FAQ da minha vida – Dez perguntas e respostas sobre ser vegetariana durante a gravidez e com filhos pequenos

Ser vegetariana durante a gravidez e com filhos pequenos podji?

Podji. Juro. De verdade. Ninguém vai morrer de fome, de anemia, de inanição, nem de ebola. Só é preciso saber fazer as substituições certas.

Aqui estão as dez perguntas mais frequentes que escuto, com as respectivas respostas. Caso alguém se interesse pelo assunto, tenha dúvidas, curiosidades ou queira apenas trocar figurinhas, pode mandar e-mail, mensagem, comentário ou sinal de fumaça, que eu responderei com todo prazer. 🙂

1) Vc não comeu carne nenhuma durante suas gestações? Mas vc estava gerando vidas! Suas filhas não tiveram problemas de saúde? Não ficaram fraquinhas? Vc não teve anemia? A prima da vizinha da empregada da minha avó não comia carne e teve um aborto duplo twist carpado!

Não, não e não. Minhas duas gravidezes foram absolutamente saudáveis, de dar inveja a muito carnívoro por aí. Sem enjoos, sem intercorrências, sem anemia, nem complementos (não, eu não precisei tomar ferro, juro pela Jojo). As meninas nasceram muitíssimo bem, obrigada, ambas vendendo saúde e com Apgar 9/10, apesar de prematuras.

2) Suas filhas são vegetarianas também? Elas não precisam de proteína animal para crescer fortes e saudáveis? Não ficam anêmicas?

Minhas duas filhas são vegetarianas desde a barriga, nunca comeram nenhum tipo de carne e sempre ganharam estrelinhas nas consultas ao pediatra. O ser humano não precisa de proteína animal para viver. Precisamos de PROTEÍNA, ponto. Comer animais é uma ESCOLHA, não uma necessidade.

Além disso, existe a questão secundária de entupir as meninas com aquela série toda de hormônios e antibióticos inerentes à indústria carnívora, mas não vou nem entrar nesse mérito, porque meu objetivo não é ser sensacionalista, nem catequizar ninguém. Cada um sabe o que é melhor para si e para sua família, né?

3) E o ferro?

O ferro pode ser consumido de inúmeras fontes alternativas, tais como quinoa, beterraba, folhas escuras (couve, rúcula, espinafre), ovo, queijos, semente de chia e todas as leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico, ervilha, etc), os quais devem ser combinados com alimentos cítricos, como sucos de laranja, acerola, morango ou limonada, por exemplo, porque a vitamina C ajuda na sua absorção.

O Popeye comia ESPINAFRE para ficar forte, não um bifinho, né? 😉

4) Vcs comem frango? E peixe?

Não e não. Quem come peixe ou frango não é vegetariano, é tão carnívoro quanto quem come carne de porco ou de vaca, simples assim.

Na minha casa não comemos NENHUM animal. Nada que tenha rosto, sentimentos ou pai e mãe (Lembrando que piadocas do tipo “coitadinha da alface que morreu para te servir” nunca são bem-vindas, nem engraçadas. Obrigada. De nada).

5) Vcs comem gelatina, ovo, leite? Usam couro? E produtos testados em animais?

Não comemos gelatina, porque é feita de tutano, porém consumimos leite e seus derivados, com algumas restrições. Também não compramos ovos em casa, mas sei que estamos patrocinando essa indústria indiretamente, cada vez que comemos fora. Não compro coisas de couro, dou sempre preferência aos materiais sintéticos, inclusive nas trocas de presentes, contudo, continuo usando as que já tinha (jogar fora não mudaria nada, além de ser zero sustentável).

Por fim, não compramos produtos testados em animais, mas tenho consciência de que muitos remédios foram/são originados desses testes e acabamos usando mesmo assim. Incoerente, eu sei. Estou tentando adaptar nossas rotinas da melhor forma, para que tenhamos o menor impacto possível no mundo animal. Meu objetivo não é ser um modelo, um mártir, nem um exemplo a ser seguido. Sei que estou MUITO longe do ideal e do que gostaria de ser, mas isso não impede que eu dê um passo de cada vez no caminho que entendo ser o mais correto. Fazer pouco é sempre melhor do que não fazer nada. Não faz sentido deixar de fazer o bom, porque não consigo fazer o ótimo, né?

6) O que vcs comem, então?

Muita, muita, muita, muita, muita coisa MESMO. Tanta coisa, que os três quilinhos básicos que faltam das gravidezes não me abandonam de jeito nenhum. Está rolando um apego forte.

Para ser mais específica, comemos todas as frutas, legumes, verduras, cereais, queijos, derivados da soja, doces, além de massas, tortas e pizzas vegetarianas, ou seja, TUDO que não for feito de carne animal. É coisa para dedéu, podem acreditar.

7) Vc não tem vontade de comer carne?

Ás vezes sim, já que eu não passei a ser vegetariana por gosto e sim por princípio. Contudo, é cada vez mais raro alguma dessas coisas me dar vontade, após tantos anos sem comê-las. E essa rara vontade passa imediatamente, assim que vejo o prato. Não tenho nojo, mas também não quero comer, já está ótimo. Acho que a ideia do alimento é bem mais atrativa do que o alimento propriamente dito.

8) Vc obriga suas filhas a serem vegetarianas? E se elas não quiserem?

Eu acredito que a função primordial dos pais é educar e passar os valores que entendemos corretos para nossos filhos. Podemos até errar de vez em quando, mas a intenção sempre será acertar.

Infelizmente (ou felizmente), eu não tenho como obrigar ninguém a fazer o que eu quero. Posso apenas orientar, explicar, mostrar o que acontece, como as coisas são feitas e deixar que minhas filhas escolham o que acharem mais adequado.

CLARO que isso não se aplica a bebês. Eu não vou mostrar um vídeo de um matadouro para uma criança de dois anos, porque ela não tem sequer discernimento para entender o que é aquilo. Enquanto elas não tiverem capacidade de compreensão, decido eu, sem democracia.

Porém, a turma do amendoim pode ficar sossegada, minhas filhas não serão expulsas de casa se optarem por comer carne quando crescerem. Eu vou chorar, ficar decepcionada, frustrada, aumentar as sessões de terapia para descobrir onde foi que errei, chorar mais um pouco e seguir em frente. Filhos são do mundo, não dos pais, eu sei. Tanto é assim, que meu pai é criador de gado. Quer paradoxo maior do que esse? Na casa do ferreiro, o espeto SEMPRE é de pau.

9) Isso não é cruel?

Crueldade é uma coisa muito relativa. NADA para mim é mais cruel do que aquilo que acontece em granjas e matadouros, por exemplo.

10) Como vai fazer nas festinhas infantis?

Essa é a pergunta mais difícil de todas, realmente não sei. Enquanto eu estiver junto, será mais fácil controlar e administrar as trocas, mas tenho noção de que em algum momento elas estarão sozinhas e a escolha será delas. Não tenho como impedir que elas experimentem um cachorro quente e nem quero fazer um grande drama em torno disso, porque elas poderão comer escondido de mim, o que é muito pior.

Tudo que eu posso fazer é ensinar, mostrar, explicar e torcer para que minhas filhas respeitem todos os tipos de vida. O resto será com elas.

No final das contas, vale sempre aquela velha máxima: se podemos viver felizes e saudáveis sem machucar ninguém, por que faríamos diferente?

#goveggie

#FAQveggie

4 pensamentos sobre “FAQ da minha vida – Dez perguntas e respostas sobre ser vegetariana durante a gravidez e com filhos pequenos

  1. Por conta da alergia da Cecília eu tô praticamente vegana – mentira, como frango e peixe, mas sem leite e derivados, sem ovo e sem carne vermelha…e tô descobrindo que é bem mais possível do que eu imaginava..Um passo a mais pro caminho do vegetarianismo (que sei q é inevitável).
    E o mais inacreditável: não só é possível amamentar nessas circunstâncias, como é justamente pra poder amamentar que estou comendo assim…bonito, né?!
    E agora que apertei pessoalmente, eu posso testemunhar que suas filhas são umas bolinhas de ‘gostosura veggie’!!!

    • Nossa, Gabi! Esqueci de uma questão super importante nesse post, que é a amamentação! Só lembrei agora vendo seu comentário! 😦
      As pessoas já acham que leite materno “é fraco, não sustenta, falta um chazinho”. Imagina leite veggie??
      Aproveitando, estou às ordens para ajudar, dar dicas, sugestões e palpites quando (e SE) vc quiser virar vegetariana, inclusive no cardápio da Cecília, viu?
      Beijão!

  2. Obrigado por esse texto. Venho lendo a respeito do vegetarianismo há alguns meses, e a questão da gravidez aparece como uma ressalva forte em muitos casos, até porque é comum que os próprios médicos recomendem o consumo de carne ao menos nessa fase. Interessante ver um exemplo contrário de alguém que me parece cautelosa em termos de saúde. Abraços!

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