O Taxista que falava pausadamente

O dia começou animado, com as meninas acordadas desde a madrugada (de novo), a Lily com febrinha, toda empipocada, a Pi dando tchau e mandando beijos para o vazio no quarto dela (oh, god), a Memé vomitando (de novo, parte 2) e eu tendo que buscar meu carro na concessionária (de novo, parte 3).

Chamei um táxi, atrasada para variar, com aquele bom humor contagiante.

Veio um senhorzinho simpático, calmo, falando baixo e MUITO devagar, do tipo que faz longas pausas entre as palavras e vc fica em dúvida se ele dormiu ou morreu no meio da frase. Não sei se já contei aqui, mas poucas coisas no mundo me irritam mais do que isso. Tenho vontade de esfaquear a pessoa com faquinha de bolo Pullman, para ver se pelo menos o grito sai no ritmo certo.

Não contente, o senhorzinho resolveu – sabe-se lá por que cargas d’água – me contar com riqueza de detalhes a epopeia do seu joelho torcido no último mês.  E quando digo riqueza de detalhes, não é modo de falar ou expressão. É riqueza de detalhes MESMO, José de Alencar level.

Tanto que ele conseguiu contar apenas o que aconteceu em uma das trocentas consultas que teve, durante o trajeto de uns 20 minutos:

– Blábláblá… a consulta estava marcada para as 2:30, no dia 5 de agosto. Cheguei às 2:10, mas tinha um moço esperando o médico desde as 13:00. Então ele foi atendido na minha frente e eu entrei só às 2:45. Aí o médico pediu desculpas pelos quinze minutos de atraso e bláblábláblá…..

J-U-R-O pelas minhas filhas que não existe exagero nenhum nesse diálogo, a conversa seguiu assim da minha casa até a Consolação, inclusive com detalhamento bem específico do procedimento médico, punção e efeitos colaterais do remédio (“péssimo para o figo e rins, dona”).

Já estava usando a reserva morta da minha paciência, sem prestar a menor atenção no que ele estava dizendo, quando se fez o silêncio. Percebi que era minha vez de responder alguma coisa e, obviamente, não tinha a menor ideia do que.

Eis que o taxista me saca um APITO do bolso, começa a cantar AND batucar no volante, em alto e bom som:

– O Raul per-gun-toooooooooooou, vc não acertou! Pegue seu banquinhoooooooo e saia de fininhooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!

Pausa dramática.

Aí eu pergunto: esse tipo de coisa acontece com todo mundo ou eu tenho algum dom?

#premiadafeelings

8 pensamentos sobre “O Taxista que falava pausadamente

    • Está aí uma excelente pergunta…. Essa semana minha terapeuta falou: “Mas, Paula, se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos é que sua vida É tumultuada”.
      Como assim?? Kedê o apoio moral?? Kedê o “imagina, esse tipo de coisa acontece com todo mundo”??? Hahahahahahaha!

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