Sobre as dificuldades de se criar filhas vegetarianas e saudáveis em um mundo onde se come mal

Essa semana fui buscar a Pi um pouco mais cedo na escola e acompanhei – chocada – o jantar da turminha do berçário.

Para minha absoluta indignação, a Pi era a única bebê que comia verduras, legumes e salada.  Todos os demais viravam a cara ou pediam para tirar o verdinho do prato.

Fiquei pensando se seria influência dos pais, se não foram ensinados, se é falta de costume ou paladar mesmo.  Mas nada justifica uma criança de um ano tomar coca-cola na mamadeira e não aceitar um pedaço de cenoura.

Já contei aqui que sou muito rigorosa com a alimentação da Pi.  Doces, frituras e refrigerantes ainda não fazem parte do cardápio dela e pretendo manter assim por um bom tempo.

Não que as tranqueiras não entrem na minha casa ou que sejamos hippies naturebas, muito pelo contrário.  Confesso que como chocolate TODOS OS DIAS, por exemplo.  Só não vejo sentido em dar refrigerante para uma criança que nem sabe o que é aquilo e que ficaria igualmente feliz com um copão de suco fresquinho ou até mesmo água.  Por que vou ensiná-la desde cedo a consumir coisas que todos sabemos que fazem mal para a saúde, se  posso adiar esse momento?

Na festinha de aniversário da Pilar fiz questão de fazer um cardápio saudável, sem frituras, refrigerantes e afins.  O mais engraçado não foi ver a cara de decepção dos pequenos quando ouviam que só tinha suco natural ou água de coco, mas sim a frustração dos próprios pais ao perceber que não teria refrigerante, mostrando que o hábito está enraizado em toda a família.

Não fosse suficiente toda essa rebelião alimentar, minhas filhotas também são vegetarianas desde a barriga (muito mais por uma questão ideológica do que apenas por saúde, admito).  Nunca comeram nenhum animal e vivem muito saudáveis assim, obrigada.

Nem vou entrar no mérito da carga hormonal embutida nas carnes, dos antibióticos, do sofrimento ou da crueldade.  Meu objetivo não é catequizar ninguém, muito menos tornar o texto sensacionalista.  Tento apenas fazer o que acredito ser o melhor para minha família e ensiná-la a amar e respeitar todos os seres, inclusive os animais – por que não?

E antes que falem em “ditadura” ou me chamem de xiita, já digo que tenho consciência de que não poderei impor meus princípios e valores para as meninas.  Posso, no máximo, mostrar o que acontece, explicar o que é aquilo, torcer para que elas entendam e não queiram comer.

Até o momento não tive nenhuma dificuldade, porém sei que será inevitável alguém oferecer um cachorro quente para elas em uma festinha infantil ou um misto quente na casa dos amiguinhos.

Ainda não pensei como vou lidar com isso, não estou preparada.  Provavelmente terei que multiplicar as sessões de terapia nessa fase, mas, por enquanto, vou remando contra a maré e vivendo um problema de cada vez.

Se estou certa ou errada, o tempo irá dizer.

#geraçãococacola

Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos” (Paul McCartney).

Imagem

Peixinhos são amigos, não comida ♥

5 pensamentos sobre “Sobre as dificuldades de se criar filhas vegetarianas e saudáveis em um mundo onde se come mal

  1. Poxa Paula, tenho lido seu blog há um tempo (na verdade gostei tanto que li ele todo em poucos dias, rs). Adorei o texto hoje e resolvi comentar!
    Parabéns pela ótima criação que suas filhotas terão!
    Beijos**

  2. Pingback: Hábito, hábito, hábito e hábito | PAULAtinamente

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