Amor e paciência

Cidreira chegou em casa há três meses, brava, assustada e doente.

Achei que não fosse durar muito tempo e minha única preocupação foi dar um finalzinho de vida digno para ela.

Mas eu estava redondamente enganada.

Cidreira se transformou diante dos meus olhos de uma forma que nunca pude imaginar. Melhorou, amansou (pero no mucho), rejuvenesceu.

Os mais de quinze anos passam despercebidos cada vez que ela se estica, virando a pança gordinha para cima.

Ainda não aceita carinho, mas já me chama e vem correndo quando entro no sótão.

Sei que muitas pessoas não entendem os motivos de acolher um velhinho, com tantos filhotes dando sopa por aí.

A resposta está aqui. Três míseros meses fizeram toda a diferença na vidinha dela. As fotos e vídeos falam por si só.

Amor com amor se paga. E vale cada centavo ❤

#velharabugenta

#paixãoantiga

#correntedobem

Antes e depois Cidreira

Amassando pãozinho ♥♥♥

Nova hóspede

Sexta-feira à noite ligaram do abrigo dizendo que a Cidreira não estava passando bem.

Eu adoraria ter coragem de dizer “mal aê, estou muito grávida, fica para a próxima”, só que esse tipo de desculpa não cabe quando se trata de uma gata de quinze anos, com FIV+.

Qualquer dia pode ser o último.

Corremos para o hospital e os resultados dos exames não foram animadores. Cidreira está desidratada, com as funções renais comprometidas, deficiência de potássio e, a cereja do bolo, sangue nas fezes, ou seja, sem a menor condição de voltar para o abrigo.

O problema é que a Cidreira não colabora e eu não consigo fazer a fluidoterapia sozinha, com esse barrigón no caminho.

Ela é brava, bate sem dó. Com isso, somos obrigados a fazer todo o tratamento no hospital – e vender nossos rins para salvar os dela, claro.

Ração, remédios, areia, um cantinho gostoso, cuidados e amor eu garanto por aqui. Mas precisamos de ajuda com a conta hospitalar, que já ultrapassou a casa dos mil reais só no primeiro final de semana.

Alguém aí disposto a trocar a pizza do domingão por uma vidinha salva?

Qualquer valor ajuda, podem acreditar.

Afinal, gatinhas brutas e rabugentas também merecem uma chance, né?

Juntos somos fortes ❤

#correntedobem

#paixãoantiga

#velharabugenta

E.T: Os depósitos podem ser feitos direto na conta da tia Carol, usada apenas para manter nosso trio calafrio. Obrigada 🙂 :

Banco Itaú S.A.

Agência: 6369

Conta poupança: 32524-3/500

Andrea Carolina Benitez Santos

CPF: 295.730.118-08

Cidreira renal

Cidreira

Em 2001 eu estava na faculdade.

Ainda não morava na casa em que meus pais moram hoje, não tinha habilitação, não trabalhava no mesmo escritório.

Não conhecia o maridón, não tinha gatos, filhas, nem sequer sonhava em ser esposa ou mãe.

Mas a Cidreira já tinha nascido e vivia entre ruas e abrigos, esperando seu grande dia chegar.

De lá para cá, quinze anos se passaram.

Minha vida virou de cabeça para baixo. Vieram formatura, OAB, emprego, casa, gatos, cachorros, casamento, filhas… Nem meu nome é mais o mesmo.

Só que para a Cidreira, nada mudou. Com o passar dos anos, chegaram apenas a idade, a AIDS e os repetidos abandonos. Nada mais.

Cidreira continua em abrigos desde 2001, desejando uma família que nunca aparece.

Eu até poderia trazê-la para casa, porém tenho medo de que o Cravo ou a Petúnia acabem sozinhos naquela sala, sem adotantes nem amigos.

Preciso que os dois sejam felizes, para que ela possa ser feliz também.

Quinze anos é tempo demais.

Por isso, a promoção do dia é bem simples, uma oportunidade rara nessa vida: adote um ou dois gatinhos e salve três. Quem vai querer?

Google. Estou com sorte.

Valendo! 😉

#liquidaçãodolápisvermelho

#quinzeanosdesolidão

#nãocompreadote

#adotarétudodebom

#correntedobem

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Anúncio de classificados: grávida engajada pede ajuda – parte 3

Já contei aqui e aqui sobre a protetora que faleceu, deixando centenas de animais abandonados em uma situação calamitosa.

Dois anos se passaram e, nesse meio tempo, já pedi ajuda, já troquei os presentes das minhas filhas por doações, já chorei pelos que morreram, já fiquei grávida de novo.

Alguns dos quinze bichanos que acolhemos tiveram muita sorte e foram adotados por pessoas que os enxergaram além da pelagem e do preconceito.  Outros viraram estrelinhas sem nunca saber o que é ter casa e família.

Sobraram os últimos três esquecidos no abrigo e estou em pânico por vê-los envelhecer sem ter uma chance.

Por isso, resolvi abusar do meu zap-de-grávida-que-foi-agredida-por-uma-PESSOA-VESTIDA-DE-MINION-no-shopping essa semana e pedir ajuda de novo.

Petúnia é uma pretolina básica, de três anos, linda, delicada e muito doce.  Recebe as pessoas na porta, conversando e pedindo carinho.  Ela é uma gata de colo sem colo.  Viveu a vida toda sendo jogada de um abrigo para outro, sem saber o que é ter um sofá quentinho e um cafuné antes de dormir.  Mas nada disso impede que ela continue tentando todos os dias conquistar um humano para chamar de seu.

Cravo, assim como a irmã, também é preto e tem três anos.  Contudo, essa vida de abandono entristeceu seu coração.  Ele é desconfiado e tem medo das pessoas.  Fica observando tudo de longe, com receio de se aproximar.  Muito raramente pede um carinho e se esconde logo em seguida, sempre esperando o pior de nós.  Cravo é um gatinho que precisa ser conquistado por alguém com paciência, disposto a ensiná-lo a confiar mais uma vez.

Por último, temos a Cidreira, que é uma velhinha de uns quinze anos, tão, tão, tão assustada, que vive escondida.  Não circula entre os demais, não interage, não brinca, nem sai da toca.  Ela provavelmente nunca será uma gatinha companheira, nem pedirá carinho.  É aquele tipo de adoção especial, na qual se escolhe o gato pelo gato, não por nós.  Tudo que ela precisa é de um lugar para passar sua aposentadoria tranquila, com água fresca e comidinha boa.  Acho que não preciso dizer que a Cidreira é minha preferida, meu número em negrito e neon, né?

Todos eles estão disponíveis para adoção juntos ou separados.  São portadores do vírus da FIV, porém não desenvolveram a doença e isso não impede que convivam com outros bichanos “saudáveis”, assim como acontece na minha casa.

Será que entre tantos leitores queridos que passam por aqui, não existe um – ou dois, ou três – com um cantinho para receber um dos nossos filhos postiços e fazer uma grávida muito, muito, muito feliz?

Que tal abrir sua casa – e seu coração – para um gatinho especial e deixar o mundo um pouquinho mais bonito?

Nosso trio calafrio será eternamente grato.  E nós também.

#correntedobem

Petúnia

Petúnia 2

Cravo

Cidreira

Anúncio de classificados: EX-grávida engajada pede ajuda – parte 2

Sempre me pergunto por que tantas pessoas se fingem de mortas e não movem uma palha para ajudar o próximo, quando tudo seria tão mais fácil se cada um fizesse a sua parte.

Depois de vários anos como voluntária, finalmente entendi que a resposta é muito simples: ajudar cansa, desgasta, dá trabalho, é difícil, demanda sacrifícios e nem sempre traz os resultados esperados.

Há MAIS DE UM ANO contei aqui sobre uma protetora independente que morreu e deixou vários animais abandonados, em uma situação calamitosa.

Eu estava grávida da Lily, com a Pi pequena e desesperada com aquela situação. Organizamos um jantar beneficente, muitos de vcs ajudaram (obrigada!), levantamos dinheiro, socorremos os mais necessitados e o assunto ficou esquecido.

Acontece que, para quem coloca a mão na massa todos os dias, o assunto não acabou por aí. Ao contrário, está há anos luz de terminar.

A chácara foi vendida pelos familiares da protetora, os animais ficaram desalojados e, após muita batalha, ainda sobraram 12 gatos, de difícil adoção.

Doze gatos adultos, portadores dos vírus da FIV (AIDS felina, meu calcanhar de Aquiles) e/ou FELV (leucemia), que precisam de cuidados, atenção, comidinha boa e, claro, uma casa para chamar de sua.

Algumas amigas improvisaram um abrigo e estão cuidando desses coitadinhos. Mas, como eu disse lá em cima, arregaçar as mangas e ir a luta não é nada fácil. E, pior, é caro. Muito caro mesmo.

Precisamos de ajuda. De novo e sempre.

Precisamos de remédios, ração, areia, vacinas, dinheiro, tudo.

Sei que ninguém gosta de histórias tristes. Sei que gatos carentes, abandonados, velhinhos e doentes não são o tipo de notícia que as pessoas procuram ler por aqui.

Porém, como dar risadas e contar sobre meu dia de Emily Rose em plena Rebouças, enquanto a Cidreira não tem o remedinho que precisa? Ou a Lavanda uma cama quentinha para dormir nesse frio?

COMO colocar a cabeça no travesseiro e descansar tranquila, sabendo que tantos bichinhos precisam de apoio?

Infelizmente (ou felizmente), eu não consigo fechar meus olhos. E as meninas que assumiram essa bucha menos ainda.

Por isso, estamos organizando um novo jantar beneficente, nos mesmos moldes do anterior, no próximo sábado, dia 13 de setembro. Quem puder ajudar, por favor, escreva para mim ou para gatinhosdecotia@gmail.com.

Além dos convites, também aceitamos doações de todos os tipos. Não existe ajuda pequena, menor ou insignificante. TODA ajuda é bem-vinda e será muito, muito, muito útil, podem acreditar.

Que tal começar o mês tornando a vida desses pobrezinhos um pouquinho melhor?

Nós e os gatinhos carentes agradecemos de coração.

“Seja a mudança que vc quer ver no mundo”.

#correntedobem

Gata Preta

Anúncio de classificados: grávida engajada pede ajuda.

Confesso que tenho um pouco de inveja das pessoas que ficam grávidas e passam a viver em função desse momento tão especial.

Sinto que elas aproveitam cada segundo de forma muito melhor e mais adequada do que eu, que não consigo ter tempo de curtir a Lily como gostaria.

Desde abril a vida está uma loucura, não só pela internação da Pi, cirurgia do marido e partida da Jo.  Acho que essa programação maluca já se incorporou ao nosso dia a dia e o universo não para só porque estamos grávidas (mas deveria!).

Na gravidez da Pi, além dos resgates “normais” (inclusive de uma galinha, que quase deu divórcio), cuidei da Paçoca na mamadeira e fui bastante criticada por isso.  Mas o sacrifício – levantar de três em três horas na madrugada, no inverno, com um barrigón de oito meses é dose, acreditem! – valeu a pena só para vê-la aqui, deitadinha comigo, viva e feliz.

Dessa vez, surgiu um caso bem mais grave e difícil.  Uma protetora independente faleceu e deixou quase noventa bichos sozinhos em uma chácara, passando fome e frio.  A cena era de filme de terror. Muitos estão doentes, com sarna, com câncer, rinotraqueíte, vermes e fungos.  Tinham filhotes, idosos, machos e fêmeas não castrados, todos misturados. O caos.

Alguns não resistiram, outros tiveram que ser internados às pressas.  Após um esforço coletivo e vários mutirões, a situação está sendo controlada, mas ainda é desesperadora.  A conta não para de crescer e já está batendo a casa dos dez mil reais, especialmente por causa das despesas com o hospital.

Vendo essa condição, como me dar ao luxo de falar: “desculpe-me, estou grávida, não consigo ajudar”?  Impossível, pelo menos para mim.

Por isso, eu e algumas amigas estamos organizando um jantar beneficente, com toda a renda revertida aos coitadinhos da Chácara da Gata Preta.

O evento será no sábado, dia 10 de agosto, das 19:00 as 23:00 horas, e cada convite custa R$ 60,00.  Quem quiser mais informações pode comentar aqui ou me mandar e-mail (paulamar3@gmail.com).

Agradeço, do fundo do coração, a todos que puderem ajudar, divulgar e participar, seja compartilhando, seja com doação de medicamentos, cobertas, ração ou dinheiro.

Quem sabe, quando todos estiverem quentinhos, saudáveis e protegidos, eu consiga curtir minha filhota e minha barriga mais tranquila, sabendo que o mundo está um tiquinho melhor, né?

Muito obrigada! 🙂

#correntedobem

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