Notícias do mundo de cá

Não sei nem como descrever o que estamos passando nesses últimos dias.

Palavras como UTI, CPAP, isolamento, sonda, bronquiolite, coqueluche, aspiração, broncoaspiração, taquicárdica, saturação, xis brotam aos sete ventos, sem que eu consiga acompanhar o ritmo das coisas.

Ainda não temos previsões, prognóstico, nem o diagnóstico propriamente dito, mas ninguém, ninguém, ninguém merece passar por isso.

Muito menos aos sessenta dias de vida.

Ninguém merece sentir dor, medo, fome e ter que chorar sozinha, tão pitica, sem poder ganhar o colo que até ontem era seu.

Dorinha está aqui, cheia de fios por todos os lados, enquanto eu fico na inércia, acordada até agora, tirando forças sabe-se lá de onde, com o coração dividido, pensando nas minhas outras meninas lá em casa.

Como alguém me disse ontem, as cicatrizes serão eternas.  Em mim e nela.

Eu só quero que esse pesadelo acabe.

Porém, fiz questão de escrever para agradecer por todo o carinho que estão dedicando a nós. Foram tantas mensagens, comentários, e-mails, zapzaps e telefonemas (não pude atender dentro da UTI, me desculpem), que realmente me senti abraçada.

Quem tem amigos e família tem mesmo tudo.

Torçam por nós, por favor.

Obrigada ❤

#GOdoínha

#boletimdodia

O maior susto da minha vida (ou o dia em que envelheci duzentos anos).

Aí o avô do maridón faleceu.

Liló pegou uma virose DAQUELAS e colocou a família inteira no trono.

Peguei uma gripe estilo “se eu quiser falar com Deus” e passei para a Dora.

A Pi resolveu ficar carente e fazer manhas homéricas, com aquele choro de Conselho Tutelar.

E eu, inocente, reclamei da vida, da semana difícil, de perder a despedida do Rogério Ceni.

Mal sabia que, poucas horas mais tarde, envelheceria duzentos anos em dois minutos.

Além da minha gripe, Dora pegou a virose da irmã, passando a tossir, engasgar e vomitar em um looping eterno.

Durante três dias de tratamento, entre fisioterapeutas e pediatra, tive que desengasgá-la por duas vezes. Até que na terceira não consegui.

Maridón gritou do banheiro, no meio da madrugada: “Ela não está respirando!!!!”.

Corri, peguei meu pacotinho mole no colo, fiz a manobra e nada. Repeti a operação e nada. Chacoalhei, puxei, apertei. Nada.

Com as pernas tremendo, o coração saindo pela boca, os olhos tomados de lágrimas, enfiei o dedo na garganta da Dora e tirei tudo que encontrei pelo caminho.

Ela respirou, ainda engasgada, me fitando com os olhos arregalados e a boquinha roxa.

Maridón colocou a primeira roupa que viu pela frente e correu para o hospital, sem lenço, documento, nem celular, enquanto eu fiquei esperando a titi chegar para ficar com as meninas.

Meu percurso até o pronto socorro – de cerca de um quilômetro – foi infinito.

Eu não sabia se tinha dado tempo, não sabia se eles tinham chegado bem, não sabia o que estava acontecendo.

Passei quase vinte minutos sem saber se minha filha estava viva.

Agora estamos internados na UTI, fazendo exames, em observação. Com ela deve ficar tudo bem.

Comigo não. Nunca mais.

Posso viver mil anos, que esse dia, essa sensação, esse desespero jamais serão esquecidos.

Dorinha dorme tranquila, a espera dos resultados, para definirmos os próximos passos.

Já eu estou quebrada para sempre.

  

Feliz segundo mês, Dora! :)

Quem acha que três filhos é demais certamente não conheceu você, filha.

É bem verdade que as despesas aumentam (muito). O espaço diminui. E às vezes falta um colo livre.

Por outro lado sobra amor. Os sorrisos, abraços e alegrias se multiplicam.

A felicidade é infinita (e o cansaço também).

Três filhos não é para qualquer um, eu sei. Mas ainda bem que foi para mim.

Obrigada por ser meu presente, Dorita.

Te amo.

Mamãe

“Por você conseguiria até ficar alegre

Pintaria todo o céu de vermelho

Eu teria mais herdeiros que um coelho…”

#doismesesdedoínha

#rainhadofrevoedomaracatu

#cabemtrêsvidasinteiras

#ohana

Dora 2 meses