

#liberdadeliberdade

#correntedobem

Promoção do dia: inferno astral estendido

Só nessa última semana, o Pablo não voou, a Dora engasgou e ficou roxa (sim, de novo), o Panqueca virou estrelinha, o Haägen Dazs ficou doente e o Darth Vader foi internado, quase em choque, com uma crise renal gravíssima (E houve boatos de que eu estava na pior, hein?).

Diante dessa maré tão tranquila, tão favorável, eu poderia estar matando, poderia estar roubando, poderia até estar “tomando leite de soja com manga e rindo na cara da morte“, em sinal de rebeldia.

Mas, não. Estou aqui, largada em posição fetal apenas chorando as pitangas, reclamando da vida e pedindo energias positivas para o meu véio.

Só isso.

Ele merece muito mais do que míseros cinco meses de vida boa.

A Cidreira merece muito mais do que míseros cinco meses com o seu negão de tirar o chapéu.

E, acima de tudo, eu NÃO mereço perder dois filhos de uma vez de novo, parte 2 – A Missão.

Sério mesmo, universo.

Estamos conversados?

Então está bem.

Conto com vc.

Não me decepcione.

#GOdarh

#umjediparachamardeseu

#aesperadeummilagre