Pistache

Pistache foi abandonado em uma caixa, na porta da minha casa.

Chegamos de madrugada e ele estava lá, encolhido, imundo, assustado.

Ficou um tempão no site da ONG, sem receber nenhum formulário, até que eu percebi que não teria mais coragem de deixa-lo partir.

Acontece que Pistache não é um gato comum.

Mesmo após cinco anos em casa, não foi aceito pelos demais.  Ele vive arranhado, machucado e apanha TODOS OS DIAS, ao menor sinal de movimento.  Não consegue brincar, comer, beber água, nem usar a caixa de areia.

Os gatos que chegaram depois dele também o rejeitam, inclusive os bebês.  Tentei várias alternativas, nada adiantou: homeopatia, florais, ferormônio artificial, US em busca de testículo ectópico, consulta com especialista, reza brava, rodízio entre os cômodos, isolamento, NADA.

Pensei muitas vezes em colocá-lo de novo no site e insistir na doação.  Meu coração ficaria esmigalhado, meus olhos se enchem de lágrima só de imaginar, mas pelo menos ele teria a chance de ser feliz.

O problema é que o Pistache só gosta de mim no mundo.  Não aceita nenhum humano, nenhum felino, nenhum canino.  DETESTA o maridón (faz xixi nas coisas dele, para demarcar território, enquanto as minhas continuam limpinhas…), as meninas, minhas auxiliares, todos.  Foi para um hotelzinho durante a reforma em casa e passou o tempo inteiro escondido.

A única pessoa que ele ama no mundo sou eu.

Ele bate, morde e arranha qualquer um que tente se aproximar, mas vira um gatinho doce e carente perto de mim.  Quer estar sempre grudado, encostado, esparramado no meu colo.  Dorme no meu travesseiro, me segue pelos cômodos, mia me chamando e reclama se demoro.  Ele é o único que fica triste, para de comer e emagrece quando viajo.

Todas as noites o maridón tenta – sem sucesso – pegá-lo para dormir conosco e ter um pouquinho de paz.  Porém, basta escutar minha voz que ele vem correndo, miando e protestando: “vc demorou!”.

Pistache é uma incógnita, um enigma sem resposta: não é feliz comigo, nem longe de mim.

Por isso resolvi apelar: gateiros de plantão, alguém na escuta com um milagre, uma solução mágica, uma dica incrível, truque ou exorcismo capaz de dar mais qualidade de vida ao meu rabugento?

Eu, ele e o maridón enxixizado agradecemos do fundo do coração. ♥

#correntedobem

Pistache

7 pensamentos sobre “Pistache

  1. Oi Paula,que situação difícil,acho que não tem o que fazer.Estou há duas horas pensando em alguma coisa,até atendi uma paciente pensando,(atendi ela direitinho,hehehe) mas eu não acho que ele não é feliz,ele é sim,ele te adora este é o problema,ciumeira geral mais insegurança e medo que ele sente dos outros.To muito psicóloga? hehehe
    Não pode ser adotado por outra pessoa,eu acho(você tem muito mais experiência que eu)mas eu acho que ele morre sem você….eu tenho uma gata medrosa que faz fuzzz para os outros e ameaça bater por puro medo,mas ninguém bate em ninguém até o momento.
    Um grande beijo

  2. Pingback: Quando um exemplo vale mais do que mil palavras – parte 3 | PAULAtinamente

  3. Eu tenho uma gata muito medrosa (os outros não batem, mas dão corridas nela) que melhorou bastante depois que fiz alguma adaptações na casa, como instalar prateleiras, colocar potes de ração e água em lugares altos e caixas de areia em mais de um cômodo da casa (com mais opções, ela consegue evitar os locais onde os “bullies” estão). As corridas não pararam completamente, mas o nível de estresse dela diminuiu visivelmente (não se lambe mais compulsivamente como antes e a barriga, que era pelada, porque ela arrancava os pelos, está peluda e linda). 😉

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