Quem disse que amor não se ensina? – parte 2

Já contei aqui como estava tentando ensinar a Pi a amar a Farofa, sem esperar nada em troca.

Mas não são apenas as crianças que aprendem com essas relações, nem só nós, os adultos.  Os animais também aprendem a amar, quando respeitados.

Ao longo dos anos tive diversas provas,  bichinhos ariscos, ferais, começando a confiar e mudando seu comportamento por conta disso.  Foi um privilégio acompanhar de perto várias dessas transformações, porém a que mais me surpreendeu foi a da Paçoca.

A Paçoca foi resgatada recém-nascida e criada por mim na mamadeira.  Tudo lindo, perfeito, maravilhoso, só que não.  Paçoca era brava.  Sem explicações, sem motivos, sem traumas.  Ela era assim e pronto.

Mal tinha aberto os olhos e já fazia fuuuu para mim.  Quando a Pi nasceu, ela – bem enciumada e do alto dos seus trinta dias de vida – atacava as pessoas e mordia sem dó:

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As coisas foram piorando e precisamos de meses de muita paciência e tratamento homeopático até ela se acalmar.

O temperamento agressivo continua lá, Paçoca não é nada tolerante com estranhos.  Mas aprendeu a amar do jeitinho dela e nós a respeitamos assim.

No entanto, o que mais impressiona nessa história toda é a paciência dela com a Pi. As duas cresceram juntas e estão sempre grudadas.  Paçoca não aceita grandes intimidades nem carinho, só que vive ao lado dela e NUNCA a machucou, mesmo com alguns abusos por parte da Pi, até que os limites entre elas fossem delineados.  Parece até que sabe que ela ainda é filhote.  Ou é amor de verdade, vai saber.

Fiz questão de escrever esse post, após ler uma notícia estúpida sobre uma família que alega ter sido feita “refém” do seu gato de quatro anos, que teria tentado atacar o bebê da casa, com cerca de um ano.  Esse gato provavelmente não terá um final feliz, mesmo sendo evidente que o tal ataque não foi repentino, nem gratuito.

Infelizmente, não posso atravessar o continente e salvar esse coitadinho, então tento fazer meu trabalho de formiguinha e mostrar, mais uma vez, que amor e paciência operam verdadeiros milagres, vale a pena insistir.

Ou alguém ainda duvida?

#ohana

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5 pensamentos sobre “Quem disse que amor não se ensina? – parte 2

  1. Nossa, que lindo o post Paula. Eu te entendo quanto a isso da índole, adotei meu Yuri bem novinho e depois que ele ficou adulto, ficou agressivo. Eu ficava daquele jeito né, meus braços todos marcados. Eu brincava que sofria de violência doméstica, embora isso não seja motivo pra brincadeira, mas era tão grave que as pessoas reparavam nos meus braços! Com o tempo e a castração ele melhorou muito, mas ainda continua com seu temperamento. Ele é muuuito carinhoso, mas tanto faz ele vir me dar um beijo ou de repente pular na minha perna haha A questão é que como um filho, a gente ama ele do jeitinho que é, tenta educar, mas respeita a personalidade dele. Seu Guidolino mesmo é um amor, mas é o jeito dele. Meu cachorrinho é um anjo e nunca ensinamos nada, é sua maneira de ser. Se existe amor de verdade, a gente respeita a personalidade dos nossos babies.

    • Exatamente, Natascha! 🙂
      Só um palpite: seu cachorro e seu gato brincam juntos? Gatos gostam de brincar de lutinha e, por isso, às vezes acabam machucando a gente. Se ele tiver outro gato para brincar, automaticamente aprenderá a medir sua força e não vai mais ter esses impulsos. Funciona mesmo, experiência própria!
      Beijos

  2. Morri vendo as fotos fofas das duas juntas! Acho que amar é respeitar também o jeito de ser da pessoa ou animal. Nao podemos amar uma imagem idealizada e sim o todo, o conjunto da obra, incluindo os pequenos poblemas. Belo post.
    beijos

  3. Pingback: O aniversário é meu e o presente também :) | PAULAtinamente

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