Leitinho bom – parte 3

Esse ano haverá um Congresso Mundial sobre Aleitamento Materno e fui uma das vinte doadoras selecionadas para participar da pesquisa.

Orgulho e satisfação a parte, durante a entrevista fiquei sabendo da falta de informação e do número cada vez menor de doadoras em nosso país.

Nos últimos anos, o Brasil perdeu cerca de vinte mil matrices que ajudavam a manter o Banco de Leite. Muitas mães sequer conhecem a possibilidade de doar. Os hospitais funcionam cotidianamente com apenas METADE da quantidade de que necessitam.

Sei que é um assunto batido aqui no blog, que já falei sobre a doação, que esse tipo de post não dá ibope – a menos que envolva piadocas de um polêmico apresentador de TV, claro – e que muitos de vcs nem abrem links relacionados ao tema.

Contudo, também sei que todas as mães amam seus filhos e querem sempre o melhor para eles (ou pelo menos deveriam).

Por isso, venho aqui, em nome dos meus filhinhos de leite, pedir ajuda mais uma vez. Eu faço minha parte, mas ela, infelizmente, não é suficiente.

Será que não tem nenhuma outra mamãe aí com leitinho sobrando, disposta a perder alguns minutos diários para fazer girar a famosa corrente do bem?

Já falei no outro post, mas nunca é demais repetir, repetir e repetir: quem doa leite doa amor, doa tempo, doa saúde. Porém, acima de tudo, doa vida. E isso não tem preço.

Leu, ficou interessada, quer doar, participar, divulgar ou apoiar? Pergunte-me como, estou às ordens! 🙂

#correntedobem

#gentilezageragentileza

#doeleite

Ser irmã mais velha é…. – parte 2

Dividir a saliva (esse dedinho no final é a prova de que ser mãe é apenas para os fortes):

A escova de dentes:

E ensinar a irmã a comer papinha salgada, sem roubar nem um pedacinho sequer:

O trabalho é infinito, nunca mais se dorme, às vezes parece que vou enlouquecer.

Mas ser mãe de duas é a coisa mais maravilhosamente incrível que poderia ter acontecido na minha vida.

Ateus, expliquem: como é possível se apaixonar mais e mais, a cada dia?

#ostentaçãodeamor

#irmãs

ET: Algumas pessoas me perguntaram o que eu quis dizer com “Ateus expliquem”.  É um meme de internet, gente.  O post não tem conotação religiosa, nem esse blog permite preconceito contra nenhuma raça, cor, credo (a menos que envolva sacrifício de animais), ou tipos de parto, podem ficar tranquilos 🙂

Salagadula, mexegabula, bibidi-bobidi-bu…

Quando eu disse que outras Ninas viriam, não imaginei que seria tão rápido…. Mas São Francisco é descarado, não pode ver uma brechinha em coração de pudim, que já aparece querendo se aproveitar.

Hoje mesmo uma amiga pediu ajuda para um gatinho que estava miando desesperado e se esfregando nas pessoas, em frente ao seu trabalho.

Ele estava todo sujo, fedido e não era aceito pelos outros gatos do bairro, por não ser castrado:

Pierre

Várias pessoas se envolveram no resgate entre esconder o gato e dar carona até a veterinária, fazendo funcionar lindamente a tal da corrente do bem.

Em menos de três horas, nosso Cinderelo já estava com consulta feita, vermífugo e banho tomados, pronto para reinar no lavabo lá de casa até sua família de comercial de margarina aparecer:

Pierre

Sei que isso não muda a história triste de ontem e que para cada Pierre Bourdieu – lindo, loiro e phyno – existem milhares de Ninas negligenciadas por aí.

Contudo, isso não significa que devemos desistir de tentar melhorar a vida deles.  O resgate de hoje só foi possível, porque várias pessoas largaram o que estavam fazendo e se dispuseram a ajudar.  Muitas vezes a diferença entre a vida e a morte de um bichinho é uma simples carona no horário de almoço.

Olhando essas fotos, quem seria capaz de dizer que não vale a pena?

Está aí a prova de que com amor e boa vontade tudo se resolve.  Nem precisei usar meu pó de pirlimpimpim dessa vez 🙂

#extrememakeover

#gatoborralheiro

#resgatedodia

#correntedobem

Nina

Nina tinha dono, mas dava suas voltinhas por aí. Aquela velha história de que gato gosta de liberdade, sabem?

Um belo dia ela não voltou. Ficou umas duas semanas sumida, até que sua dona a encontrou caída na rua, em uma situação realmente precária.

Por absoluta ignorância, a tal da dona cuidou da Nina dando apenas mastruz com leite (não era arnica, confundi a erva milagrosa). As despesas com veterinário seriam muito altas e não caberiam no orçamento familiar.

Foi preciso quase um mês de agonia, até que a Nina viesse parar em minhas mãos. Esquálida, com olhar perdido, mal reagia aos estímulos.

O diagnóstico da veterinária foi assustador: Nina não tinha temperatura (nem conseguia manter quando aquecida), estava com a costela fraturada, lipidose, pancreatite, cálculos na bexiga, hematoma considerável no abdome e cistos nas vértebras torácicas, causando compressão medular.

Em linguagem de leigos, Nina estava morrendo. Aos poucos, com dor, muito sofrimento e de forma precoce. Uma gata linda, de apenas dois anos, com a vida inteira pela frente.

Foram dois dias de tratamento intensivo, porém, mesmo assim, Nina partiu.

Queria muito poder dizer que ela descansou e que estou com o coração em paz, sabendo que fizemos tudo o que podíamos.

Mas não é verdade.

Não dá para ficar tranquila sabendo que Nina sofreu e sofreu muito, por mais de um mês. Teve dor, teve medo, sentiu frio, sentiu fome.

Agora estou aqui, com o coração sangrando, chorando pela Nina, pelos mais de dez anos de vida que lhe foram roubados, por ter chegado tarde, por não ter conseguido salvá-la, por tantos e tantos casos semelhantes espalhados por aí todos os dias, nesse mundo cão.

Choro de tristeza, de pena, de impotência. Choro por ver mais uma batalha perdida.

Mas só hoje. Amanhã já tenho que enxugar as lágrimas e levantar.

Outras Ninas virão, infelizmente.

Nina

A semana promete – parte 5.020

Comecei o dia fazendo um post no facebook, para contar minha saga da manhã, achando que a cota de agito, confusão e trapalhada tinha se esgotado por ali:

Segunda-feira, 8:30 da manhã. Estou acordada há duas horas e já: (1) rolei a escada de casa, (2) fui atacada pela Paçoca e (3) tomei xixizada na cara. Bom dia por quê, mesmo? ‪#‎corrãoparaascolinas”.

Tipo… caí feito jaca podre a la Nazaré, fui atacada pela minha filha ingrata, não consigo andar direito, estou TODA roxa, dolorida e travada, mas encerrei minha porção de azar da semana.

Nem considerei que bati o carro na sexta-feira, fiquei com a lateral toda ralada, tive que aguentar chilique da outra fulana, que soltou o cachorro no meio da rua, enquanto anotava minha placa e me fez sair correndo para buscá-lo.

Desconsiderei, ainda, que fui entregar um gato ontem, morrendo de enxaqueca, a adotante sequer olhou para ele e mandou de volta, porque era adulto e preto: “quero um filhote tigrado, obrigada”. Ou seja, perdi a viagem, sendo que a idade E a foto do gato estavam no site.

Também não levei em conta a notícia – recebida quando estava saindo de casa – de que a gata da minha auxiliar está morrendo há alguns dias e ninguém levou ao veterinário, porque é muito caro, estão fazendo compressa de arnica ou algo assim (Maestro Zezinho, uma nota para adivinhar quem vai sair correndo com a tal da gata em 3, 2, 1…).

Ignorei que a sacola com minha marmita caiu e agora tenho uma gororoba de feijão com pedaços de morango para almoçar.

Por fim, superei o chá derrubado na minha agenda, roupa, celular e demais papéis em cima da mesa.

Estava aqui, firme e forte, fazendo o jogo do contente e pensando que essas coisas acontecem nas melhores famílias. O final de semana foi difícil, a segunda complicou, mas agora só pode melhorar, né?

Até que uma das advogadas da minha equipe veio me dizer que desistiu de tirar férias em Fortaleza, porque “não está tão cansada assim e o lugar nem é tão incrível”. Humilhando, sabe? Chutando cachorro caído. Foi demais, levei para o pessoal.

Quando ela tiver duas filhas, rolar a escada, bater o carro, tomar mordida, perder viagem na adoção #fail, a marmita, o chá e ainda resgatar a gata alheia, tudo ao mesmo tempo agora, vai se lembrar de mim e dessa semana desprezada, com dor no coração. Ô, se vai! Praga de mãe há oito meses sem dormir não falha. Podem esperar.

ET: Maridón me corrigiu e achei melhor explicar. “Corrão” é um meme de internet. Não aprendi a reforma ortográfica e não sei usar vírgulas, mas não estou tão mal assim, ok, pessoal? #pasqualefeelings

Mulher Maravilha quebrada

As pessoas sempre me perguntam: “como vc consegue dar conta de tudo?”, “como conciliar casa, filhos, marido, trabalho, bichos, ONG, sem deixar nenhuma bola cair?”.

A verdade é que as bolas caem sim. Com frequência. Eu não sou a esposa que gostaria de ser, a mãe que gostaria de ser, a voluntária que gostaria de ser, nem a profissional que gostaria de ser.

Estou longe, muito longe, anos luz de distância de ser perfeita, impecável, a Mulher Maravilha, um exemplo. Derrubo bolas todos os dias, nos malabarismos do cotidiano.

Certamente seria uma esposa melhor, se não fosse também voluntária. Uma mãe mais presente, se não fosse também profissional. Uma profissional mais dedicada, se não fossem todos os outros afazeres domésticos. E por aí vai, vcs entenderam o espírito.

Estou conformada com isso. Os vários anos de terapia me ensinaram que não adianta traçar como meta o perfeccionismo exigido pela virginiana que mora em mim. Tenho apenas que buscar ser o melhor que posso, sem traumas, nem culpas. Ou abrir mão de alguma dessas atividades, o que não é uma opção no momento.

O problema é que, desde a gravidez da Lily, a bola que mais tem caído na minha vida é a dos cachorros e isso está pesando bastante no meu coração. Eles precisam de mais espaço, mais atenção, mais carinho.

Tentei terceirizar atividades, brincadeiras, passeios e estou procurando uma casa maior, com grama, para que eles possam correr. Mas nada disso é suficiente, já que EU não estou presente como deveria.

Uma vez me disseram que intenção de amor é amor também e até acho que seja verdade. Porém, intenção por si só não basta. É preciso fazer mais, valorizá-los enquanto ainda estão conosco, demonstrar o tal amor sentido.

É preciso melhorar. Muito e sempre.

Esse post não é divertido, engraçado, fofo, nem tem função social. É apenas uma confissão e também um compromisso assumido de que as coisas vão mudar, prometo aqui, por escrito. Mas, acima de tudo, é um pedido de desculpas aos meus filhos amados, que são prioridade na minha vida e deverão ser tratados como tal.

Palavra de escoteira.

#ohana

Bebês