Não desiste, filha. Por favor.

Quando a gente perde um filho, fica pensando que ganhou uma trégua do universo, que nada de ruim vai acontecer na sua vida durante um tempo, tipo uma saída livre da prisão.

Só que, infelizmente, as coisas não funcionam assim.

Menos de um ano após perder a Jojo para um linfoma horrível, estou sendo obrigada a reviver todo o drama com a Farofa-fa. E, dessa vez, o câncer é avassalador. Cresceu em menos de um mês e derrubou a minha filhota de uma vez.  De uma semana para cá, ela já não consegue mais ficar em pé, comer, nem respirar direito, sem ajuda da câmara de oxigênio.

Farofa está internada desde sexta-feira e o prognóstico é péssimo, mas não consigo abandoná-la, nem deixa-la descansar.  Pelo menos não ainda.

Não consigo parar de lutar pela minha filhota.  Minha cabeça sabe o que deve fazer, porém meu coração não consegue entender que está perdendo a batalha mais uma vez.  É muito injusto. Especialmente depois de encontrar dois novos tiros de chumbinho alojados em seu tórax, no exame de hoje.  Quanto será que ela sofreu até chegar aqui?

Parece um contrassenso salvá-la da eutanásia e fazer o mesmo, oito meses depois.  Parece que não esgotei todas as possibilidades.  Parece que ainda não fiz pela Farofa tudo que ela precisa.

Farofa merece mais dias de sonecas no sofá, de solzinho na varanda e sachês antes de dormir.  Farofa merece ser tratada com respeito, com atenção, com todo o cuidado que um bichinho demanda.  Farofa merece ser feliz por mais alguns meses.

Por isso não posso jogar a toalha.  Não ainda.  Não sem tentar tudo.

O tempo passa, os problemas mudam, a vida segue.  E eu mais uma vez estou aqui, com um buraco no peito, o coração partido, esperando um milagre acontecer.

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8 pensamentos sobre “Não desiste, filha. Por favor.

  1. Não pense que é a mesma coisa, pois não é. Independente da história que será traçada nos próximos dias, estes sete meses de amor, carinho, sachês e sonecas no sofá com solzinho da tarde fazem toda a diferença. São dividores de águas que tornaram a vida da Farofa-fa digna do q ela merece.

  2. Aqui estou eu de novo, retribuindo a resposta linda que você me deu no outro comentário que deixei! Poxa Paula, sei exatamente como está se sentindo. Em dezembro do ano passado, perdi o meu único peludo macho, o João. Diferente da Farofa, ele nunca sofreu (até por que, nasceu na minha casa, em 1999), mas ficou doentinho do rim do dia pra noite, e menos de 15 dias depois, morreu. Mas não desistimos dele até o último minuto. Fizemos tudo que estava ao nosso alcance financeiro até o último dia, em que ele dormiu, sozinho, pra não mais acordar. Relutei diversas vezes quando minha mãe considerava levá-lo para a eutanásia. Eu pensava “Vai dar tudo certo. Nós vamos fazer isso e ele vai ficar bem”. Não ficou, mas pelo menos, nos nossos corações, nós tivemos a certeza de que era a hora dele ir, de verdade. E quando a hora chega, infelizmente não tem mesmo o que fazer. Talvez seja egoísta da nossa parte mante-los assim, mas é difícil. Eles são parte da nossa família! Então eu entendo e respeito sua decisão. Muita força pra Farofa!! Estarei aqui pensando positivo para ela se recuperar. 🙂

    • Obrigada, Beatriz… Infelizmente não deu para salvar minha filhota, mas, como vc disse, ela foi na hora dela, com a certeza de que fiz tudo que podia para ajudá-la.
      Agora só preciso reunir forças para juntar os caquinhos e seguir em frente.
      Meu coração está esmigalhado, mas sei que para ela foi melhor assim. 😦

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