Entre lagartixas e declarações tácitas de amor

Marido herói não é aquele que tira a lagartixa da sala, para os gatos não pegarem (lagartixas podem transmitir uma verminose complicada para felinos).

Marido herói é aquele que conhece a esposa tão bem, que pausa o seriado, prende os gatos, resgata o filhote de lagartixa e o solta – são e salvo – no jardim.

Como não amar? ♥

Conjuntivite, múltiplos fóruns e pombas barbeiras

Vc sabe que a fase está brava, quando sua cota de azar não se resume aos acontecimentos pesados dos últimos meses (que não foram poucos). Sempre é possível dar mais uma animada nas coisas.

Além de tudo que já contei aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, a boa da vez é que estou com conjuntivite alérgica e, adivinhem só, não posso usar nada, só colírio e óculos escuros (vejam a ironia).

Aí eu, que já comecei a semana naquele pique de funcionário público misturado com Stevie Wonder – sem forças, sem vontade, sem enxergar nada – ainda encontro o escritório sem rede, ou seja, sem condições de soltar os prazos, que estavam todos acumulados por causa do feriado e da partida da Jojo.

Ok, mini-AVC controlado, equipe improvisando a impressão das petições, saí afobada para minha audiência em Guarulhos e tive a capacidade de me perder loucamente, mesmo com GPS (se alguém já entendeu a lambança das novas saídas, pontes, atalhos e portais secretos da nova Marginal, favor deixar um guia explicativo for dummies nos comentários abaixo).

Após quase duas horas, consegui chegar e me senti A malandra, desligando o GPS e seguindo as placas de “fórum”, espalhadas pela cidade.

Pena que existem dois fóruns, as placas eram genéricas e eu, obviamente, fui parar no lugar errado.  Murphy é sempre implacável.

Tive que sair correndo a pé, de salto, manquitolando, sem almoço (Cecília, revoltada, já estava organizando uma greve geral) e ainda subir todos os andares de escada, porque a fila do elevador estava indecente.

Audiência feita, nada resolvido, saí correndo de novo até o estacionamento láááá no fórum errado, para dar tempo de voltar a São Paulo, soltar o último prazo e buscar a Pi na escola.

Eis que uma pomba gorda levantou voo e veio em minha direção,  enquanto eu esperava o farol abrir. Fiquei naqueles 5 segundos de indecisão, tipo, “desvio ou não desvio?”, “ela vai subir? vai arremeter?” e aí foi tarde.

A pompa me atropelou em plena calçada. Bateu asas na minha cara, sapateou no meu nariz e me deixou lá, descabelada, gritando e dando um chilique bem phyno, cheio de classe (só que ao contrário), com direito a pessoas rindo e apontado para mim. Aquele kit humilhação bacana, completo, típico na minha vida.

Fica, então, aprendida a lição do dia: quando vc achar que não falta acontecer mais nada, não desanime! Vc ainda pode ganhar de bônus um pedala de pomba exclusivo, para chamar de seu.

#premiadafeelings

Adoráveis palpites!

Eu não sou uma pessoa fácil.  Tenho plena consciência disso.  Contudo, poucas coisas no mundo me tiram do sério como palpites. Palpites indesejados, de quem sequer faz parte da minha vida, então… Fico para morrer de catapora, mal consigo sorrir de forma educada, enquanto escuto.

Por ser vegetariana e ter muitos bichos em casa, sempre fui vítima daqueles que queriam apenas “dar um conselho, de coração” (nunca solicitado, claro).  Durante a gravidez a situação se agravou, porque imaginem só COMO uma grávida pode não comer carnes, viver cercada de animais, em especial gatos, e ainda ter um bebê saudável? Impossível! Só que não.

E o parto? Não sei exatamente como isso acontece, mas seu parto, do dia para a noite, se torna uma questão de relevância nacional. Todos sempre perguntam qual será a forma escolhida (como se fizesse alguma diferença para eles), mal contendo o sorrisinho sádico.

A grande pegadinha é que não existe resposta correta. Seja qual for a decisão, vc irremediavelmente terminará a conversa ouvindo discursos inflamados sobre a indústria das cesáreas ou os perigos e dores inerentes ao parto normal, seguidos de histórias trágicas e casos que deram muito, muito errado. Ou seja, tudo que se precisa quando se está em contagem regressiva para tirar um bebê de dentro de vc (#not).

Quando minha filhota nasceu, fiquei aliviada, achando que a turma do amendoim finalmente daria folga.

Ledo engano. Foi aí que o calvário começou.

Se eu já ficava irritada na gravidez, quando podia simplesmente ignorar o fulano e seguir minha vida, com filho é bem diferente (e pior).  Porque o filho não é só seu, faz parte do seu grupo social e vc passa a ouvir frases do tipo: “essa fralda não está muito apertada?”, “um pouquinho só de açúcar não faz mal, COITADA!” ou “vc dá comida aaaaassssiiiimmmmmmm?? Não é perigoso ela engasgar?”.

A vontade é responder: “Sim, sou muito má e quero que minha filha sofra! Vamos ver quanto tempo ela aguenta! Mua-há-há!”, mas respiro fundo e fico quieta (ou pelo menos tento, a descarga hormonal da nova gravidez não está tornando essa missão tão fácil).

A lista não para por aí, é quase infinita: “Ela está chorando, acho que é fome”. Aí vc explica que o bebê acabou de comer e a pessoa insiste: “então só pode ser sono!”, ignorando por completo que bebês choram, que essa é a forma de comunicação deles, que nem sempre existe um motivo/solução e que a mãe acompanha os horários das refeições da criança (acreditem, ela não deixará o “coitadinho” passando fome).

O debate escola X babá é outra pegadinha, não há como acertar. Se a escola foi escolhida, vc errou, porque a criança ficará doente e se sentirá abandonada. Se optou pela babá, rá!, errou também, porque ela pode maltratar seu filho, ensinar coisas que vc não quer, faltar e deixá-los na mão, bem no dia daquela reunião importante do trabalho.

Sei que a intenção pode até ser boa, porém a forma está muito errada, ao invés de colaborar, os palpiteiros de plantão acabam causando desconforto. Um simples “como posso ajudar?”, quando o bebê estiver chorando, é muito mais simpático e eficaz do que a roleta russa de adivinhações e palpites.  Respeito às decisões do casal, sem querer ensiná-los a ser pais, também é muito bem-vindo.

Pena que esse tipo de coisa só se aprende quando se está do outro lado e se esquece em seguida, assim que a fase passa.

Diálogos com o maridón

Para quebrar o clima de tristeza, que ainda está forte por aqui… 😥

Maridón: – Vi um chapéu de cowboy, vc quer?

Eu: – Não! (???) Em que contexto eu usaria isso?

Maridón: – Nenhum. Só pensei que vc fosse gostar, já que vc gosta de música sertaneja.

Eu: – Hummmmm… Quer um kit de maquiagem? Não?? Mas vc adora Kiss!

#didáticaparacromossomoY

#lógicamasculina

#wth

Para a minha estrelinha

Jojo sofreu a vida inteira.

Viveu anos em uma caixa de madeira, sem ver a luz do sol, em um lugar horroroso. Perdeu ninhadas e mais ninhadas. Chegou em um estado deplorável na ONG, muito arisca e assustada.

Foi adotada após um ano e devolvida um mês mais tarde, porque quebrou um vaso.

Lembro até hoje do dia em que fui buscá-la na antiga casa e da dor que senti por ter falhado. Lembro da sua carinha de pânico, me olhando pelas grades da caixa de transporte e da falta de coragem de deixá-la no abrigo de novo.

Foi assim que ela chegou à nossa família e me deu o privilégio de amá-la incondicionalmente.

Aí vieram os diagnósticos da surdez, do megaesôfago e da FIV. Descobrimos que sua vida seria curta, mas ela nunca viu isso como um problema.

Depois vieram o tumor na orofaringe, o sopro no coração, o câncer, a hemobartonelose e, o golpe de misericórdia, a pneumonia.

Foi muita coisa junta, até para uma guerreirinha como ela.

Agora Jojo está livre da dor, dos tubos, das injeções e dos remédios que tanto odiava. Passou, não dói mais nada. Dói apenas em mim, que tenho um buraco no peito e o coração despedaçado.

O que fazer com tanta saudade?

Saudade dela miando rabugenta, pedindo atenção. Saudade dela empinando o bumbum para receber carinho. Saudade dela dormindo no meu colo ou no meu travesseiro. Saudade dos gritinhos felizes, cada vez que ela via o potinho de sachê. Saudade dos olhinhos profundos, sempre me olhando com tanto amor. Saudade até dos grunhidos malucos, no meio da madrugada.

E a saudade da Pi? Como explicar essa saudade, que ela ainda nem sentiu?

Saudade também pela Lily, que não teve a chance de conhecer a gata mais especial do mundo.

Fico pensando o que fiz de errado, o que poderia ter feito diferente, o que faltou.

Mas a verdade é que já entrei nessa batalha sabendo que iria perder. Difícil é explicar essas coisas para o coração. O meu desaprendeu a bater longe do dela e insiste em sangrar.

Como conseguir dormir de agora em diante? Como reunir forças para me despedir?

Eram dois meses iniciais. Foram três anos. E nunca, nunca terá sido tempo suficiente.

Brilha, milagrinho, brilha…

Te amo para sempre.

Imagem

Desgraça pouca é bobagem

A novidade do dia é que a Jo está com pneumonia.

Fiquei tão chocada, que fiz até uma listinha, para não me perder no quadro highlander dela: surdez, megaesôfago, sopro no coração, FIV (AIDS), câncer, anemia profunda, hemobartonelose e pneumonia.

Qualquer um teria desistido de lutar nessas condições, especialmente considerando o fator idade.  Porém, contra TODOS os prognósticos, Jojo levantou, voltou a comer, respirar sem sonda e se esfregar na gaiola, pedindo carinho.

Diante dessa melhora, ela teve alta da UTI mais uma vez e vai continuar o tratamento em casa.

Os veterinários estão passados. Um deles disse que ela tenta ir para o céu dos gatinhos, mas é devolvida, porque mia alto demais.

A lição que posso tirar disso tudo é que, terminal ou não, desenganada ou não, meu milagrinho quer viver.  E eu não vou desistir dela.

Obrigada a todos que estão acompanhando essa novela comigo.

Aos não amantes dos animais, peço desculpas, mas mãe com filho doente fica um pouco monotemática.  Prometo retomar a programação normal tão logo meu coração volte a bater tranquilo e postar um vídeozinho da Pirilampa engatinhando toda serelepe por aí 🙂

Imagem

Sanguinho bom

Doação de sangue – seja de humanos ou animais – não é um assunto engraçado, divertido, nem que atraia o interesse de leitores.  Mas é tão, tão importante, que decidi escrever mesmo assim.

Hoje o Sancho foi doar sangue para a Jo, que está mal na UTI (de novo).  Aparentemente, não basta vc ser surda, ter todas as doenças do mundo, sopro no coração, AIDS e câncer.  Vc ainda precisa pegar hemobartonelose e ficar com uma anemia severa.

Enfim, voltando ao tema, sem a doação do Sancho, a Jojo provavelmente não duraria muitas horas.  Porém, o sanguinho forte e jovem do meu pretolino permitiu que a irmã tivesse mais um fôlego.

Hoje a ajuda foi em família, mas aqui o Figo, o Häagen Dazs e o Panqueca já doaram para completos estranhos.  Não vou mentir, dá trabalho, desgasta, perde-se tempo, é chato.

Contudo, qual o preço de salvar uma vida?

Uma vez, levei o Figo para doar sangue a um gatinho, que estava muito doente na UTI.  Na hora de ir embora, os donos agradeceram e perguntaram quanto custava.  Respondi que não era nada e eles, surpresos: “mas vc saiu da sua casa, com o seu gato e passou a tarde aqui a troco de nada?”

Não, não foi a troco de nada, foi para salvar uma vida.  Estender a mão ao próximo pode custar coisa nenhuma para a pessoa e fazer toda a diferença para a outra parte.

E, quem sabe, os próximos não estendem as mãos para terceiros e o mundo não vai ficando melhor?

Doar sangue, leite materno, tempo não é caridade, é um ato de amor.

De nada adianta levantar bandeiras, protestar, fazer manifestações, se as palavras não vierem acompanhadas de atitudes.

Que tal começar fazendo sua parte hoje? 🙂

“Seja a mudança que vc quer ver no mundo” (Dalai Lama).

#correntedobem

Imagem