Desfralde – parte 1

Antes de entrarmos no maravilhoso universo das necessidades fisiológicas e suas convenções sociais, quero explicar que não, eu não sou daquelas mães malucas, que atropelam o tempo dos filhos e querem que eles sejam precoces em tudo, não precisam me julgar.

Cada criança é uma criança. Não existem prazos, limites, regras exatas, nem fórmulas secretas para o desfralde.  Um dia ele acontece, naturalmente.  Forçar o processo só vai piorar a situação e traumatizar todos os envolvidos.  Não há por que ter pressa, afinal, ninguém casa de fraldas, né? (se alguém casou, por favor, não se manifeste, estou apegada a essa ideia).

Enfim, só estamos iniciando o desfralde tão cedo – antes dos dois anos – porque a Pi começou a dar sinais claros de que não quer mais usar fraldas.  Para ser mais objetiva, ela DETESTA de verdade, tenta arrancá-las direto e reclama bastante a cada troca.

Tanto que, sempre que aquele futum básico, bem característico, invade o ambiente e pergunto “Pi, vc fez cocô?”, a resposta é curta e grossa: “NÁ-UM!”, seguida de uma corrida estratégica.  Ou seja, minha filha prefere ficar CAGADA a ter que mexer na fralda.  Se isso não for um sinal claro de que ela é porquinha é melhor mudar o método, eu não sei o que é.

Como o inverno não é a época mais indicada para o desfralde, já que as chances da quiança ficar ensopada são gigantescas, decidimos manter a fralda a princípio e ensinar aos poucos, com calma, que existe uma alternativa, caso ela prefira.

O primeiro passo foi comprar um penico.  Confesso que fiquei impressionadíssima com as várias opções disponíveis no mercado. Penico não é mais apenas aquele potinho para fazer as necessidades fisiológicas não, minha gente. Eles agora cantam, dançam e sapateiam (o custo é proporcional, claro).  Só faltou inventarem a versão auto-limpante.  Eu juro que compraria, mas não se pode querer tudo nessa vida, não é mesmo?

Para minha surpresa, a apresentação Pilar-Penico, Penico-Pilar foi bem tranquila.  Ela já entendeu as regras do jogo.  Agora, se vai coloca-las em prática, já são outros quinhentos.

Vamos aguardar as cenas do próximo capítulo, não mudem o canal 😉

#sermãeé

Para meus outros filhos

Eu não os conheço. Não sei seus nomes, suas histórias, como vieram parar aqui.

Não sei se vcs vão sobreviver, se terão sequelas, estrutura, família, se meus esforços, junto aos da equipe médica, serão suficientes.

Não sei se nos conheceremos. Se seremos apresentados como verdadeiros estranhos em uma tarde no parque, se minhas filhas brincarão com vcs em uma pracinha por aí, sem imaginar que já dividiram o pão nosso de cada dia, quando bebês.

Porém, mesmo à distância, sempre teremos um vínculo diferente, só nosso. Mãe de leite também é um pouquinho mãe.

Por isso, hoje o meu pedido é por vcs. Espero que tenham forças para continuar lutando, que não desistam de viver. Espero tornar a batalha mais fácil, mais leve, mais aconchegante, com colo e carinho de mãe, como todas deveriam ser.

Espero que esses dias tristes fiquem esquecidos em um passado remoto e que vcs tenham uma vida linda pela frente.

Sejam sempre amados e abraçados. Sejam corajosos. E sejam felizes, no sentido mais real que a palavra pode ter.

Feliz dia das mães para nós!

#correntedobem

#doeleite

Imagem

O caro que sai barato

Chegamos em casa tarde da noite, depois de um jantar.

Como a nossa rua é realmente tranquila e está sempre vazia, o maridón foi prender os cachorros, enquanto eu esperava com as meninas, que dormiram no caminho (algumas noites só o balanço do carro salva, quem tem filhos sabe).

Eis que apareceu um rapaz transtornado, correndo ladeira abaixo, como se estivesse fugindo ou procurando alguma coisa.  Ele parou ao nosso lado na calçada e ficou ali, olhando fixamente para mim.

Foram alguns segundos de tensão, com o coração batendo acelerado, pensando nas meninas que dormiam tranquilas no banco de trás e em tudo de horrível que poderia acontecer a partir daí.

Só então me lembrei de que o carro era blindado, respirei aliviada e chorei.  Chorei por viver em uma cidade na qual esse tipo de coisa é necessária.  Chorei agradecida por ter a oportunidade de proteger minhas filhas.  E de tristeza por todos aqueles que não tiveram essa sorte.  Chorei lembrando de um texto parecido que li essa semana, dizendo que mães não deveriam chorar por motivos assim.  Chorei pensando no mini-caixão branco e rosa que vimos essa semana no cemitério.  Chorei imaginando a história desse rapaz e em como a sociedade nos transformou em inimigos, sem sequer nos conhecermos.  Chorei de medo, de impotência, de sufoco.

Chorei por gastar uma fortuna blindando meu carro e ter sido útil.  Valeu a pena, eu sei, é o caro que sai barato.  Mas, nessas horas, eu preferiria o desperdício.

#diasdecalvin

#coraçãodemãe

Meu herói :)

Marido herói não é aquele que traz flores, presentes, mimos e afins.

Marido herói é aquele que abraça suas causas como se fossem dele.

Marido herói é o meu, que interrompeu o descanso no feriado para me ajudar a resgatar um cachorro velhinho e perdido. Que se arriscou a levar mordidas e ainda rodou o bairro todo, em busca do dono imbecil irresponsável, que deixa um cachorro quase cego solto por aí.

Algumas mulheres precisam de joias, viagens, bolsas e sapatos para serem felizes.  Mas eu não.  Eu já tenho o privilégio de dividir a vida com alguém que tem o coração no lugar.

O que mais poderia querer?

Obrigada, lindão.

Te amo para sempre, a cada dia mais ♥

Imagem

Pequenas grandes alegrias

Quer saber quanto vale uma soneca tranquila ao Sol, após anos de gaiola, em uma sala sem janelas?

Pergunte à Salomé.

Eu nunca tinha dado bola para o solzinho que bate logo cedo, na varanda de casa. Até que hoje, percebi sua beleza e seu valor.

Muitos acham que nós resgatamos, salvamos, ensinamos.  Mas a verdade é que aprendemos com eles todos os dias.

Bom feriado! 🙂

#nãotempreço

#nãocompreadote

#correntedobem

Imagem