Diálogos com o maridón

Para quebrar o clima de tristeza, que ainda está forte por aqui… 😥

Maridón: – Vi um chapéu de cowboy, vc quer?

Eu: – Não! (???) Em que contexto eu usaria isso?

Maridón: – Nenhum. Só pensei que vc fosse gostar, já que vc gosta de música sertaneja.

Eu: – Hummmmm… Quer um kit de maquiagem? Não?? Mas vc adora Kiss!

#didáticaparacromossomoY

#lógicamasculina

#wth

Para a minha estrelinha

Jojo sofreu a vida inteira.

Viveu anos em uma caixa de madeira, sem ver a luz do sol, em um lugar horroroso. Perdeu ninhadas e mais ninhadas. Chegou em um estado deplorável na ONG, muito arisca e assustada.

Foi adotada após um ano e devolvida um mês mais tarde, porque quebrou um vaso.

Lembro até hoje do dia em que fui buscá-la na antiga casa e da dor que senti por ter falhado. Lembro da sua carinha de pânico, me olhando pelas grades da caixa de transporte e da falta de coragem de deixá-la no abrigo de novo.

Foi assim que ela chegou à nossa família e me deu o privilégio de amá-la incondicionalmente.

Aí vieram os diagnósticos da surdez, do megaesôfago e da FIV. Descobrimos que sua vida seria curta, mas ela nunca viu isso como um problema.

Depois vieram o tumor na orofaringe, o sopro no coração, o câncer, a hemobartonelose e, o golpe de misericórdia, a pneumonia.

Foi muita coisa junta, até para uma guerreirinha como ela.

Agora Jojo está livre da dor, dos tubos, das injeções e dos remédios que tanto odiava. Passou, não dói mais nada. Dói apenas em mim, que tenho um buraco no peito e o coração despedaçado.

O que fazer com tanta saudade?

Saudade dela miando rabugenta, pedindo atenção. Saudade dela empinando o bumbum para receber carinho. Saudade dela dormindo no meu colo ou no meu travesseiro. Saudade dos gritinhos felizes, cada vez que ela via o potinho de sachê. Saudade dos olhinhos profundos, sempre me olhando com tanto amor. Saudade até dos grunhidos malucos, no meio da madrugada.

E a saudade da Pi? Como explicar essa saudade, que ela ainda nem sentiu?

Saudade também pela Lily, que não teve a chance de conhecer a gata mais especial do mundo.

Fico pensando o que fiz de errado, o que poderia ter feito diferente, o que faltou.

Mas a verdade é que já entrei nessa batalha sabendo que iria perder. Difícil é explicar essas coisas para o coração. O meu desaprendeu a bater longe do dela e insiste em sangrar.

Como conseguir dormir de agora em diante? Como reunir forças para me despedir?

Eram dois meses iniciais. Foram três anos. E nunca, nunca terá sido tempo suficiente.

Brilha, milagrinho, brilha…

Te amo para sempre.

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Desgraça pouca é bobagem

A novidade do dia é que a Jo está com pneumonia.

Fiquei tão chocada, que fiz até uma listinha, para não me perder no quadro highlander dela: surdez, megaesôfago, sopro no coração, FIV (AIDS), câncer, anemia profunda, hemobartonelose e pneumonia.

Qualquer um teria desistido de lutar nessas condições, especialmente considerando o fator idade.  Porém, contra TODOS os prognósticos, Jojo levantou, voltou a comer, respirar sem sonda e se esfregar na gaiola, pedindo carinho.

Diante dessa melhora, ela teve alta da UTI mais uma vez e vai continuar o tratamento em casa.

Os veterinários estão passados. Um deles disse que ela tenta ir para o céu dos gatinhos, mas é devolvida, porque mia alto demais.

A lição que posso tirar disso tudo é que, terminal ou não, desenganada ou não, meu milagrinho quer viver.  E eu não vou desistir dela.

Obrigada a todos que estão acompanhando essa novela comigo.

Aos não amantes dos animais, peço desculpas, mas mãe com filho doente fica um pouco monotemática.  Prometo retomar a programação normal tão logo meu coração volte a bater tranquilo e postar um vídeozinho da Pirilampa engatinhando toda serelepe por aí 🙂

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Sanguinho bom

Doação de sangue – seja de humanos ou animais – não é um assunto engraçado, divertido, nem que atraia o interesse de leitores.  Mas é tão, tão importante, que decidi escrever mesmo assim.

Hoje o Sancho foi doar sangue para a Jo, que está mal na UTI (de novo).  Aparentemente, não basta vc ser surda, ter todas as doenças do mundo, sopro no coração, AIDS e câncer.  Vc ainda precisa pegar hemobartonelose e ficar com uma anemia severa.

Enfim, voltando ao tema, sem a doação do Sancho, a Jojo provavelmente não duraria muitas horas.  Porém, o sanguinho forte e jovem do meu pretolino permitiu que a irmã tivesse mais um fôlego.

Hoje a ajuda foi em família, mas aqui o Figo, o Häagen Dazs e o Panqueca já doaram para completos estranhos.  Não vou mentir, dá trabalho, desgasta, perde-se tempo, é chato.

Contudo, qual o preço de salvar uma vida?

Uma vez, levei o Figo para doar sangue a um gatinho, que estava muito doente na UTI.  Na hora de ir embora, os donos agradeceram e perguntaram quanto custava.  Respondi que não era nada e eles, surpresos: “mas vc saiu da sua casa, com o seu gato e passou a tarde aqui a troco de nada?”

Não, não foi a troco de nada, foi para salvar uma vida.  Estender a mão ao próximo pode custar coisa nenhuma para a pessoa e fazer toda a diferença para a outra parte.

E, quem sabe, os próximos não estendem as mãos para terceiros e o mundo não vai ficando melhor?

Doar sangue, leite materno, tempo não é caridade, é um ato de amor.

De nada adianta levantar bandeiras, protestar, fazer manifestações, se as palavras não vierem acompanhadas de atitudes.

Que tal começar fazendo sua parte hoje? 🙂

“Seja a mudança que vc quer ver no mundo” (Dalai Lama).

#correntedobem

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