A maldição do rodízio

Não sei nem como explicar, mas maridón se atrapalhou e escolheu a placa do carro com o mesmo final do que a minha (sério, QUEM faz isso? Onde moram? Do que se alimentam?).

Solicitamos alteração na concessionária, fizemos pedido oficial ao DETRAN, reza brava e macumba, porém nada adiantou, a placa é definitiva mesmo.

Fora as questões cotidianas, de ordem prática (tipo levar e buscar a filha na escola todas as semanas), o problema maior é que, desde então, TU-DO nas nossas vidas passou a acontecer às quintas-feiras.

E quando eu digo tudo, quero dizer tudo mesmo, não é exagero. Do horário especial no médico ao aniversário da prima. Do bicho doente ao show bacanudo, lá nos cafundós de Judas. Da reunião de emergência até a apendicite supurada e a pneumonia coletiva, com idas em turnos ao hospital. Enfim, vcs pegaram o espírito.

Chamamos esse fenômeno carinhosamente de “a maldição do rodízio”.  Ou, na visão dele, “o dia em que quase saiu divórcio”.

Para completar, maridón ainda conseguiu esquecer da famigerada restrição por duas semanas seguidas, tomou QUATRO multas (ida e volta, ida e volta) e acabou com a carteira lotada, ou seja, não basta escolher o dia errado, vc também precisa ignorá-lo, em sinal de protesto (Maestro Zezinho, duas letras para adivinhar para quem vão sobrar eventuais novos pontos…).

Pois bem.

Alguns meses se passaram, eu já estava até mais conformada e tinha aceitado que minhas quintas-feiras seriam “com emoção” nos próximos anos, pois os dois carros são novos e não serão trocados tão cedo.  Mas eis que meu exame de curva glicêmica (delícia) foi marcado para quinta-feira cedo, no encaixe-do-encaixe-do-encaixe-sem-cholo, e eu não posso ir de táxi, porque sempre passo mal, pressão cai, aquele forfé todo.  A típica coisa que dá uma alimentada na amargura da pessoa e reativa a fúria adormecida, sabem?

Tudo bem que não se compara a criancinhas morrendo de fome na África, nem ao problema da falta de água no mundo, existem questões muito piores, eu sei.

Contudo, a pergunta que não quer calar é: se a minha bolsa estourar em uma quinta-feira de chuva, às cinco e dez da tarde ou sete e cinco da manhã, será que vou poder culpar a bandida da progesterona, alegar descontrole emocional pela gravidez e escapar da Maria da Penha, ou esse post vai me denunciar?

#matsunagafeelings

5 pensamentos sobre “A maldição do rodízio

  1. Pingback: Tempos de blindagem | PAULAtinamente

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