Malditas vírgulas

Meu nome é Ana Paula, tenho 31 anos, não fumo, não bebo (há tempos, diga-se de passagem, já que emendei uma gravidez na outra), não jogo Candy Crush, não tenho vícios, mas desaprendi a usar vírgulas.

Ah, as vírgulas! Essa forma de pontuação traiçoeira, que muda completamente o sentido da frase se colocada no lugar errado.

Ela, que tem a função de pausar o texto e evitar que vc pareça uma louca destrambelhada, cuspindo palavras.

Ela, que não pode separar o sujeito do predicado. E o que mais? Quais os outros truques para a vírgula voltar a ser minha amiga e não me abandonar escrevendo sozinha?

O pior de tudo é a preguiça master-super-plus-infinita de sentar meia horinha em frente ao computador e aprender de uma vez as benditas regras.

Eu sei que preciso, eu sei. Cada vez que releio os textos do blog, fico para morrer de catapora, caçando vírgulas mal colocadas ou ausentes. Um horror!

Mas, como boa procrastinadora que sou, apenas repito: “preciso sentar e aprender isso direito!”.

Em seguida, incluo na listinha mental de pendências que nunca serão realizadas, tais como, aprender (i) a reforma ortográfica de DOIS MIL E OITO (abafa o caso); (ii) digitar com mais de dois dedos; (iii) abrir latas e , last but not least, (iv) amarrar o cadarço sem fazer as orelhas do coelhinho.

E segue o jogo.

Ps: Se vc, querido leitor, fica incomodado com os erros de pontuação, se solidariza com o meu drama e quer fazer uma boa ação, deixe suas dicas e regrinhas nos comentários abaixo. De forma bem resumida, por favor, que minha lista de pendências está enorme! 😉

Movimento mãe – QUASE – sem culpa

Para quem não viu, esse meu post foi publicado, semana passada, no portal MMQD (Minha Mãe que Disse) e gostaria de compartilhá-lo aqui também.

Muitas pessoas discordaram, dizendo que a culpa é inerente a ser mãe. Eu sou brasileira, não desisto nunca e prefiro continuar remando contra a maré.

Quem sabe um dia eu consiga, né?

Movimento mãe – QUASE – sem culpa

Sempre pensei que fosse sentir muita culpa por deixar minha filha na escolinha desde tão cedo e sofri bastante com isso durante toda a licença maternidade. Imaginava que me sentiria menos mãe, terceirizando parte dos cuidados diários com ela.

Mas aí os dias, semanas e meses foram passando e a tal da culpa não apareceu.

Cheguei a imaginar que tivesse algo errado comigo, que eu estivesse quebrada ou que fosse uma mãe com defeito de fabricação.

Demorei para perceber que não há nenhum problema em querer que sua vida continue depois da maternidade (com certas adaptações, claro).

Vc continua tendo direito de trabalhar, jantar fora e querer uns minutinhos de tranquilidade, nem que seja só para navegar pela internet.

Ser mãe não nos torna menos humanas. O caminho é inverso.

Ainda nessa vibe mãe-desnaturada-egoísta, confesso que não saio correndo desesperada a cada resmungadinha da minha filha. Espero os cinco minutos que faltam para acabar meu prato, antes de trocar sua fralda, por exemplo.

A matemática é simples: esperar dez minutos não deixará ninguém assada, mas jantar comida gelada fará sim diferença para mim.

Da mesma forma, aprendi rápido que acidentes acontecem e que não adianta partirmos para o martírio ou para a autoflagelação.

Claro que ninguém aqui está falando de coisas graves, como esquecer a criança no carro. Falo de coisinhas bestas, que acontecem quotidianamente.

Nesses quase dez meses como mãe, a Pi já caiu do sofá e já fez um micro corte no supercílio, ao batê-lo na quina do notebook. Nas duas ocasiões quem estava cuidando dela era eu, ou seja, ninguém para culpar ou reclamar, a não ser eu mesma.

Porém, não aconteceu nada sério, nenhum ferimento grave e, passados dois segundos, ela nem lembrava mais do ocorrido. Vou ficar sofrendo por que? Lição aprendida, erro corrigido, pronto, passou. Bola para frente!

Acho que o segredo para manter a sanidade, sendo mãe hoje, é levar a vida leve. Não dá para cobrar que nós, com a rotina maluca que levamos, sejamos iguais àquelas mães dos anos 30, que bordavam o enxoval inteiro da prole e viviam em função dos filhos.

Infelizmente (ou felizmente), essa não é mais a nossa realidade. Pelo menos, não é a minha.

A verdade é que todas as mães sabem onde fica seu calcanhar de Aquiles – o meu é ter sido obrigada a deixar de amamentar a Pi, por conta de uma nova gravidez precoce. Ser julgada ou crucificada com base nisso é muito cruel.

Ninguém erra de propósito. A intenção com certeza era a melhor possível, era acertar.

Por isso não pode existir espaço para julgamentos e caraminholas na cabeça. Temos apenas que buscar ser as melhores mães que pudermos, sem sofrimento, nem culpa. Ou quase.

Gentileza gera gentileza

Outro dia contei aqui, que o Figo foi doar sangue a um gatinho estranho e os donos do gato ficaram impressionados por eu ajudá-los “a troco de nada”.

Pois bem. Quando a Jojo estava muito mal, na última internação antes de virar estrelinha, a fofa da Mari, que é voluntária da ONG comigo, se lembrou de que o Celso, dono do Max (gato que recebeu a transfusão do Figolino e de alguns gatinhos da Mari), fazia reike e imposição de mão.

No auge do meu desespero, sem saber mais o que fazer pela minha filhota, a Mari quis me dar colo, ligou para o Celso e pediu sua ajuda.

Para minha surpresa, o Celso largou tudo que estava fazendo, atravessou a cidade e foi até o hospital cuidar da Jo. ÀS ONZE DA NOITE, em plena quinta-feira.

Ele poderia ter dito que estava tarde, que estava cansado, que era longe, que tinha que trabalhar no dia seguinte, que sequer conhecia a Jo. Tudo isso era verdade.

Mas ele não mediu esforços. Levantou e veio ajudar minha filhota, também “a troco de nada”.

E me abraçou, foi de uma delicadeza ímpar, passou uma hora dando conforto à Jo, se ofereceu para voltar todos os dias, enquanto ela estivesse internada e, diante do meu agradecimento, ainda respondeu: “imagine, vc fez muito mais por nós”.

Infelizmente, Jojo não resistiu e partiu naquela madrugada. Contudo, tenho certeza de que o carinho e auxílio do Celso tornaram sua passagem mais tranquila e, como bônus, acalmaram um pouquinho o meu coração.

O que eu já sabia, mais uma vez, se provou real: gentileza gera gentileza.

Estender a mão ao próximo só trará coisas boas. Pode não ser de forma tão direta, como aconteceu comigo. Pode não ser hoje, nem amanhã. Mas todos os caminhos se cruzam e quem espalha amor certamente colherá seus frutos no futuro.

Demorei para contar essa história, porque a partida da Jojo ainda dói muito em mim.  Porém, vendo tantas desgraças nos jornais e notícias cada vez mais assustadoras, me senti na obrigação de dividí-la aqui e plantar uma micro-sementinha, na tentativa de tornar o mundo melhor para todos nós.

“Fazer o bem, sem olhar a quem”. Sempre.

#correntedobem

Entre lagartixas e declarações tácitas de amor

Marido herói não é aquele que tira a lagartixa da sala, para os gatos não pegarem (lagartixas podem transmitir uma verminose complicada para felinos).

Marido herói é aquele que conhece a esposa tão bem, que pausa o seriado, prende os gatos, resgata o filhote de lagartixa e o solta – são e salvo – no jardim.

Como não amar? ♥

Conjuntivite, múltiplos fóruns e pombas barbeiras

Vc sabe que a fase está brava, quando sua cota de azar não se resume aos acontecimentos pesados dos últimos meses (que não foram poucos). Sempre é possível dar mais uma animada nas coisas.

Além de tudo que já contei aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, a boa da vez é que estou com conjuntivite alérgica e, adivinhem só, não posso usar nada, só colírio e óculos escuros (vejam a ironia).

Aí eu, que já comecei a semana naquele pique de funcionário público misturado com Stevie Wonder – sem forças, sem vontade, sem enxergar nada – ainda encontro o escritório sem rede, ou seja, sem condições de soltar os prazos, que estavam todos acumulados por causa do feriado e da partida da Jojo.

Ok, mini-AVC controlado, equipe improvisando a impressão das petições, saí afobada para minha audiência em Guarulhos e tive a capacidade de me perder loucamente, mesmo com GPS (se alguém já entendeu a lambança das novas saídas, pontes, atalhos e portais secretos da nova Marginal, favor deixar um guia explicativo for dummies nos comentários abaixo).

Após quase duas horas, consegui chegar e me senti A malandra, desligando o GPS e seguindo as placas de “fórum”, espalhadas pela cidade.

Pena que existem dois fóruns, as placas eram genéricas e eu, obviamente, fui parar no lugar errado.  Murphy é sempre implacável.

Tive que sair correndo a pé, de salto, manquitolando, sem almoço (Cecília, revoltada, já estava organizando uma greve geral) e ainda subir todos os andares de escada, porque a fila do elevador estava indecente.

Audiência feita, nada resolvido, saí correndo de novo até o estacionamento láááá no fórum errado, para dar tempo de voltar a São Paulo, soltar o último prazo e buscar a Pi na escola.

Eis que uma pomba gorda levantou voo e veio em minha direção,  enquanto eu esperava o farol abrir. Fiquei naqueles 5 segundos de indecisão, tipo, “desvio ou não desvio?”, “ela vai subir? vai arremeter?” e aí foi tarde.

A pompa me atropelou em plena calçada. Bateu asas na minha cara, sapateou no meu nariz e me deixou lá, descabelada, gritando e dando um chilique bem phyno, cheio de classe (só que ao contrário), com direito a pessoas rindo e apontado para mim. Aquele kit humilhação bacana, completo, típico na minha vida.

Fica, então, aprendida a lição do dia: quando vc achar que não falta acontecer mais nada, não desanime! Vc ainda pode ganhar de bônus um pedala de pomba exclusivo, para chamar de seu.

#premiadafeelings

Adoráveis palpites!

Eu não sou uma pessoa fácil.  Tenho plena consciência disso.  Contudo, poucas coisas no mundo me tiram do sério como palpites. Palpites indesejados, de quem sequer faz parte da minha vida, então… Fico para morrer de catapora, mal consigo sorrir de forma educada, enquanto escuto.

Por ser vegetariana e ter muitos bichos em casa, sempre fui vítima daqueles que queriam apenas “dar um conselho, de coração” (nunca solicitado, claro).  Durante a gravidez a situação se agravou, porque imaginem só COMO uma grávida pode não comer carnes, viver cercada de animais, em especial gatos, e ainda ter um bebê saudável? Impossível! Só que não.

E o parto? Não sei exatamente como isso acontece, mas seu parto, do dia para a noite, se torna uma questão de relevância nacional. Todos sempre perguntam qual será a forma escolhida (como se fizesse alguma diferença para eles), mal contendo o sorrisinho sádico.

A grande pegadinha é que não existe resposta correta. Seja qual for a decisão, vc irremediavelmente terminará a conversa ouvindo discursos inflamados sobre a indústria das cesáreas ou os perigos e dores inerentes ao parto normal, seguidos de histórias trágicas e casos que deram muito, muito errado. Ou seja, tudo que se precisa quando se está em contagem regressiva para tirar um bebê de dentro de vc (#not).

Quando minha filhota nasceu, fiquei aliviada, achando que a turma do amendoim finalmente daria folga.

Ledo engano. Foi aí que o calvário começou.

Se eu já ficava irritada na gravidez, quando podia simplesmente ignorar o fulano e seguir minha vida, com filho é bem diferente (e pior).  Porque o filho não é só seu, faz parte do seu grupo social e vc passa a ouvir frases do tipo: “essa fralda não está muito apertada?”, “um pouquinho só de açúcar não faz mal, COITADA!” ou “vc dá comida aaaaassssiiiimmmmmmm?? Não é perigoso ela engasgar?”.

A vontade é responder: “Sim, sou muito má e quero que minha filha sofra! Vamos ver quanto tempo ela aguenta! Mua-há-há!”, mas respiro fundo e fico quieta (ou pelo menos tento, a descarga hormonal da nova gravidez não está tornando essa missão tão fácil).

A lista não para por aí, é quase infinita: “Ela está chorando, acho que é fome”. Aí vc explica que o bebê acabou de comer e a pessoa insiste: “então só pode ser sono!”, ignorando por completo que bebês choram, que essa é a forma de comunicação deles, que nem sempre existe um motivo/solução e que a mãe acompanha os horários das refeições da criança (acreditem, ela não deixará o “coitadinho” passando fome).

O debate escola X babá é outra pegadinha, não há como acertar. Se a escola foi escolhida, vc errou, porque a criança ficará doente e se sentirá abandonada. Se optou pela babá, rá!, errou também, porque ela pode maltratar seu filho, ensinar coisas que vc não quer, faltar e deixá-los na mão, bem no dia daquela reunião importante do trabalho.

Sei que a intenção pode até ser boa, porém a forma está muito errada, ao invés de colaborar, os palpiteiros de plantão acabam causando desconforto. Um simples “como posso ajudar?”, quando o bebê estiver chorando, é muito mais simpático e eficaz do que a roleta russa de adivinhações e palpites.  Respeito às decisões do casal, sem querer ensiná-los a ser pais, também é muito bem-vindo.

Pena que esse tipo de coisa só se aprende quando se está do outro lado e se esquece em seguida, assim que a fase passa.