Um tapinha dói, sim, senhor!

Eu não grito nunca com as minhas filhas (o que não me impede de ser firme com elas, claro). Detesto quando gritam comigo, por que faria isso com os outros?

Também não as ameaço, nem levanto a mão. Em hipótese alguma. Tapinha, corretivo, peteleco, “prestenção”, esquenta a bunda, palmada, ou seja lá como queiram chamar a técnica, nada mais é do que violência pura e simples. E a última coisa que eu pretendo ensinar às minhas filhas é resolver seus problemas sendo agressivas.

Assim como gentileza gera gentileza, violência só gera violência e acho que todos nós concordamos que nosso planeta já tem doses extras de brutalidade por todas as futuras gerações, não?

Eu poderia fazer um discurso lindo, totalmente em cima do muro, para agradar a gregos e troianos, dizendo que não bato, mas também não julgo quem aplique o tal do “tapinha educativo”. Porém, é mentira, eu julgo sim. Julgo porque não entendo que benefício essa conduta poderia nos trazer.

Deixar a criança insegura, com medo ou intimidada, não agrega nada a ninguém. Se eu desse um peteleco na Pi para ela entender que não pode brincar na escada, por exemplo, o que a impediria de repetir o modus operandi com a Lily? Ou com os amiguinhos da escola? Ou com os bichos lá de casa?

Como ensinar que ela não deve bater nos coleguinhas se a mãe bate na irmã? Qual a coerência disso?

Argumentos do tipo “eu apanhei e só aprendi assim” ou “todos apanhamos e sobrevivemos” também não me convencem.

Primeiro porque essa história de “sobrevivência” é muito relativa e pode deixar sequelas emocionais, que só aparecerão lá na frente. Um tapinha dói, sim e deixa marcas invisíveis, podem acreditar.

Depois, eu não quero que minhas filhas “sobrevivam” ou façam as coisas escondidas de mim, com receio da minha reação. Eu não quero jamais que as duas tenham medo dos pais, seus principais aliados quando os problemas aparecerem. Quero que elas me respeitem, o que é muito diferente. E respeito se conquista, não se impõe.

Além disso, acho que temos a oportunidade diária de aprender com os erros e evoluir. Não é porque apanhamos no passado que seguiremos com a prática eternamente. Andávamos sem cinto de segurança, no chiqueirinho e sobrevivemos. Por isso vamos repetir a dose com nossos filhos e netos?

Sei que perfeição não existe, ainda vou errar bastante ao longo do caminho. Vou falhar, fazer escolhas equivocadas, passar vários dos meus defeitos involuntariamente para as meninas. Contudo, pretendo fazer o meu melhor.  Não vou errar de propósito, fazendo algo sabidamente inadequado, muito menos tratá-las da forma que não quero que o mundo as trate. Meu olhar será sempre de carinho e cuidado, afinal somos os exemplos dos nossos filhos (Duvida? Clica aqui e aqui).

Não bato, não deixo bater e tenho raiva de bate, simples assim.

Se estou certa ou errada, só o tempo irá dizer.  Mas, na dúvida, prefiro educar pelo amor, nunca pela dor.

Nós três

4 pensamentos sobre “Um tapinha dói, sim, senhor!

  1. Perfeito! Claro, com todos os pingos nos i’s e com as fotos mais lindas desse blog!!!

    Sempre digo que já percebi que educar não é fácil, mas que se decidi colocar uma filha no mundo, o mínimo que devo (a ela e ao mundo) é encontrar paciência e dedicação pra fazer o negócio bem feito! 😉

    Beijo

  2. Descobrir o seu blog em um post no Minha mãe que disse. Li todinho em alguns dias e tô apaixonada pelo blog, por sua família, por seu coração e por sua generosidade. Tenho uma Cecília também que chamo carinhosamente de Cecilhita. Ela tem 10 meses e quando ela era mais nova, eu achei que estava grávida e fiquei desesperada. Lendo o seu blog eu vejo que foi desespero a tôa, pq se eu realmente estivesse grávida eu estaria com dois presentes ao invés de um. Assim como vocÊ.
    Continue postando, vc está fazendo um serviço a sociedade. Tenho uma cocker spaniel e depois de ler suas experiências decidi adotar um cachorro. #correntedobem

    • Puxa, Fabrina…. obrigada! 🙂
      AMEI ler seu comentário. Engraçado como nossas vidas acabam se cruzando com pessoas que tenham afinidades, né?
      Agradeço muito pelo carinho!
      E se quiser adotar mesmo um cachorrinho, já sabe… eu sou a pessoa! Rsssss
      Tenho de todos os tipos, idades e tamanhos, é só dizer!
      Beijo enorme!

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