Corujices curtinhas – parte 11 (Pilar)

Pilar doente, tive que levar para o escritório comigo, antes do horário no pediatra.

Logo na entrada perguntaram por que ela tinha ido trabalhar com a mamãe e ela, em alto e bom som, no meio de todo mundo:

– Porque estou fazendo coco espalhadinho!

——

No dia seguinte:

– Você está dodói e vai trabalhar com a mamãe hoje, Cecília? É bem legal lá, todo mundo vai ficar olhando para vc e falando: Que linda!! Que linda!!!

#modesta

——

– Não quero esse travesseiro loiro! (amarelo)

——

– Eu pedi para a Arilza ser um pouco minha avó também e aí ela SEU!

😂❤️👌🏻

#conjugandoverboscomaPi

——

– Filha, cuidado, seu dedo vai ficar preso aí.

– Tudo bem, mamãe. Se meu dedo ficar preso, eu coloco outro e aí participo das Olimpíadas!

——

– Estou com vontadeeeee!

– Um minuto que eu já te levo ao banheiro, filha.

Dançando ao meu lado, com uma torre na mão:

– Essa é a minha varinha mágica! Sinssalabiiiiiim! Minha mamãe vai me levar AGORA para fazer xixi!

——

Na hora do piquenique da festinha infantil:

– Filha, esse cachorro quente não é igual ao de casa, tem carninha, tá?

– Eu sei, mamãe. Já avisei o tio que sou vegetaLiana e perguntei o que tinha aqui para comer COM SEM carninha.

——-

– Mamãe, tive uma ideia!! E se a gente comprasse um olho da pessoa que arrancou o olho da Memé e desse de volta para ela? Seria justo, né?

#sersinceraoueducareisaquestão?

——-

– Que horas são?

– Vinte horas

– Ih! Desamanheceu.

—–

No sofá, ao lado:

– Não consigo colocar o sapato na minha boneca.

– Traz aqui que a mamãe coloca.

Para a irmã, lá na cozinha:

– Ce-cí-liaaaaaaaa! Pode me dar uma ajudinha? Pega essa boneca e leva ali na mamãe rapidinho, por favor?

——

– Quando eu crescer eu vou andar sozinha na rua e usar a faca para cortar a comida da Dorinha!

– É, filha? E o que mais?

– Hummmmm…. Também vou mandar na minha filha!

——

– Quantas filhas vc vai ter, Pi?

– Onze E MEIA!

——

– A vovó vai fazer aniversário. Vai ficar velhi-nha!!

– Vo-vô! Para de falar que todo mundo é velhinho! Vc sabe muito bem que ninguém é tão velhinho como vc!

——

– PULIXEMPLO, essa folha já está seca, mas essa ainda está molhada! (viva)

——

– Mamãe, como lagartixa chora?

——

Indo para a casa de uns amiguinhos:

– Olha lá, hein, Pi? Se vc não se comportar, a tia Tati vai me contar!

– A tia Tati vai te mandar um zapzap?

#muderrrrna

——

– Não quero tomar banho de touca! Só gosto de tomar banho de noite e de dia!

——

Em tom de epifania:

– MA-MÃE!!!! Vc É a Patrulha Canina!!!

– Por que, filha?

– Porque vc salva toooooodossss os bichinhos em perigo!

——

– Gostou do casamento, filha?

– Gostei! Mas no meu casamento, não vai ter carninha! Eu vou usar um vestido bem lindo da Barbie-Brilho-Rosa. E vai ter um brinquedão para o pessoal se divertir um pouco mais!

——

Ainda na saga do casamento:

– No meu casamento vai tocar a música dos Beat Bugs (aka Beatles).

– É, filha?

– E também Patrulha Canina! E Galinha Pintadinha. Vai ser tãooooooo legal! Eu deixo vc ir!

#valeu

❤️❤️❤️❤️❤️❤️

#parte1de3

#quatroanosdepirilampa

#cabemtrêsvidasinteiras

#ohana

#amormaiordomundo

pi-4-anos

Sementinha – parte 2

Essa semana teve “Career Day” na escola das meninas.

Falar sobre o ma-ra-vi-lho-so e interessantíssimo (#sqn) mundo do Direito para crianças de quatro anos OOOOOOUUUUUU sobre o trabalho na ONG, espalhando a sementinha do voluntariado?

Ó dúvida cruel! 🤔🤔🤔

O resultado foi esse filminho aqui, explicando o que fazemos e mostrando o antes e depois de alguns dos bichos que passaram pela Morada dos Ramos nos últimos anos (claro que parando slide a slide, para dar tempo de ler  as legendas – leitura dinâmica para caber na música mode ON).

Eles ficaram olhando, super atentos. Pensaram, pensaram e um deles perguntou, já no final:

– Tia, vc pega todos os bichinhos que aparecem na rua?

– Seria legal, né? Pena que na minha casa não cabe.

– Sabe, tia, queria que sua casa fosse infinita.

Pronto. Coração inchado, missão cumprida.

Educação muda o mundo.

Que eles sejam melhores do que nós.

Amém.

“Conselho ajuda, exemplo arrasta”.

Parabéns para mim! :)

Nos últimos doze meses fiz uma cesárea desnecessária, contra a minha vontade; o Panqueca, o Darth e a Cidreira viraram estrelinhas; tive alguns (muitos) sustos; a Dorinha quase morreu; passei váááários dias no hospital.

Em compensação, ganhei uma filha linda de presente; doei 37 gatos (incluindo um idoso/arisco/FIV+/caolho, uma paraplégica que quase não resistiu e um gatão de onze anos diabético, todo ferradinho ❤️); cuidei de uma pomba machucada, até que ela pudesse voar livre; doei cabelo, toneladas (sim, no plural! ❤️) de alimentos, centenas de cobertores, roupas, brinquedos e sapatos (com muita ajuda, claro!); ajudei a inspirar alguns novos vegetarianos (❤️); participei de quatro festas beneficentes, organizadas com todo amor do mundo (uma delas aqui e a quinta já em andamento); de uma campanha comunitária linda de viver; fiz uma tatuagem nova e já estou pensando na próxima.

Sim, o ano foi avassalador.  Mas também foi produtivo, lindo, único e especial.

Se tem uma palavra para definir essa minha trigésima quarta primavera é INTENSA.

Amei como sempre, chorei como nunca.

E em tempos de coração sangrando, nada como fazer uma retrospectiva para enxergar que, às vezes, tudo termina bem.

De presente para mim – e, principalmente, para vcs, que tornaram isso possível – dois vídeos especiais da Vidinha (aqui e aqui), linda, loira e salva.

Obrigada, meus queridos.

Hoje a comemoração é nossa! ❤

Para a minha sétima estrelinha

Hoje eu acordei sem esperança. Sem coragem. Sem forças.

Acordei com o coração doendo, sangrando, faltando um pedaço.

Acordei sabendo que chegou o dia de dar minha última prova de amor a vc.

Vc não merece mais sofrer, leãozinho. Só merece tudo de lindo que existe no mundo e que lhe negaram a vida inteira. Vc merece dignidade, amor e respeito. É por isso que estou recolhendo os caquinhos e tentando fazer o meu melhor.

Antes doer em mim do que em vc.

Sabe, véia, eu a amei desde o primeiro dia, anos antes de ser minha.

Olhava suas fotos emburrada, rabugenta, velhinha, com FIV+ e repetia “essa aí é meu número. Um dia virá morar aqui!”.

E vc veio mesmo.

As pessoas diziam que veio para “ter um fim digno”, “estar em paz”, “ter um cantinho para ficar sozinha e tranquila”.

A intenção era realmente essa. Só que, no final, foi TÃO mais, né, véia?

No final, vc aprendeu que carinho é bom. Aprendeu a amar, a confiar, a me chamar de madrugada para ganhar seu sagrado sachezinho.

Vc ficou tão mimada!

Demorou muito tempo, mas vc aprendeu o que é fazer parte de uma família.

E me ensinou que nunca é tarde. De verdade, sem clichês.

Eu nem sei mensurar o tamanho da minha gratidão por esse ano que tivemos juntas.

Fomos tão felizes!

Meu peito dói, de tanta saudade.  Não está sendo fácil aceitar que vc não quer mais viver.

Perder o nego foi um golpe duro, ainda mais para quem já sofreu tanto nessa vida, eu sei.

Morrer de amor é triste. Porém, pior seria viver sem ter tido essa chance.  Amar tão profundamente assim é um privilégio.  Que bom poder lhe proporcionar isso.

Então, vai encontrar seu negão de tirar o chapéu , minha véia.

Brilha, resmunga bastante lá no céu e dá um cheiro bem caprichado nele por mim.

Até qualquer dia.

Te amo para sempre.

Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
(…)
Gosto de te ver ao sol, leãozinho
(…)
De estar perto de você
Tua pele, tua luz, tua juba…

#velharabugenta

#paixãoantiga

Primeiro ciclo

Cidreira quase se foi por duas vezes essa semana .

Parou de comer, não saía mais da casinha e só se levantava, de tanto em tanto, para miar no portão chamando o Darth. Um miado doído, triste, de quem não está sabendo lidar com a saudade.

Ficou pele e osso. Descontrolou a doença renal.  Quase ativou a AIDS. Pegou uma gripe oportunista que virou pneumonia e, depois de duas bolas na trave, terminou em internação.

Meu coração ficou pequenininho vendo minha véia ali, encolhidinha na gaiola, ainda mais quando os exames confirmaram o que já haviam me dito no laboratório e no hospital: Cidreira tem nada mais, nada menos do que uns VINTE ANOS.

V-I-N-T-E-A-N-O-S.

Cada um tem o seu calcanhar de Aquiles nessa vida.

O meu são os velhinhos e os portadores do vírus da FIV (AIDS felina).

São esses que escolho para acolher e oferecer “um ano de vida boa” quando chegam aqui.

Só que o “um ano” da Ci é amanhã.

Nos últimos 365 dias ela virou minha hóspede, aprendeu a confiar, foi internada duas vezes, fez uma cirurgia, aceitou carinhoentrou oficialmente para a família, ficou amiga da Dorinha e da Pilar, teve uma superbactéria, virou objeto de estudo da Faculdade de Medicina da USP, se apaixonou por um negão de tirar o chapéu e ficou viúva.

Foi um ano intenso, é verdade.  Mas não está nem perto de ser suficiente.  Faltam pelo menos dezenove de vida sofrida para compensar.

Minha véia segue internada e só consigo pensar que ainda cabem um MBA, mestrado e doutorado em rabugice, antes que a missão seja cumprida.

Não, eu não consigo desistir dela. Espero, de coração, que ela também não desista de mim.

#véiarabugenta

#paixãoantiga

#adoteumvelhinho

#correntedobem

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Para a minha sexta estrelinha

Eu lutei.

Muito. Irracionalmente até.

Mas, domingo, quando saí correndo com vc para a internação, já sabia que tinha perdido a batalha.

Eu tentei.

Muito. Passionalmente até.

Foram seis meses procurando lhe dar uma vida digna, sem a confiança de ter acertado.

O limiar entre cuidado e supressão de liberdade é tênue, eu sei.

Eu amei.

Muito.  Impulsivamente até.

Porém, nunca soube se vc foi mais feliz na rua ou aqui.

Eu chorei.

Muito.  Desesperadamente até.

Vi aquele fiapinho de gato na gaiola e tive a certeza de que era o momento de deixá-lo partir.

Começar uma história geralmente é fácil.  Difícil é escrever o fim.

Mas vc estava cansado, né?

A véia vai entender.  Eu também.

Obrigada, meu nego.

Obrigada por me esperar até o último minuto.

Obrigada por permitir que nossa despedida fosse no colo, aconchegados, como sempre deveria ter sido.

Obrigada por mostrar, no apagar das luzes, que meu amor foi sim correspondido.

Brilha, jedi.

Brilha lindo, brilha forte, brilha para nós duas.

Te amo para sempre.

Você um negão
De tirar o chapéu
Não posso dar mole
Se não você créu
Me ganha na manha e baubau
Leva meu coração…
(…)
Me pego toda hora
Querendo te ver
Olhando pras estrelas
Pensando em você
Negão, eu tô com medo
Que isso seja amor….

#GOdarth

#umjediparachamardeMEU

Na saúde e na doença 

Darth Vader está doente e as perspectivas não são boas (o blog anda até meio monotemático entre pombas, gatos e cachorros, eu sei 😢).

Estou fazendo tudo que posso: fluidoterapia diária, coquetel de remédios, comidas alternativas, tratamento importado, experimental, T-U-D-O.

É muito doído saber que, em breve, vou perder meu negão.

Mas é ainda mais triste saber o quanto a Cidreira vai sentir falta dele.

Minha véia passa o dia ali, deitadinha ao seu lado, dando longos banhos no seu jedi.

Hoje, quando tentei pegá-lo para fazer soro, ela me mordeu e se colocou entre nós dois.

Sim, ela me ama. Porém seu companheiro é ele.

Foi amor incondicional desde o dia zero, à primeira vista.

E assim vai ser até que a morte os separe.

Amém.

💔

#GOdarh

#umjediparachamardeseu

#aesperadeummilagre

#veiarabugenta

#maktub