O maior susto da minha vida (ou o dia em que envelheci duzentos anos).

Aí o avô do maridón faleceu.

Liló pegou uma virose DAQUELAS e colocou a família inteira no trono.

Peguei uma gripe estilo “se eu quiser falar com Deus” e passei para a Dora.

A Pi resolveu ficar carente e fazer manhas homéricas, com aquele choro de Conselho Tutelar.

E eu, inocente, reclamei da vida, da semana difícil, de perder a despedida do Rogério Ceni.

Mal sabia que, poucas horas mais tarde, envelheceria duzentos anos em dois minutos.

Além da minha gripe, Dora pegou a virose da irmã, passando a tossir, engasgar e vomitar em um looping eterno.

Durante três dias de tratamento, entre fisioterapeutas e pediatra, tive que desengasgá-la por duas vezes. Até que na terceira não consegui.

Maridón gritou do banheiro, no meio da madrugada: “Ela não está respirando!!!!”.

Corri, peguei meu pacotinho mole no colo, fiz a manobra e nada. Repeti a operação e nada. Chacoalhei, puxei, apertei. Nada.

Com as pernas tremendo, o coração saindo pela boca, os olhos tomados de lágrimas, enfiei o dedo na garganta da Dora e tirei tudo que encontrei pelo caminho.

Ela respirou, ainda engasgada, me fitando com os olhos arregalados e a boquinha roxa.

Maridón colocou a primeira roupa que viu pela frente e correu para o hospital, sem lenço, documento, nem celular, enquanto eu fiquei esperando a titi chegar para ficar com as meninas.

Meu percurso até o pronto socorro – de cerca de um quilômetro – foi infinito.

Eu não sabia se tinha dado tempo, não sabia se eles tinham chegado bem, não sabia o que estava acontecendo.

Passei quase vinte minutos sem saber se minha filha estava viva.

Agora estamos internados na UTI, fazendo exames, em observação. Com ela deve ficar tudo bem.

Comigo não. Nunca mais.

Posso viver mil anos, que esse dia, essa sensação, esse desespero jamais serão esquecidos.

Dorinha dorme tranquila, a espera dos resultados, para definirmos os próximos passos.

Já eu estou quebrada para sempre.

  

15 pensamentos sobre “O maior susto da minha vida (ou o dia em que envelheci duzentos anos).

  1. Os mesmos 20 minutos infinitos q vc passou no caminho pro hospital, eu passei aqui da sua casa. Que aflição!!!!
    Que bom que agora ela está tranquila. Logo logo ela estará 100% de novo!

    • Meu Deus que coisinha mais linda. Deus esta com vcs e logo ela estará em casa. Deus é tão maravilhoso tão grandioso que ela não vai ficar com sequela. Bjos princesa linda Dora vc é um anjo mais linda

  2. Passei por situação parecida quando minha filha tinha 05 dias de vida e engasgou mamando no peito,ela ficou roxinha quase morri de susto o meu marido pegou ela dos meus braços e sugou o leite pelo narizinho, resultado do susto foi meu leite secar e nunca mais voltar nem com remédios e dicas caseiras.Espero que fique tudo bem com vocês…

  3. Oi, Paula! Teu link apareceu na minha timeline essa semana e curiosamente abri para ler. Entendo teu sentimento como só uma mãe que já passou por isso pode entender.

    Minha filha tem 17 dias. Nasceu super bem, parto normal como eu sempre quis e lutei para ter. Estávamos bem e felizes, na saída da sala de recuperação para o quarto, ela teve um primeiro engasgo. Sozinha. Nem estava mamando. Passou e nos levaram para o quarto. Duas horas depois um novo engasgo, ficou roxa, um desespero, estava no colo da avó. Eu só consegui dizer para a minha mãe: corre! Chegou a enfermeira, ela voltou a respirar, mas saíram correndo com ela pra CTI.

    Repetiu aquilo que chamaram de apnéia por mais duas vezes nos dias seguintes. Fui embora do hospital sem ela, chorei como nunca na minha vida. Não tinham ainda um diagnóstico, então chorava por não saber o que era. Chorava por medo do meu leite secar. Chorava de raiva da enfermeira que depois de eu ter passado a noite longe da minha filha disse que eu não deveria dar muito colo para ela não ficar manhosa. Chorava de tristeza por vê-la tomando leite artificial na mamadeira. Chorava pq ao chegar na CTi tinha que esperar a enfermeira colocá-la no meu colo. Chorava de ódio desses protocolos hospitalares. Aprendi a ordenhar leite e cada dia batia um novo recorde (de quantidade e velocidade).

    Passar aquela porta era sempre estar com o coração nas mãos. Como tinha sido a noite? Ela estava bem? Quase morri no dia que cheguei e estavam fazendo o eletroencefalograma, a cabecinha dela cheia de fios e eletrodos. Eu sabia que iam fazer o exame, mas não tinha horário definido. Eu levei 1 segundo para me dar conta que era o exame, mas o susto daquele segundo me acompanha até agora.

    Ela está bem. Todos exames deram normais. Nunca mais teve apnéia, foram 10 dias de vigília constante revezando com a família para ter sempre alguém de olho nela. O diagnóstico ficou como “crises cianóticas do recém nascido” que é comum em prematuros, não num bebê de 40 semanas.

    Essa foi a primeira noite sem vigília. Sobrevivemos. As memórias desses susto ainda estão dentro de mim. Nenhuma mãe merece ir embora do hospital sem o filho.

  4. Paulinha, quando puder, nos mande notícias da Dorinha.

    Te acompanho aqui pelo blog e tenho um carinho enorme por você e sua família.

    Estamos todos em oração pela rápida recuperação da sua pequena.

    Um beijo enorme,

  5. Paula, sou amiga da sua irmã. Fiquei agoniada com o q aconteceu com a Dora. Espero q ela esteja melhor e td isso não tenha passado de um susto. Qto a você, simplesmente reze e peça a Deus q acalme seu coração e que continue sempre protegendo sua família linda. Bjs

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