Do apego às monoteníces

O blog anda monotemático essa semana, eu sei.

Em minha defesa, a viagem pela Europa foi adiada por tempo indeterminado, minha última gafe não pode ser publicada, todas as fofocas que tenho para contar ainda são segredo, fiz um divórcio e um contrato essa semana, mas acho que ninguém se interessaria por eles.  Ou seja, não acontece muita coisa por aqui.

Os dias são todos da Marmota, com a Lily chorando/mamando/engordando como se não houvesse amanhã; a Pi aprendendo um mundo de coisas novas, vivendo praticamente como o Mogli – pelada e descalça, no meio da bicharada -; e eu descabelada, tentando dar conta de tudo, com um cansaço nível dormi-sentada-na-cadeira-do-cabelereiro (dignidade, cadê vc?).

Mas ser mãe é um troço tão maluco, que fico com o coração apertado só de lembrar que faltam menos de dois meses para minha licença acabar.  Menos de dois meses para eu voltar à rotina e deixar minhas filhotas com outras pessoas durante o dia.  Menos de dois meses para eu ser um pouco mais Paula, pessoa física, adulta, advogada, louca dos bichos (ok, isso eu nunca deixei de ser, esquece).

E aí eu começo a chorar.  Maduro, moderno, evoluído.  Só que não.

Sei que vou superar a crise e conciliar tudo.  Já fiz isso uma vez, vai dar certo.  Sei que minhas filhas ficarão muito bem, obrigada e que essa independência é importante para mim.

Difícil está apenas explicar para o meu coração que trocar tardes recheadas de cenas como essa por processos chatérrimos será bacana.

Preciso de argumentos mais convincentes ASAP.  Ou de abraços. Ou de chocolates. Ou de doações anônimas para o fundo Paula-passe-os-dias-com-seus-filhos-e-seja-feliz. Ou de tudo ao mesmo tempo agora.

Alguém?

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8 pensamentos sobre “Do apego às monoteníces

  1. Puxa, Paula. Outra comadre blogueira falando do mesmo assunto, já é a terceira essa semana. E essa decisão é de cada uma e nada simples. Eu decidi esticar o sabático por dois anos. Tô me pelando de medo, mas não dei conta de trocar a ce a fofa pelo cotidiano das neuroses alheias. Te mando um ovo de Páscoa? 🙂

    • Ai, Alê! Vc faz muito bem, sabia? Vejo pela Pi, é um tempo que passa voando e não volta mais. Coração divididíssimo!
      Já que vc está longe e o abraço não vai rolar, aceito de bom grado o ovo de páscoa para afogar as mágoas! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

  2. Ai, que difícil!!!
    Ensinar o coração a racionalizar é sempre um trabalho e tanto, né?!
    Mas acho super válida a campanha pelas doações todas! rs

    Sobre a foto: <3, claro!! =)

    Força aí e beijos na turma toda!

  3. Ah, querida. Eu imagino que antecipar tudo isso deva ser doloroso e cheio de ansiedade. Mas, ao mesmo tempo, é uma aventura muito legal. Suas filhas ficarão bem, claro. Porque não é a sua presença física que nutre e zela, não é só isso: é o amor, que não tem barreira de espaço, de tempo, de nada. Ser Paula é o oxigênio da mãe delas (e dos bichos). Por isso, precisa re-oxigenar. Ser Paula é o diesel da esposa do Renato, concorda? Precisa reabastecer, sendo a advogada brllhante, a vaidosa de plantão (dorme na cadeira do cabeleireiro, mas nunca quando for cortar as pontinhas-só-não-mexe-no-comprimento), a amiga dedicada, a blogueira sacada. É simples assim. Recarga. Vai ser legal e tudo vai ficar bem. Mas chocolate ajuda. E como ajuda.

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